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Boca e River além do que é visto em la cancha
ARQUIBANCADA
22 out 2019 | Por Pedro Sousa (pedro_sousa13@usp.br)

“Che Boca vos ya no existís porque en España yo te vi morir

cuánta alegría en el Gallinero, cuánta alegría en el mundo entero

pobre bostero, qué sufrimiento, lleva de River adentro.”

 

“Dale Dale Dale Dale Boca

Vamos vamos vamos a ganhar 

La vuelta em La Boca vamo a dar 

Y una gallina vamo a matar

Pobre Riber Plate, que se fue para la B.”

 

Dia de Superclássico muda o ambiente nas ruas de Buenos Aires e no resto da Argentina. River Plate e Boca Juniors protagonizam de longe o maior clássico dos nossos vizinhos e um dos importantes do mundo. Os dois maiores clubes argentinos somam mais da metade dos torcedores portenhos. Algumas pesquisas chegam a indicar que sete em cada dez argentinos são ou xeneizes ou millonarios.

Como explicar tamanha concentração de popularidade em apenas dois times? A rica história de ambos clubes é um fator importante. Não faltam para nenhum dos dois times conquistas nacionais e internacionais. Somados, são 69 títulos argentinos dos grandes rivais: 36 para o River e 33 para o Boca. Já no cenário internacional, os xeneizes é que levam vantagem: São seis Libertadores, três Intercontinentais e duas Sul-Americanas, enquanto que seu rival de Nuñez soma quatro conquistas da América, um Intercontinental e uma Sul-Americana.

No entanto, a última dessas quatro Libertadores vencidas pelos Millonarios tem um sabor especial para ambos os lados em questão, um sabor doce para os riverplatenses e mais do que amargo para os boquenses.

Em 2018, pela primeira vez, Boca Juniors e River Plate decidiram a Libertadores. Não bastasse uma final com Superclássico, o confronto foi cercado de várias polêmicas, com ônibus xeneize sendo recebido a pedradas e garrafadas para o então segundo e derradeiro jogo no Monumental de Nuñez. Após o cancelamento daquela partida, a Conmebol levou a final para o Santiago Bernabéu, em Madrid. Foi lá que o River venceu de virada seu eterno rival por 3 a 1. Somado com o empate no primeiro jogo em La Bombonera, a vitória em terras europeias garantiu ao Club Atlético River Plate sua maior conquista em 118 anos de história. Para o Boca, significou a derrota mais doída. Uma eterna cicatriz na pele xeneize.

“Foi o ápice! A melhor coisa que poderia acontecer na história do Superclássico. A mentira se acabou e provou que somos ‘el más grande’.

“Foi doloroso demais. Chorei muito, não conseguia acreditar, mas mesmo ali, na derrota, não deixei de cantar e nem de apoiar meu time.”

Wallace e Adriene resumem o sentimento de cada lado envolvido naquele jogo. Ambos são brasileiros e torcem, respectivamente, para River Plate e Boca Juniors. Adriene, que é membro da torcida Peña Juan Román Riquelme, conta que essa é “a pior lembrança que tem de um Superclássico”. Já Wallace diz justamente o contrário: “Foi a cereja do bolo. Nada poderia ser melhor.”

Lucas Pratto (esq.) comemora após anotar o gol de empate contra o Boca Juniors [Imagem: Reprodução/Twitter]

Um ano após a final del mundo, os xeneizes têm uma chance de uma revanche contra o seu grande rival: os dois clubes argentinos voltam a se enfrentar pela Copa Libertadores. Dessa vez, o confronto é pela semifinal da competição continental. Porém, os boquenses já estão em situação mais do que complicada. Perderam no jogo de ida por 2 a 0, e agora vão precisar virar o confronto jogando em La Bombonera para evitar a terceira eliminação seguida para o grande rival em mata matas da Libertadores.

Perguntada se considera o atual confronto como uma revanche, Adriene é enfática: “Sem sombra de dúvidas. Temos time para vencer e a confiança é grande. Se é revanche? Claro que sim”.Wallace pensa um pouco diferente: “Não considero revanche. Uma final é uma final. É diferente de agora. Deus me livre se perdermos para o bosteros. Mas se acontecer, será em uma semifinal e não e uma final”.

