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As Sufragistas, são atos e não palavras
CINÉFILOS
23 dez 2015 | Por Jornalismo Júnior

por Maria Beatriz Barros
mabi.barros.s@gmail.com

Neste ano, as mulheres da Arábia Saudita votaram pela primeira vez. O país era o último no mundo a negar tal direito. Depois de mais de um século, a luta pelo sufrágio feminino foi, enfim, concluída. O movimento começou no final do século XIX de forma pacífica, mas aderiu características rebeldes no início de 1900, especialmente no Reino Unido. Inspirado em acontecimento da época, o drama As Sufragistas (Suffragette, 2015) retrata a vida de um grupo de mulheres que lutou contra a opressão masculina e inspirou movimentos revolucionários de gerações.

Maud Watts (Carey Mulligan) trabalha em uma lavanderia desde pequena. Sua mãe, não tendo com quem deixar a menina, levava com ela para o trabalho a filha bebê escondida. Mesmo sob abusos físicos e sexuais de seu chefe, Maud continuou no mesmo ofício de sua mãe. A protagonista é casada com Sonny (Ben Whishaw), com quem tem um filho. Um dia, em meio a uma entrega para a lavanderia, Maud se depara com o caos provocado por mulheres quebrando vitrines, reivindicando “Voto para as Mulheres”, no qual reconhece algumas colegas. De alguma forma, aquela situação a muda.

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No dia seguinte, as trabalhadoras da lavanderia são convidadas a dar testemunho na Câmara dos Comuns acerca de suas condições de trabalho. Maud decide acompanhar Violet Miller (Anne-Marie Duff), uma de suas companheiras, durante seu depoimento. No entanto, a amiga aparece repleta de ferimentos no rosto e é impedida de testemunhar, incumbindo Maud de representar a lavanderia. Diversos episódios, como o estupro de uma adolescente, inclinam a protagonista ao movimento sufragista. Depois de muita relutância interna e externa, ela torna-se expoente da luta.

O longa, dirigido por Sarah Gravon, personifica na figura de Maud Watts a situação de milhares de sufragistas. Ao aderir ao movimento, as mulheres perdiam tudo, suas casas, famílias, empregos e quaisquer outras “regalias” que era acreditado que elas tinham. No final, nada mais lhes resta, senão umas as outras, o vislumbre de um mundo melhor, justo, e este anseio as move, se torna a prioridade delas. A personagem de Mulligan representa a força de toda uma geração de mulheres.

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As Sufragistas
mistura fatos reais com ficção. Não era possível que representassem a história de todas as mulheres que aderiram ao movimento em um só filme, para isso criaram o drama de Maud Watts, comum a grande parte das sufragistas. Também mostram as exceções, como Edith Eylin (Helena Bonham Carter), uma médica graduada, cujo marido apoiava a causa feminista. Com lateralidade, o filme abordou diferentes “soldadas” do movimento sufragista, sem esquecer as personagens reais, como Emmeline Prankhurst (interpretada por Meryl Streep) e seu famoso bordão “Nunca se renda, nunca desista” e a gloriosa Emily Davison (interpretada Natalie Press).

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Certas tomadas do filme misturam takes reais do começo do século XX e os produzidos para o longa. Nos identificamos com as sufragistas “fictícias” para depois, por conta da disposição astuta dos elementos verídicos, desenvolvermos paixão pelo movimento real.

As Sufragistas (Suffragette, 2015) estreará nos cinema em 24 de dezembro. Ainda que haja muita luta para o movimento feminista, o longa revive uma importante lição: Se não querem nos ouvir, que tomemos atitudes para nos fazer ouvir. São atos, não palavras.

Confira o trailer:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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