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Cool Hunters: O imenso mundo das tendências
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06 maio 2015 | Por Jornalismo Júnior

Já imaginaram como seria identificar dentro desse caldeirão de coisas do cotidiano tudo aquilo que se repete? Tudo o que se mantém? E principalmente, tudo aquilo que se inova? A profissão de Cool Hunter ou, em português, “Caçador de Tendências”, procura responder todas essas questões e perceber o que o consumidor quer encontrar quando vai às compras, o que ele tem vontade de ver nas  vitrines das lojas.

Atualmente o consumidor se vê mergulhado numa quantidade imensa de informações. As vitrines, tanto físicas quanto virtuais, oferecem uma quantidade e uma variedade enorme de produtos para serem escolhidos, principalmente quando falamos do universo da moda. Nesse cenário, a função do Cool Hunting é a de detectar no comportamento do consumidor o que o dicionário Aurélio define como “ Ação ou força pela qual um corpo tende a mover-se para alguma parte;”, ou seja, a tendência. E o profissional da área procura realizar a pesquisa para encontrá-la com material coletado em viagens, entrevistas, fotografias etc.

Para entender um pouco mais sobre essa área, o Sala 33 entrevistou o profissional Bruno Pompeo, que é Cool Hunter e coordenador do curso de mesmo nome no Instituto Europeu di Design. Ele é formado em Publicidade e Propaganda pela ECA/USP e foi convidado para nos ajudar a esclarecer algumas questões, que vão do surgimento da profissão até as dificuldades encontradas pelos Cool Hunters no seu dia a dia.

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A função do Cool Hunter é a de detectar tendências no mundo da moda. Foto: Catarina Silva Ferreira.

Como Surgiu?

O exemplo usado por Bruno para explicar o cenário de surgimento da profissão está na complexidade que o consumidor adquiriu, principalmente durante a virada do século. O cenário pós anos 2000 trouxe à  tona inúmeros fatores, que colocaram em foco os avanços tecnológicos conquistados em anos anteriores. Pompeu afirma que a humanidade está sempre permeada por algumas questões que atuam como uma espécie de vontade cíclica inerente a cada ser, e procuram descobrir o que acontecerá consigo no futuro, seja ele próximo ou distante. Essas questões somadas às inovações fizeram com que outros profissionais que atuavam como uma espécie de “ancestrais” dos Cool hunters fossem se especializando cada vez mais, e que as empresas procurassem esses profissionais para alcançar de forma mais eficiente o consumidor que se tornava cada vez mais complexo, devido à quantidade de informação ao seu redor.

Como o Cool Hunter pesquisa?

A pesquisa feita pelo profissional vai além dos holofotes, como passarelas, propagandas, grandes exposições, etc. Sobre isso, Bruno afirma que “a atividade de Cool Hunting faz parte de um panorama maior, a pesquisa de tendências. Esta procura identificar pontos como ‘o que inova’, ‘o que se mantém’ e ‘o que se repete’ dentro do comportamento do consumidor.” Nesse aspecto, a profissão sempre esteve muito ligada ao ramo de moda e design, nos quais tenta trazer aquilo que é conceitual e diferente para a ótica do comprador, atuando como uma ponte entre as idéias, estilos, marcas, disposições mercadológicas e o interesse cotidiano das empresas, de eficiência.

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Foto: Catarina Silva Ferreira.

Usando não somente as estratégias convencionais, mas observando também o comportamento populacional como um todo, monitorando notícias e seus impactos, observando movimentos culturais e sempre buscando indícios de como tudo isso afeta o consumidor. E tendo em vista também que o comprador está sempre em busca de manter sua singularidade e de identificar-se com o produto que busca.

Ele também exemplifica uma questão importante dentro da atividade, o olhar apurado que o profissional deve ter ao identificar algo que lhe chame atenção. Bruno nos traz esse exemplo pela figura de um pesquisador que ao viajar para Berlim, encontra um prédio com um design totalmente inovador, iluminado com LEDs, projeções, imagens etc. Nesse caso, afirma ele que cabe ao Cool Hunter responder questões como: O que isso significa para o consumo brasileiro? Como essa ideia se adapta ao mercado nacional? Como ela seria recebida, dadas as diferenças culturais? O consumidor brasileiro se identificaria com tal construção”? E aplicar, cada uma das conclusões vindas desse raciocínio numa estratégia de mercado.

Cool Hunting X Pesquisa de Mercado

Ao ouvir o termo “pesquisa de tendências”, é muito simples e quase intuitivo relacioná-lo ao trabalho de marketing realizado por inúmeras empresas. Porém, entre as duas atividades existem diferenças significativas. O Cool Hunter Bruno nos explica que “normalmente, o setor de marketing trabalha com pesquisas muito bem definidas, estruturas bem marcadas e rígidas, procurando aspectos específicos, o que torna essa pesquisa “pesada” de certa forma. Enquanto o Cool Hunting trabalha com uma maior liberdade de abordagens, trabalhando muitas vezes com imagens e nuances comportamentais, o que trás uma “leveza” à pesquisa, contrapondo-a à atividade do Marqueteiro”.

Ele também afirma que, hoje, a maioria das empresas procura um equilíbrio entre a abordagem do marketing e a do Cool hunting na hora de definir suas diretrizes, para que possam atender melhor o consumidor. “Atualmente, grande parte das empresas procura uma aproximação entre as duas abordagens, conquistando uma “visão panorâmica” do mercado. Esse comportamento pode ser observado por empresas como o Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), que destinou um setor para pesquisa sobre inovação”.

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O profissional precisa de um olhar apurado ao identificar algo que o atraia. Foto: Catarina Silva Ferreira.

O imenso mundo das tendências

O olhar sensível, a percepção de padrões, a observação do comportamento humano, a procura por novidades, a busca pelo que é singular e inovador… São esses e muitos outros fatores que influem em como o consumidor age, e não devem fugir aos olhos do pesquisador atento. No mundo das tendências, o papel dos Cool Hunters, é de identificar aquilo que inspira as pessoas na hora de escolher um produto que os agrade e indicar similaridades, o que nesse contexto age como uma complementação qualitativa do estudo do consumo como um todo, e também auxilia na satisfação do comprador quando vê nas lojas algo com que se sinta identificado.

*Imagem da Capa: Nikki Farquharson

Por Catarina Silva Ferreira
catarina.ferreirasilvs@gmail.com

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