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As adaptações mais criticadas nos bastidores do cinema
CINÉFILOS
21 abr 2015 | Por Jornalismo Júnior

por Amanda Oliveira
foliveirafamanda@gmail.com

Uma das tarefas mais árduas do mundo do cinema é transformar em uma produção cinematográfica, as histórias que já possuíam vida nos livros. Principalmente se esses romances conquistarem um grande número de leitores assíduos e apaixonados por cada página da narrativa. Nem sempre os estúdios de Hollywood conseguem agradar esse público e alguns best-sellers acabam tendo que lidar com o sucesso editorial e o fracasso nas telonas.

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Para começar a nossa viagem pelo mundo das adaptações, falaremos do polêmico filme A Bússola de Ouro (The Golden Compass, 2007) do diretor Chris Weitz. Esse longa é baseado no livro Northern Lights (A Bússola de Ouro no Brasil) de Philip Pullman. O enredo se constrói mostrando a vida de Lyra Belacqua (Dakota Richards), que vive em um mundo paralelo, em que as almas das pessoas transcendem seu corpo e se materializam na forma de animal, essas criaturas são chamadas de “daemons”.
A menina vive sob tutela de seu tio Lord Asriel (Daniel Craig) na faculdade de Jordan, Oxford. O clímax da história acontece quando seu amigo Roger é sequestrado (Ben Walker). Dessa maneira, Lyra decide procurá-lo, porém, antes da partida, recebe uma bússola do reitor da faculdade, um artefato mágico que possui o poder de revelar a verdade sobre qualquer coisa.
A polêmica do filme gira em torno do motivo do sequestro das crianças. No livro, uma entidade religiosa conhecida como Magisterium está envolvida com esses desaparecimentos. Eles utilizam os jovens como objeto de pesquisa com intuito de descobrir a fonte do pecado. O problema é que, no filme, o grande vilão da história deixa de ter um caráter teológico e passa a ter uma natureza política, sendo assim, ao invés de uma igreja, um governo totalitário.
Outra adaptação muito discutida foi a do livro de F. Scott Fitzgerald: O Grande Gatsby (The Great Gatsby, 2013), que se contextualiza na efervescência dos anos 20 em Nova York. Seu sucesso editorial não se refletiu por completo no Universo cinematográfico e o filme, em geral, não agradou muito o público.
O enredo envolve o escritor Nick Carraway (Tobey Maguire), que se muda para Nova York em 1922, um período de grande agitação na cidade. Eram realizadas festas com muitas bebidas, na época consideradas ilegais. Todos viviam a materialização do sonho americano ao ritmo do som que despontava no memento: o Jazz.
Nick mora perto de um milionário chamado Jay Gatsby (Leonardo DiCaprio). Um dia ele é convidado para uma festa na casa desse vizinho, formando assim um laço de amizade entre eles. Com o tempo, o escritor descobre que o amigo possui uma paixão antiga por sua prima Daisy Buchanan (Carey Muligan) que é casada com Tom Buchanan (Joel Edgerton), pertencente a uma família tradicional e rica da cidade. Percebendo esse afeto guardado por anos, Nick tenta reaproximá-los.
A adaptação foi comandada pelo diretor Luhrman, que tornou o filme uma grande produção do ponto de vista estético, como a cenografia e o figurino, cuidadosamente pensado para refletir o contexto da época. No entanto, muitos críticos reclamaram dos seus exageros alegando que ele quis mostrar as festas de forma enérgica, porém superficialmente.
De acordo com o site estadunidense Rotten Tomatoes, que coleta opiniões online do público, O Grande Gatsby teve uma índice de aprovação de 48%.
Entrando agora no mundo da fantasia nos deparamos com outra adaptação que também não foi muito bem recebida pela crítica. O filme Eragon (2006) é baseado no romance homônimo de Christopher Paolini. O mais interessante é que o autor ao escrever o livro tinha apenas 15 anos. O personagem que dá nome ao filme (Edward Speleers) é um adolescente pobre criado pelo tio.

