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Cantar é pouco – Eles querem mais
CINÉFILOS
25 set 2013 | Por Jornalismo Júnior

Por Victória Pimentel
vic.pimentel.oliveira@gmail.com

É muito difícil encontrar um artista que se contenta em fazer uma coisa só. Há sempre aquele pintor que também é escultor, aquele ator que brinca de diretor, aquele cantor que também gosta de dançar. São inúmeras as combinações. Um caso bastante comum é o daquele cantor ou cantora que resolve se arriscar nas telonas. Às vezes dá certo, às vezes não. De qualquer modo, pensar em exemplos conhecidos não é uma tarefa complicada.

Já na década de 40, a voz do cantor Frank Sinatra, dava o ar da graça no cinema norteamericano. Sua primeira aparição foi no musical Noites de Rumba (Las Vegas Nights, 1941). No início de sua carreira, Sinatra atuou principalmente em musicais – já que assim poderia alavancar seu sucesso como cantor. Uma de suas participações mais famosas neste gênero é em Um Dia em Nova Iorque (On The Town, 1949), em que contracena com Gene Kelly – ator de Cantando na Chuva (Singin’ In The Rain, 1952). Originalmente uma peça musical da Broadway, Um Dia em Nova Iorque se tornou muito famosa por ter como tema o clássico New York, New York.

Posteriormente, Frank Sinatra começou a se aventurar em romances e dramas no cinema. Ficou famoso por sua atuação nos longas O Homem com o Braço de Ouro (The Man with the Golden Arm, 1955) – pelo qual foi nomeado ao Oscar de Melhor Ator – e A Um Passo Da Eternidade (From Here to Eternity, 1953), filme que conta a história de três soldados em uma base do exército americano no Havaí às vésperas do ataque de Pearl Harbor e que concedeu a Sinatra um Oscar como Melhor Ator Coadjuvante. Apesar de se destacar mais nos palcos do que no que no cinema, apareceu em mais de cinquenta filmes e teve uma carreira muito bem sucedida como ator.

Outro que fez as moças suspirarem dentro e fora do cinema foi o rei do rock, Elvis Presley. No auge de sua carreira musical, Elvis investiu no seu talento como ator. Estrelou produções como Love Me Tender (1956) e a chamada ‘’trilogia rebelde’’ – na qual interpreta personagens um tanto conflituosos – A Mulher Que Eu Amo (Loving You, 1957), Prisioneiro do Rock (Jailhouse Rock, 1957) e Balada Sangrenta (King Creole, 1958). É do longa Prisioneiro do Rock – em que Elvis interpreta um jovem preso injustamente e que após ser libertado, parte para a carreira artística rumo ao sucesso – a conhecida cena em que o cantor dança na prisão, considerada por muitos o primeiro videoclipe da história.

Após passagem pelo exército, Elvis viveu, entre 1960 e 1965, seu apogeu como ator. Seus filmes eram um grande sucesso no mundo inteiro e, mesmo que os roteiros deixassem a desejar, sua performance era bastante elogiada. Versátil, arriscou-se em diferentes gêneros, entre eles faroeste, drama e musical. O romance Amor À Toda Velocidade (Viva Las Vegas, 1964), no qual Elvis interpreta um jovem piloto que sonha em disputar uma corrida em Las Vegas, é considerado um dos melhores momentos de sua carreira.

Elvis - Viva Las Vegas

Elvis em cena de Amor À Toda Velocidade com a atriz Ann-Margret, seu par romântico

Falando sobre os anos 60, época em que o cinema era um grande divulgador das estrelas do rock, deixar de citar de Beatles é um pecado. Em 1964, o quarteto inglês, em meio à euforia da beatlemania, lança Os Reis do Iê, Iê, Iê (A Hard Day’s Night, 1964). O filme conta a história dos quatro membros do grupo – John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Star – tentando tocar em um programa de televisão em Londres. O longa procura, inclusive, retratar o que era a beatlemania, sem se tornar um documentário. Foi muito bem recebido pela crítica e é considerado um clássico cult.

Os Beatles ainda lançaram mais quatro filmes: Help! (Idem, 1965), Magical Mystery Tour (Idem, 1967), a animação Yellow Submarine (Idem, 1968) e um filme-documentário, Let It Be (Idem, 1970), que procurava retratar como era o processo de ensaios e gravações de um disco. Let It Be arrebatou um Grammy de Melhor Trilha Sonora e um Oscar de Melhor Canção Original.

