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Conexão Escobar: a dose certa de tensão e ação
CINÉFILOS
10 ago 2016 | Por Jornalismo Júnior

por Luis Henrique Franco
luligot17@gmail.com

Filmes com a temática da máfia, da investigação e do tráfico de drogas já são velhos conhecidos do cinema americano, quase sempre trazendo o mesmo enredo e roteiro, com poucas surpresas no caminho. Mesmo assim, deve-se reconhecer quando um longa desse gênero é bem feito, e esse é o caso de Conexão Escobar (The Infiltrator, 2016).

Em meados da década de 1980, o Cartel de Medellín, sob a liderança de Pablo Escobar, controla uma gigantesca rede de contrabando de cocaína para os Estados Unidos através de contatos na Flórida. Diante da enorme ocorrência do tráfico dentro do país, o Serviço de Alfândega envia o agente especial Robert Mazur (Bryan Cranston) para se infiltrar no mundo dos chefões dessa máfia e desmascarar suas operações. Ao lado de seus companheiros, os agentes Emir Abreu (John Leguizamo) e Kathy Ertz (Diane Kruger), Mazur percebe que a melhor forma de combater o tráfico de drogas é atacar as operações de lavagem de dinheiro dos traficantes. Atuando como Bob Musella, um empreendedor que deseja entrar para o negócio do crime, o agente vai ganhando a confiança dos chefões e homens de confiança ligados a Escobar, ao mesmo tempo que coleta provas para incriminá-los e luta para manter seu disfarce enquanto tenta preservar sua família unida.

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Robert Mazur e Kathy Ertz fingem ser noivos como disfarce para ganhar a confiança de um dos contatos de Escobar.

Embora possua uma história um pouco batida e, em alguns pontos, previsível, o filme surpreende pela maneira como monta o enredo e o andamento das cenas. Com um começo um pouco lento, onde se cria uma breve introdução ao tema a ser tratado, a trama se desenrola e se torna mais densa à medida que os personagens adentram no mundo da máfia. O suspense permanece com o espectador durante toda a história. Seja nos momentos em que Mazur é seguido pelas ruas ou quando o disfarce dos personagens é ameaçado por alguém que descobre seus segredos, a expectativa de que a qualquer momento o jogo vai virar e a operação será destruída permanece até a cena final. O relacionamento entre os protagonistas é essencial para esse clima de tensão, principalmente nos conflitos familiares de Mazur com sua esposa, que deseja que seu marido se aposente logo do serviço. As relações de confiança estabelecidas tornam-se uma das palavras-chave do filme, quer seja a relação entre os agentes, nem sempre confiáveis, ou entre eles e os traficantes. Chega-se a tal ponto que uma verdadeira amizade é criada entre Mazur e um dos homens de Escobar, Roberto Alcaino (Benjamin Bratt).

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A relação entre Alcaino e Mazur é tão fortemente construída que chega-se a acreditar na amizade de ambos.

As atuações também são extremamente profissionais. Bryan Cranston é o homem da vez, moldando as emoções e atitudes de seu personagem com genialidade, mas o resto do elenco também tem grandes momentos de brilho. Diane Kruger e Benjamin Bratt mantêm atuações fortes durante todo o longa, e John Leguizamo incorpora totalmente seu personagem, roubando a cena em muitos momentos do filme.

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O personagem de John Leguizamo, o agente Emir Abreu, é uma das figuras mais chamativas do filme.

Existem momentos de ação, mas são o suspense e a investigação policial que dominam. As cenas de tiroteio são o estopim de tudo isso, o momento em que a tensão é tão grande que o tiro assusta e paralisa, ofuscando a previsibilidade do roteiro, comum a esse tipo de gênero.

Conexão Escobar estreia no Brasil no dia 11 de agosto. Assista ao trailer:

https://www.youtube.com/watch?v=AhZD8qZDG7c&feature=youtu.be

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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