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Até que a Sorte nos separe 3: poderiam ter parado no primeiro
CINÉFILOS
22 dez 2015 | Por Jornalismo Júnior

por Guilherme Weffort

Sabe aquela sensação de que algo passou dos limites ou, como dizem, “deu o que tinha que dar”? É esse o sentimento em “Até que a sorte nos separe 2”. Aparentemente não para quem produziu, dirigiu e atuou, pois vem aí “Até que a sorte nos separe 3” Um filme meramente comercial, repleto de preconceitos e estereótipos que em momento algum arranca qualquer esboço de risada.

A primeira cena do filme é no “Caldeirão do Huck” (sim). Após duas falências, sendo a última em Las Vegas, Tino, personagem de Leandro Hassum, tenta voltar ao time dos milionários em uma competição de perda de peso, porém é derrotado por André Marques e retorna a sua vida simples, vendendo biscoitos Globo em faróis do Rio de Janeiro. Um dia, é atropelado por um carro de luxo e passa 7 meses em coma.

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Quando acorda, descobre que o dono do carro é Tom Barelli (Bruno Gissoni), filho de Rique Barelli, homem mais rico do país e dono da corretora financeira HGX (Filho do homem mais rico do país, cuja empresa tem como última letra do nome um X, atropela homem pobre? Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência). Descobre ainda que o jovem agora namora sua filha Tetê, personagem de Júlia Dalávia, e que ele pagou as despesas do hospital.

Após um jantar na casa da família bilionária, com um pedido de casamento feito por Tom, Tino é convidado para trabalhar com Rique e vê mais uma chance de melhorar sua vida. Na empresa reencontra Amauri, seu companheiro de enrascadas anteriores. Quando tudo parecia estar bem, um telefonema atendido por ele instaura uma assustadora crise econômica no país e destroi a fortuna dos Barelli. Eis que acontece o momento mais absurdo do filme (não que o resto não seja, mas esse supera)

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Com Rique inconsciente após um colapso nervoso, Amauri passa a tentar resolver a crise e é chamado para reunião com o ministro da Fazenda. Tino, então, sonha que os dois foram ao encontro da presidenta da república. É aí que entra em cena uma caricatura extremamente desrespeitosa de Dilma Rousseff. Desde o uso do termo ‘presidanta” a uma masculinização patética e asquerosa de sua figura. O que veio depois foi só mais do mesmo e, como esperado, todos viveram felizes para sempre e o filme acabou com um casamento.

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Sobre os atores: Hassum e seu exagero de sempre, com o mesmo estilo de interpretação seja qual for o personagem. Gissoni e Dalávia formam o par “Malhação”, Emanuelle Araújo vive o esteriótipo da “capa de Playboy mulher de bilionário ex pobre que compra tudo para ser feliz”. Camila Morgado chama atenção. Para quem viveu, brilhantemente, Olga Benario, a ex-rica Jane não deve ter sido um grande desafio.

Após intermináveis uma hora e 45 minutos de bocejos e vergonha alheia, a sorte me separou dessa inigualável película.

 

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