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Bungo Stray Dogs: Dead Apple, um anime com ação, Literatura e Filosofia
CINÉFILOS
25 ago 2018 | Por Jornalismo Júnior

 

ATENÇÃO: A resenha a seguir contém spoilers. Clique no trecho borrado para revelá-los.

Bungo Stray Dogs: Dead Apple (2018) é uma adaptação cinematográfica da série de mangás Bungo Stray Dogs, escrita por Kafka Asagiri e ilustrada por Sango Harukawa. Apesar de dialogar com informações contidas nos quadrinhos e no anime, o qual possui 25 episódios, o longa busca oferecer o aparato necessário ao telespectador.

Observa-se esse mecanismo explicativo já no início, quando ocorre uma introdução que apresenta o conflito central do filme. Além de situar a oposição entre a Agência de Detetives Armados e a Máfia. Em uma abertura com trilha sonora característica de animações japonesas, as personagens são apresentadas: nome, idade e poder. Contudo, o espectador não habituado com a série pode ter dificuldades de memorizar o nome e a fisionomia de cada personagem.

Os intrigantes casos de suicídio

A questão que preocupa os membros da agência é o fato de que alguns indivíduos com poderes ao redor do mundo foram estranhamente vítimas de suicídio e sempre havia uma névoa no local da ocorrência.

Os investigadores têm Tatsuhiko Shibusawa, o Colecionador, como principal suspeito, que logo se confirma como, de fato, autor dos crimes. Em referência à história da Branca de Neve, em tese, a causa das mortes seria uma maçã envenenada (dead apple).

No entanto, a chave dos suicídios eram os próprios poderes das vítimas. É como se esses poderes sobrenaturais se rebelassem contra quem os detinha. Só poderia sobreviver aquele que conseguisse subjugar o próprio poder. Apenas os três agentes em ação foram capazes de lutar contra seus poderes e dominá-los, unindo-se em uma incrível batalha final contra o Colecionador.

 

Os três agentes que lutaram contras seus poderes. (Imagem: Divulgação)

A profunda ligação com a Literatura

A série toda possui uma estreita relação com grandes nomes da Literatura mundial. Os nomes das personagens sempre são autores ou personagens de obras consagradas. No longa, em um ponto essencial do enredo, está o memorável livro Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski. Sendo Fiódor um personagem de BSD e seu poder chamado de “crime e castigo”.

O vínculo com clássicos da Literatura mundial. (Imagem: Divulgação)

Essas referências literárias são essenciais para compreender a história, pois falar de BSD é falar de referências à Literatura. Tal característica é própria da série de mangá. Não é necessário ter lido todos os livros, mas conhecer esses autores no amplo cenário das Letras é essencial para apreciar melhor o enredo apresentado, pois há um apelo intertextual muito forte. Inclusive, o conhecimento literário auxilia na compreensão das personalidades das personagens e de suas decisões.

Questões humanas e uma crítica às decisões internacionais

Ainda, vale ressaltar o quanto Bungo Stray Dogs: Dead Apple trata, por debaixo da pele, de temas existenciais. A reafirmação de situações de solidão, tédio e apelo à memória são uma constante dentro da obra cinematográfica. Um dos protagonistas, Atsushi Nakajima, possui um recorrente conflito interno em que tenta provar seu valor, para si e para os outros.

Por fim, enquanto os detetives da Agência ainda não tinham conseguido a vitória , a equivalente britânica da Agência tomou a decisão de incinerar Yokohama, a cidade em que se passa a história. Quando ficou definido que não seria necessário, a representante da Grã-Bretanha lamenta, já que sempre era um prazer queimar um país. O comentário sádico indicou uma ironia crítica para tratar do Ocidente.

Um bom entretenimento para amantes de animes e com boas cenas de combate, Bungo Stray Dogs: Dead Apple estará nas telas do cinema dia 25 de agosto, com duração de 90 minutos e classificação etária de 14 anos.

Confira o trailer:

por Tainah Ramos
tainahramos@usp.br

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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