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Caráter universal de “Tenho 11 anos” agrada todas as idades
CINÉFILOS
31 out 2012 | Por Jornalismo Júnior

Tenho 11 anos (I am eleven. 2011.) é um documentário inusitado. Iniciativa de uma única mulher, a própria
diretora Genevieve Bailey – que é também a produtora, ‘câmera girl’ e editora do projeto -, o filme mostra um período crucial na vida das pessoas: a transição da infância para adolescência.

Após a morte do pai, a moça passou por um por um período muito difícil: enfrentou a depressão. Então resolveu viajar o mundo tentando resgatar o que significa ter onze anos – para ela, é a idade mais significativa dessa transição – e averiguar se, hoje em dia, as crianças que estão em tal período têm o mesmo perfil que pensava ter as crianças de sua geração. Durante sete anos, com pouca verba, e usando, ao longo desse tempo, cinco câmeras distintas, Genevieve fez um documentário com jovens de 15 países, rico em histórias que retratam cotidianos, línguas e culturas diversificados e que, claramente, tornaram-se parte importante de sua vida.

Baseado em entrevistas, o documentário aborda assuntos que vão do universo infantil, com perguntas do tipo “o que você quer ser como crescer?” e “você gosta da sua escola?”, até questões que afetam o universo de todos os indivíduos, independentemente da idade, como o amor e a guerra. É curioso notar que, mesmo em diferentes partes do mundo, muitas das opiniões entre as crianças são similares, como a ideia de que todos são iguais e de que todos que têm 11 anos ao redor do mundo possuem certo vínculo, por possuírem a mesma idade.

A guerra é outro exemplo desse compartilhamento: é tida como cruel e não é entendida pelo mundo infantil do ponto ‘humano’: “Como seres humanos podem matar uns aos outros? É simplesmente cruel”, diz uma menina; por outro lado, é surpreendente como eles entendem tal fenômeno do ponto de vista lógico. “A guerra existe porque os humanos buscam poder.”, diz o personagem francês, que faz reflexões bastante avançadas: “nós chegamos ao mundo matando uns aos outros e vamos sair dele fazendo isso”, continua.

Durante o documentário, percebe-se que Genevieve Bailey e empenhou-se em ter um grande trabalho de integração com as crianças. As imagens captadas mostram que ela realmente fizeram parte do cotidiano deles para conseguir as imagens que retratou. Além disso, os jovens mostram-se bastante confortáveis perante a câmera e as perguntas apresentadas – algumas vezes no formato off. Nos minutos finais do filme, algumas cenas mostram a diretora interagindo com as crianças em uma relação de amizade, o que comprova verdadeiro envolvimento entre as partes. Outra prova desse vínculo é que ela buscou, anos depois, adentrar novamente na vida dessas crianças para saber o que havia acontecido a elas.

Adotando o esquema de entrevistas, a diretora consegue dar energia ao documentário e em nenhum momento ele chega a ser cansativo. Ao intercalar pequenos takes com personagens de diferentes partes do mundo, unindo-os de acordo com o assunto abordado, o filme se torna mais dinâmico. Outro artifício usado é a mescla entre os tipos de filmagens feitas; ora a câmera aparece fixa no momento da entrevista, ora a voz do entrevistado está em over, ao mesmo tempo em que ele aparece fazendo ações de seu cotidiano.

O documentário deu origem ao projeto online, uma espécie de rede social, e ambos tratam do que significa ter onze anos hoje em dia, o que termina por traçar um verdadeiro panorama dessa geração de jovens.

O filme teve duas exibições na 36ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e, quem ainda não viu terá a oportunidade de ver nesta quarta-feira (31/ 10), na sala 1 da Livraria Cultura, às 21h45.

Por Luiza Fernandes
luizafc00@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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