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Como recuperar 12 anos em três dias
CINÉFILOS
14 maio 2014 | Por Jornalismo Júnior

por Ana Luisa Abdalla
anita.m.abdalla@gmail.com

Nos primeiros cinco minutos do filme A Recompensa (Dom Hemingway, 2013) vemos Jude Law em foco na câmera, fazendo uma espécie de ode ao seu próprio orgão sexual. É assim que somos apresentados ao personagem Dom Hemingway, interpretado por Law. E, como acabaremos descobrindo, é uma boa premissa da personalidade de Dom: absolutamente excêntrico, o modo como fala, com palavras exageradamente formais, como se comporta e até como executa seu trabalho – de arrombador de cofres.   Com um azar que em alguns momentos até faz com que torcemos por ele e um comportamento socialmente inaceitável, Law consegue, com sua ótima atuação, fazer com que o filme se torne divertido, apesar do enredo não ser muito cativante.

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O diretor, Richard Shepard, não é novato no quesito personagens exóticos no ramo da comédia, tendo sido ganhador do Emmy de Melhor Direção pelo seriado Ugly Betty (2006-2010). No elenco temos ainda o indicado ao Framboesa de Ouro por seu papel em O Falcão está a solta (Hudson Hawk, 1991), Richard E. Grant, e a incrível Emilia Clarke, que estamos acostumados a ver envolta de dragões graças a sua personagem Daenerys Targaryen na famosa série de televisão Game of Thrones, da HBO. Grant entra em cena como o melhor amigo, Dickie, aguentando os monólogos e os momentos inesperados de fúria de Dom. Já Emilia faz o papel da filha que Dom não vê desde que foi preso. Abandonada e cheia de rancor, é um dos elos que nos lembram da humanidade que ainda há no personagem.

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Embora o título do filme em português, A Recompensa, seja um belo spoiler do que esperar do enredo, ele demora a se desenrolar. As primeiras cenas mostram consequências de uma história que ainda não conhecemos, mas que vai aos poucos se encaixando. Dom, prestes a sair da cadeia depois de 12 anos, só pensa em ir atrás do homem que acobertou quando foi preso, para buscar uma compensação por tudo que ele perdeu durante todos esses anos. E tudo que ele quer é dinheiro. Muito dinheiro. Pelos menos a princípio.

O clímax da trama é bastante clichê, porém inegavelmente cativante. A figura de Dom, que teria tudo pra ser repugnante, acaba ganhando nossa compaixão. Ter perdido toda a infância da filha, é o suficiente para abalar o coração dos mais sentimentais. Ele ganha de vez nossa simpatia e torcida, ainda mais quando descobrimos que enquanto ele estava na cadeia a esposa teve câncer e não sobreviveu. A busca por reconquistar a filha e por se reconectar com sua própria vida, após uma sequência de acontecimentos que quase o fazem desistir de tudo, consegue, mesmo que por breves momentos, prender a atenção.

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Alcoólatra, viciado em sexo, inconstante e explosivo. Jude Law quebra seu estigma de galã e nos encanta justamente sendo oposto do que você já viu o ator fazendo nas telonas. A trajetória do profano Dom só se torna agradável porque é interpretada pela pessoa certa, valendo os quase 100 minutos de filme.

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