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Anna: O Perigo Tem Nome não é só mais um filme sobre a Guerra Fria
CINÉFILOS
29 ago 2019 | Por Mariana Carrara (marianacarrara@usp.br)

Não é a primeira vez que o diretor francês Luc Besson aposta no protagonismo feminino. Depois de Nikita – Criada Para Matar (Nikita, 1990) e Lucy (2014), dois filmes de ação protagonizados pelas atrizes Anne Parillaud e Scarlett Johansson, respectivamente, seu novo longa Anna: O Perigo Tem Nome (Anna, 2019) traz à cena a atriz e modelo russa Sasha Luss, como Anna Poliatova. Em um contexto de Guerra Fria, Anna entra na KGB, organização de serviços secretos da União Soviética, e se transforma em uma das assassinas mais bem treinadas do mundo.  

Quando pensamos em filmes que retratam a Guerra Fria, vem a mente aqueles que estamos acostumados no qual os Estados Unidos são retratados como os bonzinhos da história e salvam o mundo do comunismo. Em Anna: O Perigo Tem Nome não é bem assim. O final surpreendente quebra o que geralmente vemos nas produções já feitas sobre o período. Acima de EUA x URSS e capitalismo x comunismo, existe Anna, uma mulher surpreendente, treinada para matar, com desejos e vontades. E são essas vontades da personagem que trazem reviravoltas e fazem o longa não ser só mais um filme sobre a Guerra Fria.

Anna em missão pela KGB [Imagem: Divulgação]

Um ponto a ser considerado é que, geralmente, são atores norte-americanos que protagonizam russos em filmes desse tipo. Nesse filme, apesar de ter Anna  e Alex (Luke Evans), dois dos principais personagens sendo protagonizados por atores russos, o restante não o é. Isso faz com que até dentro da própria KGB os personagens falem inglês. O russo aparece quando os personagens citam os autores Dostoevsky e Chekhov, por exemplo, mas no desenrolar do filme, personagens russos estranhamente conversam entre si em inglês. 

Entre os não russos do elenco, a já vencedora do Oscar Helen Mirren merece destaque, apesar de representar uma agente russa responsável por Anna na KGB. Além disso, a personagem que interpreta, assim como Anna, também é exemplo da ambição de uma mulher e ajuda a reforçar o protagonismo feminino. As duas até chegam a trabalhar juntas, cada uma com um interesse próprio, para conseguir o que querem.

Sasha Luss contracenando com o ator russo Luke Evans e Helen Mirren [Imagem: divulgação]

O longa tem muitas cenas de ação. Algumas até se tornam toscas, mas são minoria. Não tem como retratar a vida de uma integrante da KGB sem mostrar sua atuação nas missões. O filme mostra a grandiosidade da mulher que Anna é, além de sua força, por sua história de vida, e sua frieza ao matar. 

No aspecto técnico, o áudio é bem trabalhado e leva o espectador para dentro do filme. Externando até os passos dos personagens, a cada pisada na madeira, cada barulho, o público realmente fica imerso no que está assistindo. 

O longa utiliza bastante a técnica de ir e voltar no tempo, até mais do que deveria. Ao mesmo tempo que esse mecanismo é interessante por não entregar a história toda de uma vez, mas passo a passo ir revelando pontos chaves e mostrando as motivações de Anna para entrar na KGB, em alguns momentos ele atrapalha a compreensão do enredo, deixando o espectador um pouco confuso e até decepcionado. 

Apesar de algumas atemporalidades, Anna entretém o público. Os 118 minutos de filme não chegam a ficar cansativos e envolvem o espectador, não só no enredo mas também com a história de vida da protagonista. 

O longa tem estreia prevista para o dia 29 de agosto no Brasil. Confira o trailer:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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