 

Filhos do mesmo bairro 

Na Argentina funciona assim: cada time tem pelo menos uma esquina para chamar de sua. O “bairro de um time” é de extrema relevância no futebol argentino. A ligação da maioria dos times argentinos com seus respectivos locais de origem é fortíssima. Isso não é diferente com os dois maiores clubes argentinos.

Tanto River Plate como o Boca Juniors surgiram no bairro de La Boca. O primeiro a ser fundado foi o River, em 1901. Quatro anos depois, nasceu o Boca Juniors, que passou automaticamente a rivalizar pelo posto de principal time da região. A rivalidade foi, de fato, se intensificar quando o River decidiu, na década de 1920, se mudar para o privilegiado bairro de Nuñez. Lá ergueu, em 1938, seu imponente estádio Monumental de Nuñez. Enquanto que o Boca permaneceu e se consolidou em La Boca, um bairro mais humilde e simples de Buenos Aires. Ali construiu a histórica La Bombonera. Um estádio menor e mais acanhado em relação ao do rival, mas que sempre foi reconhecido por ser um caldeirão.

Ao partir para uma região mais nobre da cidade, o River passou a ganhar torcedores das classes mais abastadas, o que inclusive lhe rendeu o apelido que leva até hoje: “Los Millonarios”. Criou-se ali um estereótipo de que a torcida do River seria de elite, e que os xeneizes seriam do povo, o que só acentuou a rivalidade entre as duas equipes, dando ao Superclássico um ar de “briga de classes”. Esse rótulo que ajudou a estabelecer um antagonismo entre os dois times, não é totalmente real, como explica Joza Novalis, editor do site Futebol Portenho: “É bom deixar claro que é um mito que um clube era seguido quase só pelos ricos, enquanto o outro quase só pelos pobres. Desde o princípio, a popularidade de ambos se construiu em todas as classes sociais do país. Apesar disso, certo preconceito se instituiu sobre o Boca e o bairro”.

Torcedores do River diziam que se mudaram para Nuñez devido ao mau cheiro de La Boca. De fato, o bairro por muito tempo não teve saneamento básico, e jogos em La Bombonera costumavam acusar um forte cheiro. Jogadores do River entravam em campo xeneize com seus narizes tampados. Hinchas millonarios diziam que os torcedores do rival, especialmente os de La Boca, carregavam fezes de cavalo na sola de seus sapatos e os chamavam de “los bosteros”. Apelido que a torcida do River usa como provocação até hoje, mas que xeneizes acabaram também adotando para si.

“O bairro criou os dois clubes. Depois, teve a fidelidade de um e a indiferença de outro; o que contribuiu para a rivalidade entre eles”, finaliza Joza Novalis.

 

Momentos que marcaram o Superclássico 

River Plate e Boca Juniors se enfrentaram pela primeira vez em 24 de agosto de 1913, com vitória do River por 2 a 1. Desde então, foram jogadas 382 partidas, com 135 vitórias millonarias e 133 para o lado xeneize, além de 114 empates.

Os 106 anos e quase quatro centenas de Superclássicos produziram jogos marcantes e históricos que ajudaram a consolidar River e Boca como um dos maiores clássicos do mundo. Muitos destes foram em confrontos em fases agudas de competições importantes do futebol sul-americano, como a Libertadores e Sul-Americana. Os números do clássico nesses torneios são os seguintes: pela Libertadores foram 24 partidas, com sete empates, dez triunfos do Boca e nove do River. Pela Copa Sul Americana foram dois jogos, com uma vitória do River e um empate.

 

Libertadores 1966: primeiros de muitos confrontos

Imagens do primeiro Superclássico pela Libertadores. Vitória do River por 2 a 1 em sua casa.

