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Combinando leveza e complexidade, Brincando com Fogo consegue levar a família inteira ao cinema
CINÉFILOS
13 dez 2019 | Por Marina Faleiro Caiado (marinafcaiado@usp.br)

Todo final de ano é mais ou menos igual, com as crianças de férias e vários filmes infantis passando nos cinemas. Desenhos animados, comédias de natal com criancinhas e filmes com cachorros falantes são clássicos dessa época do ano. À primeira vista, o longa Brincando com Fogo parece ser apenas mais um clichê pastelão que se juntaria a esse conjunto, mas acaba surpreendendo com boas atuações e um enredo bastante complexo, que em 1h36min consegue entregar comédia, drama, ação e até uma infeliz dose de romance.

A trama gira em torno de um grupo de bombeiros-paraquedistas, profissionais especialmente treinados para o combate de incêndios florestais, que pousam de paraquedas em terrenos remotos para conter o fogo. Certo dia, a equipe precisa lidar com um incêndio em uma cabana e o episódio acaba se tornando um resgate, quando três crianças são descobertas dentro da casa: Brynn (Brianna Hildebrand), Will (Christian Convery) e Zoey (Finley Rose Slater). 

A partir daí, a equipe de bombeiros precisa se virar para cuidar das crianças, cujos pais estavam viajando, já que pela lei eles são responsáveis pelos menores resgatados até que sejam devolvidos aos tutores legais. Em meio a isso, o superintendente Jake Carson (John Cena), chefe da equipe, precisa lidar com várias questões pessoais, como sua infância difícil, a morte de seu pai, uma promoção importante no trabalho e seu romance com a bióloga Dra. Amy (Judy Greer).

Jake é muito focado em seu trabalho e pensa que cuidar das crianças será um obstáculo para conseguir a promoção que almeja, mas está muito enganado. O tempo que ele e seus colegas vivem com esses três pestinhas é essencial para fortalecê-los como equipe e para que Jake encontre respostas para suas questões internas. Assim, ele descobre que não precisa ser sempre perfeito em seu trabalho e aprende a apreciar outros aspectos de sua vida. 

Aos poucos, Jake consegue se conectar com as crianças e viver a vida de uma maneira mais leve [Imagem: Doane
Gregory. Reprodução/Paramount Pictures]

Apenas com esse breve resumo da história, é possível  perceber que o filme aborda questões muito mais profundas do que mostra o trailer ou a sinopse, por exemplo. A comédia, é claro, predomina durante toda a narrativa, mas são elementos como drama e ação que ajudam a construir esse enredo genial, com uma boa sequência de acontecimentos e um ritmo coerente. Isso faz com que o longa não se perca em um conjunto de piadas sem sentido e chegue a algum lugar, o que é bom principalmente para os adultos que forem assistir ao filme. 

Outra coisa que impressiona é a maneira leve como essas questões mais delicadas são abordadas, até mesmo por tratar-se de uma comédia. Brincando com Fogo pode até arrancar algumas lágrimas dos corações mais amanteigados, mas não deixa as coisas complexas demais para a compreensão das crianças, o que faz com que o filme entregue a proposta de divertir toda a família.

Até mesmo os tipos de humor presentes no longa constroem essa ideia de diversão para todos. Desde as situações mais esdrúxulas e absurdas até piadas mais inteligentes, construídas por meio do contraste entre as gerações que convivem na história, o filme consegue fazer todos rirem com seu humor em um estilo mais teatral. Apesar disso, em alguns momentos, a atuação parece forçada demais mesmo para uma comédia pastelão, o que decepciona um pouco e pode deixar parte do público com uma leve sensação de vergonha alheia.  

Outro ponto decepcionante é o papel feminino da Dra. Amy, a única mulher adulta da trama. Apesar de existir, por exemplo, uma cena em que a personagem confronta Jake sobre questões de gênero, quando ele pede ajuda a ela para cuidar das crianças, isso não apaga a função dela na narrativa, que é basicamente a de formar um par romântico com o protagonista. O romance criado entre os dois não é ruim, mas talvez a exclusão dessa personagem feminina fosse a melhor opção, fazendo com que a história simplesmente assumisse ser focada em um grupo de homens e suas questões, ao invés de inserir uma mulher em um papel tão decorativo e machista. 

O casal Jake e Amy, que nunca consegue um momento a sós na história. Fofo, mas completamente dispensável [Imagem: Reprodução/Paramount Pictures]

Contrastando com isso, a irmã mais velha das crianças, Brynn, assume um papel um pouco mais significativo e maduro, sempre protegendo e cuidando de seus irmãos. Brianna Hildebrand consegue roubar a cena dando um show de atuação, o que não é fácil estando junto a tantos bons atores de comédia. A atriz mostra ao público emoções reais e molda uma personalidade cativante à sua personagem, que pode emocionar o público. Os demais personagens também são bastante cativantes e únicos, como por exemplo o “Machado” (Tyler Mane), homem que não fala e sempre carrega um machado para todo o canto, e que no desenrolar da história, acaba tornando-se melhor amigo da criança mais nova, Zoey.

No mais, o longa é bastante divertido e conta com várias referências atuais que caracterizam bem o ano no qual o filme foi lançado, incluindo uma trilha sonora bem animada e temática. Sim, todas as músicas têm alguma relação com fogo, calor ou incêndios, o que deixará tudo ainda mais cômico para os ouvidos mais atentos da sala de cinema.

Brincando com Fogo não é perfeito, mas consegue entregar o que promete e um pouco mais, unindo clichês adoráveis e a originalidade de trazer para as telas uma profissão quase desconhecida. Esse que era para ser apenas mais um filme sobre machões que têm seus corações amolecidos por criancinhas, pode cativar bastante o público e, de fato, levar a família toda para o cinema nessas férias, rendendo boas risadas para todos os tipos de humor.

Brincando com Fogo estreou no dia 12 dezembro. Confira o trailer:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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