Home Lançamentos Keanu Reeves “brinca de Deus” em Cópias
Keanu Reeves “brinca de Deus” em Cópias
CINÉFILOS
16 abr 2019 | Por Cinéfilos

Por Pedro Lobo
pcostalobo@gmail.com

CópiasDe Volta à Vida (Replicas, 2019) se trata das escolhas de William Foster (Keanu Reeves), neurocientista e pesquisador rico, bem sucedido, que ao ver a situação fugir de seu controle decide “brincar de Deus”. Através da clonagem, a morte de sua família torna-se algo reversível, a distância de apenas um algoritmo. Como sua esposa Mona (Alice Eve) diz, a ciência fez com que Will perdesse a distinção entre o bem e o mau. Afinal, quem disse que cabe a ele decidir quem vive e quem morre?

Questionamento poderoso, mas para por aí. O papel da ficção científica é, por meio da fantasia de tecnologias inovadoras, inteligências artificiais e novos planetas, explorar questões humanas, a reação do homem e de seus princípios diante do avançar da ciência. No entanto, o filme de Jeffrey Nachmanoff não ergue o debate, não questiona os caminhos tomados pelo protagonista, fazendo da premissa inicial o melhor que tem a oferecer.

Keanu Reeves, astro de Matrix, faz valer o renome: a atuação é competente, a melhor do filme. Consegue driblar até a direção fraquinha, o que não fazem os demais atores. Alice, excelente em Star Trek: Além da Escuridão, aqui é bem inexpressiva. Thomas Middleditch, que interpreta o alívio cômico Ed Whittle, não emplaca uma piada, deslocado numa história em que o humor não cabe. Soa forçado.

No longa, Ed Whittle é “o braço direito” de William Foster [Imagem: Replicas Holdings, LLC]

Para o resto do elenco, sobram algumas caricaturas, frutos de um roteiro cheio de clichês. Os arquétipos vão surgindo, as viradas vão acontecendo, e a aparência é de algo genérico, até mesmo preguiçoso em criar algo novo. Tem chefe malvado, traição, até o nome da obra eles falam em dado momento.

Ao final, a trama volta-se para um terceiro ato de filme de ação: perseguição de carro, tiros, se havia alguma perspectiva de discussão do tema, ela acaba aí.

É quando o baixo orçamento é escancarado, a computação gráfica é ruim, mas o diretor não tem medo de mostrá-la –o problema não é fazer um sci-fi com pouca grana, porém é nessas situações que a criatividade deveria surgir (não surge) – fica a impressão de que todo o dinheiro foi para a contratação do ator principal.

Os últimos minutos são surpreendentes. Uma atmosfera de final feliz na praia, bem novelesco, quase um comercial de margarina. Termina-se com gancho para sequência. É até engraçado que depois de tantos trancos e barrancos, cogite-se dar continuidade à essa trama.

O longa tem estreia prevista para o dia 18 de abril no Brasil. Confira o trailer:

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
VOLTAR PARA HOME
DEIXE SEU COMENTÁRIO
Nome*
E-mail*
Facebook
Comentário*