Foi na Libertadores de 1966 que os eternos rivais se enfrentaram pela primeira vez na competição internacional. E foram com quatro jogos de uma vez só. O primeiro dos confrontos daquele ano foi jogado no Monumental de Nuñez e vencido pelos mandantes por 2 a 1. Já na segunda partida em La Bombonera, deu Boca, com o placar de 2 a 0. Ambas partidas foram pela fase inicial, disputadas em grupos.

Os outros dois encontros foram pela segunda fase, também em grupos. Dessa vez, o Boca levou vantagem sobre seu rival. Empate fora por 2 a 2 e vitória magra em casa por 1 a 0. No entanto, o River se saiu melhor contra as outras equipes do grupo e deixou o Boca para trás, se classificando para a final contra o Peñarol, em que acabou ficando com o vice campeonato.

Foi nessa final que o River e sua hinchada passaram a ser chamados de “galinhas” devido a perda de um título quase ganho. Após abrir 2 a 0 na etapa inicial da terceira e decisiva final, o River viu o Peñarol virar a partida no segundo e o sonho da primeira Libertadores virar pesadelo e piada para os rivais.

No jogo seguinte à final, o River enfrentou o Banfield pelo Campeonato Argentino.  Torcedores rivais soltaram uma galinha branca com uma faixa vermelha remetendo ao clássico uniforme millonario como provocação à “pipocada” de dias antes. Desde então, a alcunha de galinha fez sucesso e é usada até hoje pejorativamente por rivais para se referir ao River. A torcida do River, no entanto, assim como seu rival fez com bostero, acabou adotando o apelido de gallina.

 

Libertadores 2000: virada e chocolate xeneize

Melhores momentos do jogo da volta das quartas de 2000, vencida pelo Boca por 3 a 0, após perder a ida por 2 a 1.

Em 2000, pelas quartas de final da Libertadores, outro encontro inesquecível, sobretudo para os xeneizes e em especial para Adriene: “Comecei a torcer pelo Boca em 2000. O time vinha de anos de jejum da Libertadores. Me encantei pela torcida, estádio e festa que faziam. Aqueles jogos contra o River foram surreais”.

O jejum citado por ela era de mais de 20 anos. A última vez que o Azul y Oro conquistou a América tinha sido em 1978. Durante esse período, viu de perto seu rival ganhar duas Libertadores. A primeira em 1986 e a segunda 1996. Aquele Superclássico passou então a ter contornos de chance de desempate. Até ali os dois rivais tinham o mesmo número de Libertadores conquistadas.

No jogo de ida, os comandados de Carlos Bianchi perderem no Monumental por 2 a 1, com gols de Juan Pablo Ángel e Javier Saviola. O desconto de Riquelme deu esperanças e manteve los bosteros vivos para o jogo de volta.

Era preciso apenas uma simples vitória por um gol de diferença em casa. Mas o troco veio muito mais salgado. Uma acachapante vitória xeneize por 3 a 0. Festa em La Bombonera, naquela que, segundo Joza Novalis, foi “uma das maiores partidas da carreira de Juan Román Riquelme”, autor de um dos três tentos do triunfo que manteve o Boca na Libertadores.

 

Libertadores 2004: Tevez e Abbondanzieri monumentais

“Os quatro tempos da semifinal de 2004 talvez sejam o maior Superclássico da Libertadores.”

“A memória mais feliz que tenho do Superclássico é desse confronto.”

“Um dos piores momentos como torcedor do River.”

É assim que Joza, Adriene e Wallace definem, respectivamente, o que foi a semifinal da Libertadores de 2004 entre Boca e River. Quatro anos após a dura eliminação para o maior rival, Los Millonarios tinham uma nova chance de eliminar o Boca e se vingar pelo revés anterior. Para os boquenses, era a chance de mostrar porque eram o “bicho papão” no continente naquele começo de século. Os atuais campeões da América e do mundo poderiam ir para sua quarta final em cinco anos.

Joza retrata o jogo de ida na Bombonera: “Foi confusão do início ao fim, mas também futebol de alto nível por parte das duas equipes”. Os dois lados tiveram jogadores expulsos. Marcelo Gallardo (ídolo e atual técnico riverplatense) e Ariel Gracé para o lado do River e Alfredo Cascini pelo Boca. Mas só um lado marcou. Vitória xeneize por 1 a 0. O gol de Schiavi ainda no primeiro tempo deu ao Boca a vantagem mínima para a partida na casa do River.

