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Campo Grande: bom enredo, má execução
CINÉFILOS
20 maio 2016 | Por Jornalismo Júnior

por Lucas Almeida
almeidalucas1206@gmail.com

Quando duas crianças são abandonadas na porta de sua casa, a vida de Regina começa a sofrer diversas mudanças, mesclando metáforas e realismo na cidade do Rio de Janeiro. Campo Grande (2015) pode lembrar Central do Brasil (1998) pela trama e pela tentativa de mostrar as relações de uma sociedade nos desdobramentos da sua história, mas falha. Com problemas no roteiro e na execução, a produção deixa a desejar em aspectos primordiais.

A diretora e roteirista carioca, Sandra Kogut, mostra o seu potencial na telona, em um filme com falas profundas e reflexões sobre o caos da cidade grande e as diferenças de classe evidentes nela. Paisagens cobertas por tapumes, caixas de mudanças e ruídos de obras são constantes durante o longa, revelando muito mais do que a situação da metrópole brasileira atualmente, são também um reflexo do momento de vida das personagens.

Campo Grande- Bom enredo, má execução 1

O contraste entre a protagonista Regina (Carla Ribas), que mora em um apartamento em Ipanema, e as crianças de Campo Grande, uma região carente e afastada da cidade, representa a divisão social do país e critica as classes mais abastadas, que tentam delimitar ainda mais os espaços da capital.

A produção peca em pontos que comprometem a imersão do expectador na obra. Enquanto cenas que ajudariam a deixar o longa coerente e linear são suprimidas, como um verdadeiro diálogo com a protagonista sobre o que deveria ser feito com as crianças. Há diversas passagens desnecessárias e que poderiam facilmente ser descartadas, a exemplo de uma música tocada no piano durante um longo tempo, um clichê no cinema, que não acrescenta grande significado para a trama. Informações que são deixadas como subentendidas dificultam a identificação com algumas personagens e faz questionar se os seus atos realmente têm sentido no contexto da história.

Campo Grande- Bom enredo, má execução 2

Um quesito que deve ser ressaltado é a exaltação do poder feminino no filme. Carla Ribas desempenha uma atuação tocante e todo o rumo da história é definido por mulheres, fugindo do padrão machista presente no cinema, que vem sendo discutido e desconstruído cada vez mais.
Campo Grande tem ideias pretensiosas e mostra uma produção com um alto potencial, mas erra em sua realização, deixando alguns aspectos vagos. O filme estreia no dia 2 de junho nos cinemas.

Confira o trailer:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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