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Como Ser Solteira: os sozinhos de Nova York
CINÉFILOS
24 fev 2016 | Por Jornalismo Júnior

por Helena Mega
helenamega8@gmail.com

Em uma Nova York onde tudo são baladas com muito álcool, gente bonita, música pop e o Natal é iluminado pela árvore do Rockefeller Center, a fórmula de Como Ser Solteira (How to Be Single, 2016) segue a de filmes como Idas e Vindas do Amor (Valentine’s Day, 2010) e, principalmente, de Noite de Ano Novo (New Year’s Eve, 2011), ambientado na mesma metrópole.

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São diversos núcleos de personagens que se interlaçam conforme for conveniente, adicionando várias histórias a uma só. As cenas do começo, no entanto, pulam de um ambiente para o outro e fica difícil saber caso se passaram dois dias ou duas semanas. A partir de então, o óbvio e o não-tão-óbvio-assim passam a acontecer, mas nada muito longe de um Sex And The City.

Baseado no livro homônimo da mesma autora de Ele Não Está Tão a Fim de Você, também adaptado para o cinema (He’s Just Not That Into You, 2009), todos os personagens da trama estão solteiros no longa Como Ser Solteira, em uma cidade com mais de 8 milhões de habitantes. Não deveria haver, então, pelo menos uma pessoa certa para cada uma? Ou por que não várias? Estes são alguns dos cálculos apresentados logo no início do filme em um diálogo, claramente falhos, afinal a matemática não é aplicada a relacionamentos, como bem nos ensinam as comédias românticas.

Alice (Dakota Johnson) está dando uma pausa em seu namoro de quatro anos quando conhece sua nova colega de trabalho, Robin (Rebel Wilson), para quem estar solteira é um estilo de vida. Com a influência da amiga, Alice inicia um período de grande curtição, mas não demora a descobrir que o que busca, na realidade, é estar em sintonia com si própria antes de encarar o mundo que a envolve, pois chega à conclusão de que viveu muito tempo afastada de si.

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Meg (Leslie Mann) é a irmã de Alice. Médica workaholic, ela tem o sonho da maternidade e, aparentemente, mais medo de namorar um cara mais jovem que ela mesma do que dar à luz a um bebê. Por último, há Lucy (Alison Brie), a solteira que vive atrás da tela de um computador procurando em sites o relacionamento que não tem, refém eterna do sinal de wi-fi.

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Desse modo, percebe-se que as mulheres roubam a cena do filme, mas isso não quer dizer que a tradução do título não pudesse ser  “Como Ser Solteiros”, englobando ambos os gêneros. Tom (Anders Holm) é um solteirão por opção que dorme com diversas mulheres diferentes. Ken (Jake Lacy) é o romântico mal compreendido, e David (Damon Wayans Jr.), o pai que vive com o trauma de ter perdido sua esposa. A verdade exposta no filme, no entanto, é que eles podem carregar o status da solterice com muito mais conforto do que o sexo oposto.

Assim, ao mesmo tempo em que o filme diz que é “ok” estar solteiro ou solteira, mostrando que ninguém tem a obrigação de estar envolvido com outro alguém o tempo todo, ele ainda mostra como, na condição de mulher, Lucy, por exemplo, sente vergonha de contar para sua amiga, quem está comemorando o noivado, que, diferente dela, não está comprometida com ninguém, como se isso fizesse dela uma “perdedora”.

Apesar disso (e dos diálogos superficiais), o longa deixa um recado mais do que importante para o sexo feminino: de uma forma geral, Como Ser Solteira não é exatamente sobre não estar em um relacionamento com alguém, mas sim sobre estar comprometida consigo mesma. É sobre reconhecer que sim, você pode precisar de ajuda para abrir o zíper das costas e conseguir sair de seu vestido. É também sobre poder admitir que criar um filho sozinha não é tarefa fácil, ainda que você seja uma mulher independente. É sobre, ainda, não se desvalorizar por nada disso, mas sim se autoconhecer para dizer “não” quando for preciso e “sim” quando der vontade.

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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