O melhor do confronto ficaria mesmo para o Monumental de Nuñez. Bianchi, que era um técnico mais do que acostumado a vencer matas matas da Libertadores, armou o time do Boca para esfriar o rival no primeiro tempo. Nem mesmo a inflamada torcida millonaria conseguiu aumentar a temperatura dentro da cancha. Mas, no segundo tempo, o quadro mudou logo no primeiro minuto, quando Vargas fez falta infantil em Lucho González e foi expulso. Não demorou muito para que o mesmo Lucho abrisse o placar com um belo chute de fora da área. 1 a 0 que empatava o placar agregado e deixava o River a apenas um gol da primeira final desde 1996.

A pressão do River continuou. Dentro e fora de campo, torcida e time pressionavam o Boca de Abbondanzieri que fazia importantes defesas para manter o confronto empatado. Até que, aos 39 minutos da etapa final, Sambueza foi expulso por reclamação. Em campo dez para cada lado. Momento bom para o Boca, que aproveitou e empatou o jogo minutos depois com Carlitos Tevez. A então promessa comemorou o empate que dava a vaga para final imitando uma galinha. Velha provocação aos millonarios que nasceu lá atrás em 1966. A comemoração, que rendeu expulsão à Tevez, entrou para história do clássico, e colocou o jovem Carlitos de vez na prateleira dos jogadores mais queridos da hinchada xeneize. “A imagem de Carlitos imitando uma galinha no Monumental foi espetacular. Essa imagem está gravada na minha cabeça até hoje”, relembra Adriene.

Quando Tevez foi expulso, boquenses podiam imaginar que não faria falta. Já passavam dos 45 minutos, e o jogo estava por conta dos acréscimos. Apenas quatro minutos que restavam ao River.

O silêncio do Monumental teve fim quando, no último lance do jogo, uma falta de longe foi cobrada para dentro da área e encontrou o pé do zagueiro Nasuti. River novamente na frente. Placar agregado novamente empatado. Rompido o silêncio no Monumental, que tremia de pura felicidade.

Sem a regra de desempate por gols fora de casa, o jogo foi para os pênaltis. Foi então que surgiu a estrela de Abbondanzieri. Quatro rodadas de pênaltis foram batidas todas para o gol. Para a última das cinco cobranças, o escolhido pelo River foi Maxi López. O atacante bateu no canto esquerdo e o goleiro boquense acertou o canto e defendeu o penal. O Monumental assistia calado Abbondanzieri comemorar esbravejando.

Restou a Villareal converter a última cobrança do Boca e carimbar a vaga para final, eliminando novamente seu maior rival.

 

Libertadores 2015 e 2018: Vandalismo dos dois lados e River soberano

Melhores momentos do primeiro jogo das oitavas de finais entre Boca e River pela Libertadores 2015

Depois das duas eliminações traumáticas para o maior rival, o River voltou a encontrar seu grande rival pela principal competição do continente em 2015. Um ano antes, o plantel montado por Marcelo Gallardo havia eliminado os boquenses na semifinal da Sul Americana. Tal vitória pareceu dar confiança para Muñeco e seus jogadores. Nas oitavas de final da Libertadores, o River eliminou o Boca vencendo a primeira partida em casa pelo placar mínimo de 1 a 0, e com um empate em 0 a 0 num jogo de volta que ficou marcado por não terminar devido a um ato de vandalismo da arquibancada.

Na volta do intervalo, um torcedor boquense jogou gás de pimenta para atingir os jogadores do River que caminhavam em direção ao campo. Jogo paralisado, elenco e comissão riverplatense pedindo o fim da partida. Após muita conversa, a partida foi encerrada com o placar de 0 a 0, e o Boca eliminado nos tribunais como punição pelo ato daquele torcedor.

Naquele ano, o River ainda conquistaria a América pela terceira vez. Confirmando a ascensão do clube após a queda para a segunda divisão quatro anos antes.

