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Comédia romântica sem comédia e sem romance
CINÉFILOS
14 nov 2018 | Por Jornalismo Júnior
Um Segredo em Paris

(Imagem: Pagu Pictures)

Completo silêncio. É assim que começa o filme Um Segredo em Paris (Drôles d’oiseaux, 2017). Começamos acompanhando a monótona vida de Mavie (Lolita Chammah), uma jovem aspirante a escritora que se mudou para a capital francesa em busca de novos ares. Desempregada, sua rotina consiste em passar as tardes em um café, escrevendo e tentando lidar com sua companheira de apartamento, extremamente barulhenta e inconveniente. Assim é a vida da protagonista e o filme passa longos minutos sem nenhuma fala sequer, apenas sons ambientes.

A impressão que se tem é que o ritmo do filme mudará e que a monotonia é um tom escolhido apenas para representar a rotina da moça, porém o filme continua tendo um aspecto silencioso. A trama se dá quando Mavie vê um anúncio de emprego e começa a trabalhar em uma livraria. Lá ela conhece Georges (Jean Sorel), um senhor rabugento e mal-humorado. Por algum motivo, ele oferece uma casa para a jovem, que se muda para ter a tranquila vida que sonha longe de sua amiga.

Da convivência de Mavie com o misantropo surge um romance em que em nenhum momento se concretiza. Ela começa a escrever sobre os dois e a história começa a se perder a partir desse ponto. Diálogos de Mavie e Georges são narrados enquanto ela escreve e o espectador fica sem entender se as conversas realmente aconteceram ou se é apenas imaginação da escritora. O filme se passa dessa forma, mostrando a convivência dos dois, os olhares profundos e um amor que não acontece.

Ao assistir o trailer, dá-se a sensação de que o filme terá longas pitadas de comédia, ironia e que a personagem será a personificação da mulher tímida e desastrada, mas não é o que acontece. O tom de comédia poucas vezes aparece no filme e quando aparece, não soa com naturalidade e não dá a fluidez esperada. Mesmo em momentos de piadas, a trama continua cansativa e densa.

Um Segredo em Paris

(Imagem: Pagu Pictures)

O segredo, que dá nome ao filme, é de Georges e isso faz com que o casal se separe. Porém, faltam detalhes que expliquem este segredo e a partida do senhor não causa grande efeito na trama, já que por muitas vezes ele acaba sendo uma imaginação de Mavie; é um filme cansativo por não ter ação e o drama é pouco explorado. O espectador fica perdido com a mensagem que o romance tenta passar, não se compreende se ele não é vivido pela diferença de idade dos amantes ou se ele ao menos é real.

O filme estreia dia 15 de novembro nos cinemas! Confira o trailer:

por Júlia Vieira
juliavcamargo@live.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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