Home Lançamentos Com enredo fraco, animação Uma família feliz erra por subestimar público infantil
Com enredo fraco, animação Uma família feliz erra por subestimar público infantil
CINÉFILOS
18 ago 2017 | Por Jornalismo Júnior

De modo geral, animações costumam ser vistas com olhos tortos pelo grande público, colocadas numa categoria de filmes não muito levados a sério. “Filme infantil”, para quem pensa dessa maneira, é sinônimo de filme bobo, sem nada de interessante para ninguém acima de certa idade. Alguns longas, como o brasileiro O Menino e o Mundo (2013), por exemplo, rebatem essa visão, com histórias boas e força o suficiente para agradar tanto aos mais novos quanto aos mais velhos. Outros, como infelizmente é o caso de Uma Família Feliz (2017), apenas a reforçam.

Uma família feliz

Dirigido pelo alemão Holger Tappe, o filme é sobre a história de Emma Wishbone (na versão brasileira, dublada por Juliana Paes), uma mulher um tanto desastrada, mãe de dois filhos e com um marido pateta, que vive descontente com a relação familiar. Um dia, por engano, ela conhece o vampiro Drácula, que cria uma paixão obsessiva por ela e passa a persegui-la. Seu plano para conseguir capturar Emma é enviar a bruxa malvada Baba Yaga para transformá-la em vampira. Entretanto, a bruxa acaba por transformar toda a família de Emma em monstros, e eles precisam encontrá-la novamente para reverter o feitiço.

Num primeiro momento, a trama até parece interessante, e os personagens, simpáticos. Isto, entretanto, não dura mais do que quinze ou vinte minutos, e logo o roteiro se mostra inconsistente e, ao que parece, sem qualquer ambição de ser algo além de descartável. Por um motivo um bocado esdrúxulo, a bruxa Baba Yaga foge para Londres, e é para lá que os Whishbones devem seguir para encontrá-la – não fica explícito em que lugar o filme se passa, mas é com certeza longe da Inglaterra, já que os personagens pegam um avião para ir até lá, com cara de monstros e tudo. Acontece que a bruxa não sabe usar sua magia direito, e por isso não consegue chegar de uma vez ao seu destino, tornando a perseguição ainda mais complicada.

Uma família feliz

Daí para a frente, o filme cai num erro comum entre obras voltadas para o público infantil: subestimar a capacidade de pensar das crianças. Apoiando-se em situações absurdas mesmo para a mundo de fantasia que tem como plano de fundo, o enredo abusa de “licenças poéticas” até tornar-se ridículo. Boa parte das piadas simplesmente não funciona, e, não bastando isso, são repetidas à exaustão.

Ainda que relativamente bem realizado no que diz respeito ao aspecto visual, repleto de brincadeiras com a câmera e com direito a cenas de objetos voando em direção à plateia (justificando o lançamento em 3D), Uma família feliz não consegue ser mais do que um filme dispensável e que será esquecido pouco após os espectadores deixarem a sala de cinema. Sem dúvida alguma, as crianças merecem algo melhor.

Uma Família Feliz chegou aos cinemas no dia 17 de agosto. Assista ao trailer:

por Matheus Souza
souzamatheusmss@gmail.com 

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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