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CINÉFILOS
28 jul 2009 | Por Jornalismo Júnior

Rafael Ciscati

No documentário Coração Vagabundo, o estreante Fernando Grostein Andrade decidiu acompanhar Caetano Veloso na turnê do disco A Foreign Sound,álbum apenas com composições em inglês.E o novo repertório de Caetano combina com o cenário internacional pelo qual o cantor flana livremente, esteja em Nova York ou Tóquio, sempre seguido de perto pela câmera. O projeto original previa que o filme fosse um extra de DVD. Como extra, estaria acima da média. Como longa, apesar de delicioso (é impossível não gostar de Caetano cantando Brasil Pandeiro, dando novo ritmo aos É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem. Novos Baianos), é inevitável a sensação de que faltou substância nessa mistura.

Verdade seja dita, Fernando sabe para onde apontar suas lentes: o filme é esteticamente bem alinhado. Que o digam as cenas gravadas nos metrôs do mundo inteiro, brincando com uma espécie de lirismo brejeiro. O mesmo vale para passagens como aquela em que o cantor e David Byrne, dois macacos velhos, se contorcem de expectativa nos bastidores do Carnegie Hall. Tudo isso pretende compor um retrato do artista. Ou melhor, um retrato do artista em épocas atuais, tal qual ele estava quando o longa foi rodado, entre 2003 e 2005. “Caetano Veloso significa Caetano Veludo” explica o próprio, enquanto fala de tudo mais que lhe vem à mente, de religião à música (!).

E fala muito de si mesmo, claro. Mas nesse ponto é importante tomar cuidado, pois o baiano não entrega a intimidade de bandeja, como a famigerada cena de nudez (já tantas vezes comentada), pode levar a crer: “Estou triste da minha vida pessoal, íntima, e isso não se fala”.

A personalidade que Fernando nos apresenta já é nossa conhecida. Pode ser encontrada no blog do cantor ou nas entrevistas dos jornais. O que falta ao documentário é perspectiva histórica, e o diretor quase admite essa falha quando, nos primeiros minutos, faz a tela ainda escura ser acompanhada pelo discurso irado de Caetano durante o Terceiro Festival Internacional da Canção. Na ocasião, a platéia deu às contas ao palco onde ele e os Mutantes tocavam “É proibido proibir”. Os Mutantes, em resposta, tocaram de costas para a platéia. Mas o assunto morre por aí, segundos depois estamos no século XXI. Ninguém é convidado a falar sobre esse passado, como também quase ninguém interrompe o monólogo do músico, que se desenrola até o final da película.

Nesse contexto, as festejadas aparições de Almodóvar e Antonioni parecem mal aproveitadas. Soam como acréscimos presunçosos a um filme que, paradoxalmente, se diz despretensioso.

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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