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Netflix | ‘A Barraca do Beijo 3’ e a despedida do romance clichê adolescente

Apesar de final inesperado, o filme exagera na quantidade de tramas e insiste nos erros já cometidos ao longo da franquia

CINÉFILOS
26 ago 2021 | Por Adrielly Kilryann (adriellykilryann@usp.br)

Um dos grandes queridinhos da Netflix finalmente chegou ao fim. A Barraca do Beijo 3 (The Kissing Booth 3, 2021) marca o tão requisitado, por bem ou por mal, término da jornada de Elle (Joey King).  

Depois de ser aceita em duas das melhores universidades dos Estados Unidos (com uma carta de motivação totalmente genérica, diga-se de passagem), Elle mantém a mentira de que na verdade ficou na lista de espera. Dividida entre ir para Berkeley ao lado de seu melhor amigo Lee (Joel Courtney) ou estudar e morar em Harvard com seu namorado Noah (Jacob Elordi), ela tenta ganhar tempo durante as férias de verão para tomar a sua decisão.

Após os pais de Noah e Lee terem dito que venderiam a sua casa de praia em poucas semanas, os meninos, Elle e Rachel (Meganne Young) decidem passar as férias ali, com o intuito de terem o melhor verão de todos antes de irem para a faculdade. Para isso, a protagonista e o seu melhor amigo tentam realizar todos os itens de uma lista que fizeram quando crianças.

Em vários pontos, A Barraca do Beijo 3 repete a fórmula dos dois primeiros da trilogia, e essa nova lista exemplifica bem isso. Com uma montagem de cenas que vão desde paraquedismo e nado com tubarões até competição de sumô, os personagens realizam feitos consideravelmente absurdos para cumprir o novo objetivo, mas dignos de uma comédia romântica adolescente.

 

Elle, uma mulher branca de cabelos castanhos e vestindo uma blusa colorida, segura um papel pardo com anotações coloridas da lista

Elle e a lista de afazeres que criou com Lee quando crianças. [Imagem: Divulgação/Netflix]

O maior problema (além do CGI péssimo presente em boa parte das cenas) é o roteiro, mais especificamente os diálogos, o ritmo, a quantidade de acontecimentos e a evolução dos personagens. A história, e isso não é novidade, parece mais uma fanfic não muito bem escrita, cheia de frases de efeito que têm o poder de estragar até as cenas que não são ruins, e, além disso, tantas coisas acontecem ao mesmo tempo na vida da protagonista que ela própria revela se sentir sobrecarregada. O problema é que não é só ela quem se sente dessa forma.

Enquanto assistia, imaginei que o filme já estivesse acabando e levei um susto ao ver que ainda faltavam 50 minutos para o término, pois já haviam sido apresentadas questões suficientes para um longa-metragem completo. Não fazia ideia de como a história se desenvolveria a partir dali, já que o grande conflito de Elle em escolher qual universidade se matricular é resolvido logo ao início da história. Até mesmo as atividades que realiza com Lee para cumprir a lista não são muito bem exploradas (com exceção da cena em que estão em uma corrida de kart fantasiados como personagens de Mário, que é divertida).

Na verdade, o que acontece é uma sucessão de tramas paralelas que não acrescentam em muito e que inclusive tentam repetir os arcos das obras anteriores. O retorno de Marco (Taylor Perez) serve apenas para reviver o triângulo amoroso que envolve a protagonista, mas sem a mesma relevância de A Barraca do Beijo 2 (The Kissing Booth, 2020), e a volta de Chloe (Maisie Richardson-Sellers) não faz muita diferença mesmo com uma tentativa de aprofundar a personagem. 

No entanto o filme ficou mais suportável e interessante ao explorar mais o processo, ainda que lento, de autoconhecimento e amadurecimento de Elle. Embora ainda lidasse com os mesmos conflitos de universidade, relacionamento, amizade e família, ela passa a não se comportar como uma criança birrenta de 8 anos, ao contrário de seu amigo Lee, e a não agir como uma namorada totalmente insegura e instável do mesmo jeito que Noah. Ainda que cometesse erros típicos de uma pessoa em processo de transição, afinal, não se pode exigir absoluta maturidade de alguém que acabou de sair do ensino médio, Elle se difere de seus amigos ao demonstrar o mínimo de noção de empatia e de reflexão sobre suas próprias atitudes.

 

Elle, usando uma camisa branca e segurando uma rosa vermelha, e Noah, vestindo uma camisa azul, dançam colados e encaram um ao outro.

O romance de Elle e Noah, embora marque sua presença, não é o ponto central da história. [Imagem: Divulgação/Netflix]

O final, apesar de dividir opiniões, foi uma escolha mais inteligente embora não inovadora. Ao mostrar o futuro dos protagonistas e deixar em aberto o romance de Elle e Noah, o filme foge um pouco da regra habitual de “felizes para sempre” e reforça a ideia do amadurecimento, o que é um ponto positivo se levarmos em conta todo o lento processo de desenvolvimento dos personagens.

Mesmo com toda a vergonha alheia e com o fortalecimento da ideia de que os recrutadores de universidades como Harvard, Berkeley e USC não são muito criteriosos quanto à seleção de alunos, A Barraca do Beijo 3 consegue, ainda que lentamente, conceder um desfecho razoável à trilogia. Poderia ser pior.

Nota do Cinéfilo: 2 de 5, Ruim!

 

A Barraca do Beijo 3 está disponível para os assinantes da Netflix. Confira o trailer legendado: 

*Imagem da capa: Divulgação/Netflix

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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