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Humor e representatividade caminham juntos em Angry Birds 2
CINÉFILOS
03 out 2019 | Por Edson Junior (edsonjuniormcz@usp.br)

A trama de Angry Birds 2 – O Filme (The Angry Birds Movie 2, 2019) já se inicia com muita ação. As cenas se associam ao jogo de celular que inspirou a criação da série de filmes, já que há a batalha entre os porcos e pássaros e referências aos estilingues usados na versão digital. Seguindo o roteiro do longa antecessor, de 2016, os pássaros lutam contra os porcos, cada um com interesses de defender a própria ilha. Porém, ocorre a descoberta de uma terceira ilha, totalmente congelada e dominada por águias. Contra o que todos esperavam, uma aliança é estabelecida entre os até então rivais, a fim de desbravar e impedir os ataques realizados pela nova ilha. É nessa proposta que toda a trama se desenvolve.

O humor é o ponto forte da animação. Por mais que em alguns momentos fique previsível que ocorrerá uma piada, devido ao uso de repetições e clichês, o teor cômico do longa se reinventa nas diversas ocasiões, o que não torna a experiência exaustiva em nenhum momento. 

A trilha sonora tem importante papel no desenrolar das ações. As músicas clássicas usadas refletem o teor dado pela proposta de cada cena, como no caso da música The Final Countdown, do Europe, utilizada para representar ocasiões de ação e bravura das personagens.

Alinhando-se a uma linha atual de produções audiovisuais, a animação foca na representatividade feminina como um dos pontos chave. A principal figura é a de Silver (Rachel Bloom), nova personagem introduzida no filme. O protagonismo de Red (Jason Sudeikis) é invisibilizado em diversos momentos pela figura forte e inteligente que a fêmea reflete. Sua personalidade serve como forma de visibilidade, pois mostra uma figura feminina que toma decisões independentemente e estuda em uma grande escola de engenharia. Além dela, a grande vilã, Zeta (Leslie Jones), também merece destaque. A águia moradora da nova ilha esbanja independência e autoridade.

Silver [Imagem: Divulgação/ Sony Pictures Imageworks]

Ao decorrer da história, outra trama juntamente à principal é apresentada. Filhotes da ilha dos pássaros se envolvem em aventuras após perderem três ovos, que são as irmãs de um deles. O humor também se faz presente de forma contundente nessas cenas. Porém, após o fim do longa, fica uma impressão de que a presença dessa trama paralela não teve justificativa aparente. Até há uma pequena ligação dos filhotes com os personagens principais no clímax, mas isso não se desenvolve.

Na quesito visual, o longa apresenta uma produção gráfica de alta qualidade. A estratégia do foco central usada pela câmera nas personagens animadas traz a atenção do espectador para o que está acontecendo em cena. Os recursos técnicos também são bem aproveitados.

A dublagem brasileira conta com grandes nomes do cinema nacional, como Marcelo Adnet (Red), Fábio Porchat (Chuck) e Dani Calabresa (Matilda). A passagem das falas para o português brasileiro são de grande mérito, pois utiliza ‘memes’ atuais que circulam nas redes sociais como forma de ampliar o humor produzido. Há referências a diversos ‘memes’ brasileiros, o que pode servir como uma forma de atração para um público mais juvenil ou adolescente e não só o infantil, como provavelmente é esperado pela animação.

A trama de Angry Birds 2 – O Filme segue sua proposta com sucesso. O humor é a chave central da animação que, mesmo com o uso de clichês, é diversificado nas variadas cenas do filme. Além disso, é uma experiência que vai além do público infantil, até porque conta com um roteiro bem trabalhado. Mesmo simples, existem algumas reviravoltas que acontecem no decorrer do longa. Definitivamente, é uma experiência divertida e capaz de surpreender.

União entre o grupo principal e os filhotes [Imagem: Divulgação/ Sony Pictures Imageworks]

A animação estreia no dia 3 de outubro em todos os cinemas brasileiros. Confira aqui o trailer:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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