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Mais do mesmo: O Chamado do Mal não inova
CINÉFILOS
07 dez 2018 | Por Jornalismo Júnior

Ao longo dos anos, diversos filmes com o intuito de assustar o espectador foram fazendo fama e criando legiões de fãs. Brinquedo Assassino (Child’s Play, 1988), Atividade Paranormal (Paranormal Activity, 2007) e Sexta Feira 13 (Friday the 13th, 1980) são alguns bons exemplos de obras que ganharam sequências e fizeram fama por todo o mundo. Estes filmes precedem os estereótipos tradicionais que vemos atualmente no cinema, e que aparecem muito em O Chamado do Mal (2018).

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A história do filme não traz nenhuma grande novidade para quem já está habituado com narrativas de terror. Tudo se inicia com a mudança do casal Adam e Lisa para o campo, devido ao novo emprego de Adam, que irá lecionar aulas de matemática numa faculdade próxima. A casa é bem maior do que os dois precisam, ainda que a família esteja prestes a aumentar.

Ao chegar em casa, eles se deparam com um presente de Becky, irmã de Lisa. Dentro do embrulho havia uma pequena caixa da fertilidade. Inicialmente o professor não consegue abri-la, mas pouco tempo depois sua esposa abre o pequeno objeto de madeira e não encontra nada dentro.

As coisas começam a ficar estranhas quando Lisa sai para correr em um bosque e começa a escutar uma mulher chorando. Ao se aproximar, encontra uma mulher toda ensanguentada e suja, que a avisa que seu bebê já não lhe pertence mais e que em breve todos passarão a ter medo dela. Assustada, Lisa volta correndo para casa, e poucas horas depois é encontrada por seu marido ensanguentada no quarto onde estava montado o berço.

No hospital, a mulher descobre que, além de perder o bebê, também havia perdido a capacidade de engravidar novamente. A situação piora ainda mais quando volta para casa: começa a ver e ouvir passos de criança. Adam decide conversar com seu superior, Dr. Clark, que além de matemático também é especialista em assuntos paranormais.

Clark chega a conclusão de que uma entidade havia saído da caixa e possuído o espírito da filha de Lisa. Mãe e filha estariam conectadas para sempre, e a tendência era que, com o passar do tempo, Lisa começasse a proteger a entidade. O doutor então decide posicionar escutas por toda a casa para se comunicar com a criatura. O personagem interpretado por Delroy Lindo é mais um dos estereótipos clássicos: o cego que possui conhecimentos sobre seres naturais e consegue sentir sua presença.

o chamado do mal 02

Entidade toma forma da filha de Lisa em diversas idades. Foto: Reprodução

Neste ponto do filme também fica bem evidente o confronto entre a racionalidade de Adam, professor de matemática, e a superstição de sua esposa e de seu chefe. Com o decorrer da narrativa, o professor vai cedendo após as diversas aparições em sua casa. Este embate entre o racional e o sobrenatural talvez seja o diferencial de uma narrativa um tanto quanto saturada.

Além do roteiro pouco inovador, são raros os momentos em que o espectador realmente se assusta. O mistério é o que realmente se sobressai na história, e dos poucos momentos em que se pula da cadeira, uma boa parte é devido aos típicos raios e trovões de temporais que perpassam todo o filme. As diversas aparições da entidade poderiam ter sido melhor combinadas com efeitos sonoros para realmente arrepiar o público. As poucas ocasiões em que houve esta combinação, o resultado foi realmente horrorizante.

Outro problema é que o início é extremamente prolongado e cansativo, e a ação demora a tomar conta. Isso conclui para um fechamento às pressas da narrativa que deixa alguns pontos em aberto. Além disso, prejudica o desenvolvimento de Lisa enquanto protetora da entidade: sua transformação não é total e acaba de forma repentina, menosprezando uma personagem que poderia contribuir muito para criar o clima de terror.

Ainda que O Chamado do Mal  conte com produtores de obras muito criativas, como Shaun Redick, que esteve na produção de Corra! (Get Out, 2017), falta ousadia e imaginação no longa. Para quem está habituado no universo dos filmes de terror, o filme dirigido por Michael Winnick é uma grande repetição de outros roteiros. Não bastasse isso, ainda falha em entregar uma obra realmente amedrontadora.

O Chamado do Mal já está em cartaz nos cinemas pelo país. Confira o trailer:

por André Netto
andrenetto82005@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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