Scocco é auxiliado por Gallardo após sofrer com os efeitos do gás de pimenta jogado por um torcedor xeneize [Imagem: Juan Mabromata/AFP]

Quando chegaram às semifinais da Libertadores de 2018, Boca e River estavam de lados opostos no chaveamento. Pintava no horizonte o primeiro Superclássico numa final de Libertadores. Isso logo se confirmou com a passagem dos dois para a decisão. A partir dali, aquela passou a ser chamada de “maior final de Libertadores da história”, e, de fato, tinha tudo para ser. Dois dos maiores campeões da competição, que fazem o maior clássico do continente decidindo pela primeira vez a taça mais cobiçada por todos. Primeiro jogo na lendária Bombonera, e segundo no gigante Monumental. Era o que os argentinos chamaram de Final del Mundo.

Após semanas de debates e expectativa, chegou o momento da primeira das partidas. A festa azul e amarela na Bombonera, que “pulsava” como nunca, terminou em um empate em 2 a 2. Benedetto e Ábila fizeram para os mandantes, Pratto e Izquierdoz contra deixaram o placar em igualdade.

Tudo em aberto para a volta no Monumental de Nuñez. Aquele jogo que prometia ser o maior Boca e River da história não teria nem mesmo início. Muito menos um fim.

Em uma emboscada de torcedores do River, o ônibus xeneize foi recebido nos arredores do estádio com pedras e garrafas. Um desses objetos acabou quebrando a janela do ônibus e machucando membros da comissão e jogadores boquenses, além do choque emocional. Após horas de negociação, o Boca bateu o pé e decidiu não entrar em campo, naquele que devia ser um dia pautado totalmente apenas para o futebol.

Joza acredita que o episódio ocorrido ano passado foi uma vingança pelo ocorrido poucos anos antes: “O que motivou a torcida do River ao episódio do apedrejamento ao ônibus do rival foi justamente dar o troco pelo gás de pimenta de 2015. As duas equipes se encontraram várias vezes em outros torneios, mas não aconteceu nada. É como se a torcida do River tivesse forte convicção de que sua equipe voltaria a enfrentar ao rival pela Libertadores poucos anos depois”.

Nos dias e semanas seguintes, o que era para ser o debate sobre o jogo derradeiro transformou-se na discussão sobre o que fazer. O Boca não aceitava jogar no estádio do rival alegando falta de segurança. A solução encontrada pela Conmebol foi mandar um jogo para um campo neutro, até mesmo como uma punição ao River Plate. O estádio escolhido foi o Santiago Bernabéu, em Madrid, há mais de 10 mil quilômetros de Buenos Aires.

Mesmo com essa distância e o pouco tempo para planejar a ida para Madrid, a final ocorreu com um bom público. O estádio ficou dividido meio a meio, numa espécie de emulação de uma final de Champions League. Ao menos, finalmente o jogo iria ocorrer, e o alívio da Final del Mundo ser decidida em campo e não nos tribunais já era maior que a frustração de ser longe da Argentina. O Boca de Benedetto, Pavón e Nandez contra o River de Pratto, Pitty Martinez e Enzo Pérez. Promessa de grande jogo. Até que enfim.

Melhores momentos de River Plate 3 x 1 Boca Juniors, pela final da Libertadores 2018

No primeiro tempo, houve poucas chances para os dois lados. O medo de perder estampado na cara dos torcedores no Bernabéu transparecia em campo. Até que, aos 44 minutos, Nandez lançou Benedetto, que se livrou da marcação e, de frente com o goleiro, não perdoou 1 a 0 para o Boca na Espanha. Xeneizes foram para os vestiários com a sétima Libertadores na mão. “A equipe começou jogando tão bem, dominando o rival, abrindo o placar, e isso em quarenta e cinco minutos”, relembra Adriene.