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No decorrer do longa, o menino encontra uma pedra azul e, com o tempo, descobre que essa era um ovo do último sobrevivente dos dragões. Quando a criatura nasce, Eragon se torna um cavaleiro e tem a dura missão de lutar contra o maligno rei Galbatorix.
O filme foi dirigido por Stefen Fangmeier e para alguns críticos, traspor às telonas os detalhes contidos nas páginas do livro é uma tarefa difícil e como a maioria das adaptações, Eragon também cometeu esse pecado.
O jornal americano The Seatle Times classificou o longa como“tecnicamente talentoso, mas relativamente sem vida e, por vezes, um pouco bobo”. Por sua proximidade com outros filmes que inspiraram o autor, como o Senhor dos Anéis (2001), muitos críticos apontaram isso como um problema de originalidade. De acordo com o site Rotten Tomatoes, Eragon teve um índice de aprovação de apenas 16%.
Uma adaptação que também gerou muitos murmúrios nos bastidores do mundo do cinema foi O Código da Vince (The Da Vinci Code, 2006). Dirigido por Ron Howard o filme é baseado no romance homônimo de Dan Brown. O enredo se constrói em Paris, quando o especialista em Simbologia, Robert Langdon (Tom Hanks), é convocado para ir às pressas ao Museu do Louvre. Chegando lá o personagem tem uma surpresa desagradável, seus olhos se deparam com o corpo do curador do local, Jacques Saunièr (Jean-Pierre Marielle).

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Para procurar pistas que decifrem esse mistério, Robert se une a Sophie Neveu (Audrey Tautou) que é uma criptógrafa policial. Durante as investigações a dupla descobre uma série de mensagens ocultas nas obras de Leonardo Da Vinci. O sucesso editorial do livro foi estrondoso foram 36 milhões de unidades vendidas em todo mundo. No entanto, o romance levantou uma série de discussões polêmicas, por sugerir um relacionamento amoroso entre Jesus Cristo e Maria Madalena.
O sucesso editorial nem sempre se reflete no universo do cinema. E apesar do filme ter tido uma boa bilheteria não agradou por completo os críticos e o público. O jornal New York Times alegou que o longa leva algum tempo para acelerar e tenta, a todo momento estabelecer quem é quem, o que estão fazendo e por qual motivo.
Embarcando no universo da mitologia grega iremos falar da adaptação do romance de Rick Riordan, Percy Jackson e o Ladrão de Raios (Percy Jackson & The Olympians: The Lightning Thief). O filme, de 2010, leva o mesmo nome do livro. Foi dirigido por Chris Columbus (diretor dos dois primeiros filmes da série Harry Potter) e conta a história de um menino (Logan Lerman) que vive uma vida comum com a sua mãe até descobrir que é filho de Poseidon, deus dos mares. A situação fica difícil quando o semideus é acusado de roubar o raio de Zeus. Para desvendar esse mistério, o garoto se une à Annabeth (Alexandra Dadario), filha de Atena e a Grover (Brandon T. Jackson), adentrando em um mundo totalmente diferente.

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Uma das principais reclamações do público é quanto a fidelidade da obra. No livro, por exemplo, Percy tem 12 anos, já no filme ele aparece mais velho com 17 anos. Outra mudança é quanto a personalidade de Grover, na produção cinematográfica, ele aparece como um menino descolado e falante na obra literária ele é mais tímido.
O Los Angeles Times, periódico americano, o classificou como um “cinema genérico em sua forma mais banal”. No Rotten Tomatoes o filme teve uma aprovação de 49% e uma pontuação média de 5.3 em 10.
Transformar as páginas de livros em roteiros cinematográficos pode parecer uma tarefa simples, aliais as histórias já foram construídas. Alguns romances possuem até mesmo um grande número de fãs, antes mesmo de entrarem no mundo de Hollywood. No entanto, aquilo que parece vir mastigado pode dar uma indigestão traumática e nem sempre agradar ao público e a crítica. E uma das principais dificuldades é que o universo literário é muito complexo para ser traduzido em duas ou três horas.

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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