Muitos não sabem, mas o icônico cantor David Bowie também passeou pelos caminhos da arte dramática. Sua carreira como ator se iniciou paralelamente a sua carreira como cantor, em 1967. Seu primeiro grande papel, porém, veio apenas em 1976 com o filme O Homem que Caiu na Terra (The Man Who Fell to Earth, 1976), no qual interpretava Thomas Jerome Newton, um alienígena. Na Broadway, nos anos 1980 e 1981, fez o papel principal de O Homem Elefante, peça pela qual recebeu muitos elogios por sua atuação bastante expressiva.

Em 1986, Bowie estrelou o fantástico Labirinto – A Magia do Tempo (Labyrinth, 1986). O filme conta a história de uma menina que precisa resgatar seu irmão de um reino de goblins, cujo rei, Jareth, é interpretado pelo cantor. Ele também participou de produções de grandes diretores, como Martin Scorcese, em A Última Tentação de Cristo (The Last Temptation of Christ, 1988), e David Lynch, em Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer (Twin Peaks: Fire Walk With Me, 1992). Mais recentemente, em 2006, David Bowie representou Nikola Tesla no longa O Grande Truque (The Prestige) – dirigido por Christopher Nolan – que conta a história de uma disputa pelo melhor truque de ilusão entre dois mágicos, interpretados por Christian Bale e Hugh Jackman.

David - Labyrinth

Bowie, como o extraordinário rei dos goblins, em Labirinto – A Magia do Tempo

A ala feminina também não deixa a desejar. São inúmeras as cantoras de peso que também se destacaram como atrizes. A diva do pop, Madonna, é uma delas. Inicialmente cantora e dançarina, Madonna começou sua carreira como atriz no início dos anos 80, fazendo participações que impulsionariam, sobretudo, sua carreira musical – principalmente através do lançamento de singles nas trilhas sonoras dos filmes. Em 1990, contracenou com nomes de peso como Warren Beatty, Al Pacino e Dustin Hoffman na aventura Dick Tracy (Idem) – dirigida também por Beatty. O filme conquistou um Oscar de Melhor Canção Original, pela música Sooner Or Later, cantada por Madonna.

Apesar de ter participado de uma série de produções bastante criticadas, Madonna se destacou ao protagonizar o musical biográfico Evita (Idem, 1996), dando vida a personagem título. Interpretar Eva Perón sempre foi um desejo da cantora. Assim, após garantir o papel, Madonna fez treinamentos vocais e aprendeu sobre a história da Argentina. O drama foi aclamado pela crítica e ainda concedeu a Madonna um Globo de Ouro como Melhor Atriz em Filme Musical ou Comédia. A cantora ainda fez uma ponta em 007 – Um Novo Dia Para Morrer (Die Another Day, 2002), interpretando Verity, uma instrutora de esgrima. Foi ela também que gravou a música tema do filme.

Beyoncé é outra cantora que não se contentou com o sucesso apenas nos palcos. Após fazer parte do grupo Destiny’s Child, a cantora não perdeu tempo e investiu em sua trajetória como atriz ao mesmo tempo em que se lançava em carreira solo. Participou de filmes como Austin Powers em O Homem do Membro de Ouro (Austin Powers in Goldmember, 2002) e o remake de A Pantera Cor de Rosa (The Pink Panther, 2006). No entanto, seus melhores desempenhos foram nos dramas musicais Dreamgirls – Em Busca de Um Sonho (Dreamgirls, 2006) e Cadillac Records (Idem, 2008). Dreamgirls, baseado na criação da gravadora Motown Records, conta com várias referências a artistas dos anos 60 e 70, em especial o grupo feminino The Supremes. No filme, Beyoncé interpreta Deena Jones – personagem que corresponderia à Diana Ross – e contracena com Jamie Foxx, Eddie Murphy e Jennifer Hudson. Em Cadillac Records – que, por sua vez, conta a história da música entre os anos 40 e 60 – Beyoncé se consagra, dando vida à cantora Etta James.

Beyoncé em cena de Dreamgirls – Em Busca de Um Sonho

Justin Timberlake é mais um cantor que decidiu tentar o sucesso nas telas de cinema. E não só tentou como conseguiu. Quando fazia parte da boyband N’Sync, Justin já se destacava. Em 2002, deu início a sua carreira solo. Apenas dois anos depois, já conquistava seus primeiros papéis. A partir de então, Justin não parou. Estrelou em longas como Alpha Dog (Idem, 2006) e O Guru do Amor (The Love Guru, 2008). Suas grandes performances, porém, se deram em seus filmes mais recentes, como no elogiado A Rede Social (The Social Network, 2010) e na comédia romântica Amizade Colorida (Friends With Benefits, 2011).

É impossível enumerar todos os cantores que um dia resolveram se dedicar à carreira de ator. O universo da arte parece ser ilimitado e não nos resta muito além de acompanhar a trajetória destes cantores e esperar que eles nos surpreendam como atores do mesmo modo que nos encantam com sua música.

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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