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Big Brother de morte
CINÉFILOS
22 mar 2012 | Por Jornalismo Júnior

Pegar uma série de livros de sucesso e transformar em filmes é sempre um risco. Alguns acertam como Peter Jackson em Senhor dos Anéis; outros erram feio como Chris Weitz com Bússola de Ouro; outros têm altos e baixos, como os filmes de Harry Potter sofreram durante os últimos anos. Mas Gary Ross fez um trabalho perfeito com Jogos Vorazes, há pouquíssimas coisas que os fãs da série escrita por Suzanne Collins, que também é roteirista e produtora do filme, poderão reclamar.

A história, que se passa num futuro não tão distante, tem como protagonista a garota de 16 anos Katniss Everdeen (interpretada por Jennifer Lawrence, indicada ao Oscar por Inverno da Alma em 2010), que vive em Panem, país que ocupa o antigo território dos EUA, destruído após algumas calamidades. Panem é formado pela sua Capital e por 12 distritos. Anualmente, cada distrito precisa enviar tributos (um garoto e uma garota) para participarem dos Jogos Vorazes. Um campeonato transmitido ao vivo pela televisão, e que é mandatório que toda a população assista, no qual os 24 tributos precisam se enfrentar, até que reste vivo apenas um vencedor. No distrito 12, o mais pobre todos, o nome de Primrose Everdeen, de 12 anos, é escolhido para participar dos Jogos, Katniss, então, se oferece para tomar o lugar da irmã.

Os filmes, assim como os livros, são voltados para o público infanto-juvenil, como fica bem evidenciado com a escolha do elenco, que além de Lawrence conta com Josh Hutcherson (de Viagem ao Centro da Terra), que interpreta Petta Mellarck, o garoto que é enviado para os Jogos com Katniss, e Liam Hemsworth (o namoradinho de Miley Cyrus), que interpreta Gale, o melhor amigo de Katniss. E também pela trilha sonora que contem participações de Taylor Swift, Birdy, Maroon 5 e Arcade Fire. Mas não se engane, Jogos Vorazes não é um filme somente para as crianças e adolescentes, e muito menos um filme de ação com brigas, explosões e mortes.

O sucesso da série não se dá graças a apenas fortes campanhas de marketing, ou devido ao apelo de um romancezinho açucarado e sem-graça como em outras sagas. Existe muita coisa por trás da história de Jogos Vorazes. Não a toa já foi lançado um livro “Hunger Games – A Filosofia por trás dos Jogos Vorazes”, que também aproveita a onda de publicidade que se seguirá ao filme.

As comparações de 1984, de George Orwell, são inevitáveis, afinal até os pássaros são programados para vigiarem a população. Outras referências, como Admirável Mundo Novo, ou mesmo eventos reais como algumas ditaduras também são facilmente percebidas.  Divagar sobre a capacidade de se utilizar o entretenimento como forma de dominação também é impossível não fazê-lo, mas não é o que farei aqui, ou este texto poderia ficar interminável. Quem quiser discutir isto, recomendo fortemente que leia os três livros da série: Jogos Vorazes, Em Chamas e A Esperança.

O filme, que conta com uma boa história de origem, promete ser realmente a nova sensação entre as sagas cinematográficas, pois além de contar com um bom elenco, possui uma trilha sonora muito boa, que condiz com as cenas e que prende ainda mais os espectadores à tela. Jogos Vorazes é o tipo de filme que permite se ter emoções variadas enquanto se assiste, e que todos comentarão após sair do cinema, mesmo que seja pra falar se sobreviveria aos Jogos, ou não. Aqueles que leram os livros e já são fãs, podem ir ao cinema despreocupados, o filme continua mantendo toda a tensão existente no livro do começo ao fim.

Por Rafael Aloi
rafael.ca.paschoal@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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