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Branca Como a Neve a descobrir-se
CINÉFILOS
19 set 2019 | Por Beatriz Carneiro (beatriz.carneiro2020@gmail.com)

O longa Branca Como a Neve (Blanche Comme Neige, 2019), dirigido pela cinegrafista Anne Fontaine que já acumula obras como Agnus dei (2016), pode se considerado uma releitura em molde adulto, bem modificado, do conto Branca de neve dos irmãos Grimm. Magia, fantasia, ingenuidade, bondade, comédia, drama e erotismo perpassam ao longo de toda narrativa, envolvendo o público em um passe de mágica. 

Claire na livraria [Foto: Divulgação]

Era uma vez uma bela jovem chamada Claire (Lou de Laâge). A personagem trabalha no hotel do falecido pai administrado pela madrasta má, Maud (Isabelle Huppert). A beleza de Claire atrai o amante da Maud que despertará um ciúmes incontrolável na megera. E assim, como no conto da Branca de neve, a madrasta decide se livrar da enteada. Mas felizmente algo inusitado acontece.

O que era pra ser uma fatalidade acaba se tornando uma boa oportunidade para jovem sair do seu casulo e descobrir-se, tudo isso nos elegantes cenários franceses. Claire acaba parando em uma fazenda, residência de três rapazes, e decide ficar no vilarejo. Mais uma vez, sua beleza e bondade não passam despercebidos, motivo que fisga os olhares de sete homens com personalidades distintas trabalhadas com a mesma humanidade dos sete anões, os quais provocam reflexões a cada encontro com a protagonista, Claire. 

Ela é construída a cada cena com uma aura, alegria de vida e generosidade imensa acrescido de um toque de ousadia e vulnerabilidade. Sua jornada de autodescobrimento é de libertação romântica e carnal. Tal situação é uma oportunidade para o público se despir de julgamentos preconcebidos e não julgá-la com base em um prisma meramente moral. Se engana o espectador ao pensar que a madrasta é meramente igual a do conto. Maud é uma bruxa moderna.  

Claire e o belo jovem do vilarejo [Foto: Divulgação]

É de se notar que o cenário é uma maneira de revisitar dois arquétipos: da branca de neve e da rainha. Às maçãs vermelhas, a floresta e os animais são verdadeiros pontos de conexão que divertem o espectador fazendo-o mergulhar em uma cumplicidade com o filme. Ao reunir Claire e Maud, a diretora Anne constrói a quebra de expectativa da trajetória de ambas, conhecida no conto tradicional, inserindo tensões diferentes. A fotografia é sublime e apresenta um trabalho enorme de significados que conversa com a literatura, romance e música. Os relacionamentos com homens, a fragilidade, a velhice, o tempo e o desejo são as chaves de toda história.

Branca Como a Neve provoca risadas em momentos que o espectador não espera, provoca sintonia e nos despe de qualquer julgamento preconcebido pela sociedade moralizadora. O longa é uma boa oportunidade para conhecer à construção de personagens livres que estão à experimentar, compartilhar e à se amar. 

O lançamento do filme será dia 19 de setembro, confira o trailer

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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