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Apenas a aparência do livre-arbítrio
CINÉFILOS
12 maio 2011 | Por Jornalismo Júnior

[Agentes do Destino]

Agentes do Destino, filme que baseia-se no conto de Philip K. Dick, Adjustment Time, tinha tudo para ser mais uma história de ação onde o casal protagonista se volta contra o mundo para permanecer junto. Entretando, a maneira como é desenvolvida, desde a escolha de atores até a trilha sonora, o leva infinitamente além.

O primeiro encontro de Elise (Emily Blunt), uma bailarina, e David Norris (Matt Damon), um congressista que acaba de perder a corrida por uma vaga no Senado norte-americano, já evidencia a química do casal. Os olhares marcados conseguem expressar a alegria e a surpresa de terem encontrado, de fato, a pessoa amada a quem foram predestinados. Não é das tarefas fáceis para os atores fazer com que o público acredite na veracidade do envolvimento, geralmente fadado a surpreficialidade das curtas cenas onde os casais já saem perdidamente apaixonados. Mas, nesse filme, a história de amor de Elise e David se torna um fio condutor leve para uma história de fundo mais densa e complexa, o que dá equilíbrio à trama.

A aparição dos agentes do destino remete o espectador à Matrix, filme de onde o diretor George Nolfi tirou vários pontos para fazer uma releitura. Os agentes – dentre eles John Slattery, Anthony Mackie e Terence Stamp – inicialmente sem expressão, usam vestimentas escuras e um chapéu, o adorado acessório enigmático e multifuncional de já tantos filmes.

Apresentam-se como não humanos, preservadores de uma ordem pré-determinada para cada homem, escritas em uma éspecie de mapa do destino, um livro com a trajetória a ser tomada por cada ser humano. Apesar deste lugar comum que é a composição física destes personagens, o grupo sobrevive ao clichê com seu jogo de cena bem articulado. A interação entre os diferentes agentes é tão bem trabalhada e exposta, que desmitifica suas imagens através de uma série de piadas que garantem várias boas risadas ao público.

O cenário grandioso e a trilha sonora espetacular – que envolve o filme e emociona o espectador desde o trailer do filme – dão ao filme um ar transcendetal. O plano de fundo é tirado da cidade de Nova York e elevado a muito além, desparticularizando a situação. Os agentes não atuam apenas em Nova York, nem mesmo apenas nos Estados Unidos, como é narrado para o espectador ao final do filme. Isso permite que se imagine de onde vem a Presidente que comanda a organização de agentes e que controla todo o nosso mundo.

Ainda com todos os aspectos que podem não alegrar o espectador, possíveis e comuns em filmes do gênero, o filme merece ser assistido por toda a concatenação de núcleos que fez primorosamente, pela escolha muitíssimo acertada de seu elenco e pelo ritmo envolvente que apresenta.

Por Paloma Rodrigues

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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