Na volta do intervalo, o River melhorou e, aos 22 minutos, empatou com Lucas Pratto, após linda tabela com Nacho Fernández. Ao fim dos 90 minutos, o placar marcava 1 a 1. Justo pelo o que equipes fizeram. No primeiro minuto do tempo extra, o volante Barrios foi expulso pelo segundo cartão. Boca com um a menos. O River aproveitou a vantagem numérica e ficou a frente do marcador após belo chute de Quintero já no segundo tempo da prorrogação.

O drama xeneize só aumentou quando Gago sentiu uma lesão e teve que sair de campo. Já sem mais alterações disponíveis, o Boca terminou o jogo com 9 jogadores. Mas Superclássico é Superclássico. O Azul y Oro quase chegou a um empate épico com uma bola na trave de Jara. Mas Pitty Martinez não perdoou a falta de sorte xeneize, e, no lance seguinte, acabou com qualquer esperança ao marcar o terceiro e definitivo gol. 3 a 1 para o River. Festa millonaria em Madrid. Tristeza xeneize na Espanha.  “Foi simplesmente um dos momentos mais felizes da minha vida”, conta Wallace.

Celebração de jogadores do River com a taça da Libertadores em gramado espanhol [Imagem: Reuters]

Ainda dá para o Boca se vingar esse ano?

A rica história de confrontos internacionais entre os dois gigantes ganhará mais um capítulo esse ano. Na primeira parte, deu River Plate. Vitória segura e sem sustos por 2 a 0 em casa. Gols anotados por Borré e Ignacio Fernández. O Boca fez uma partida abaixo da crítica e teve apenas uma chance real durante todo o jogo.

Resta para o técnico Gustavo Alfaro e seus jogadores tentar uma virada improvável em La Bombonera. A aposta na força e mística do lendário estádio é o que dá esperanças para os xeneizes.

O domínio do River na primeira perna das semis chamou a atenção considerando o equilíbrio técnico de ambos os times. As duas equipes têm os dois elencos mais valorizados  das Américas, segundo dados do site Transfermarkt. Mesmo com a perda de peças importantes como Benedetto, o Boca trouxe contratações de peso, das quais destaca-se o volante italiano De Rossi, campeão do mundo em 2006 e ídolo da Roma.

Rafael Borré convertendo pênalti que abriu o placar contra o Boca no jogo de ida da semifinal desse ano [Imagem: Pablo Stefanec/Reuters]

A grande diferença que explica não somente a vitória tranquila do jogo de ida, mas também os vários triunfos em confrontos mata matas diante do Boca nos últimos anos está no banco de reservas e tem nome: Marcelo Gallardo.

O ex jogador do River e técnico millonario desde 2014 têm números expressivos no comando técnico: São 11 troféus levantados durante o período de seis anos que está a frente do River. Dentre essas conquistas estão duas Libertadores, uma Sul-Americana, três Recopas Sul-Americanas e duas Copas Argentinas.

Muñeco, que já era ídolo pelos seus feitos como jogador, se tornou quase que intocável em Nuñez. Seu controle dentro do dia-a-dia do clube ficou ainda maior, como conta Joza Novalis: “Marcelo Gallardo manda no River há um bom tempo. No início, todo jogador que ele desejava a direção do clube buscava como reforço. Atualmente, o próprio técnico faz questão de buscar apenas poucos reforços pontuais e prioriza o desenvolvimento das habilidades de seus jogadores. Ele consegue aliar grandes jogadores e sua capacidade de perceber as deficiências de seus rivais com uma proposta de jogo que resgata o melhor do futebol argentino: posse de bola com competitividade”.

Esse conceito de futebol também é bem quisto no outro lado. Os xeneizes também apreciam esse estilo de jogo. Nem mesmo a passagem super vitoriosa de Carlos Bianchi, que conquistou três Libertadores com um futebol mais reativo e menos propositivo, conseguiu mudar o modo de pensar dos torcedores do Boca. Joza complementa dizendo que, “depois da saída de Bianchi, a torcida xeneize tem rejeitado todos os técnicos que tentaram ou tentam implantar uma mesma filosofia futebolística. Após não suportarem Arruabarrena e Julio Falcioni, os torcedores do Boca detestam o atual treinador Gustavo Alfaro”.

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