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Da aparente contradição
CINÉFILOS
05 out 2008 | Por Jornalismo Júnior

Márcia Scapaticio

O início do filme Caos Calmo: um salvamento e uma morte, acenando para o que não se sabe, apenas para o que se sente e se deverá viver. A decisão de Pietro (Nanni Moretti, também um dos responsáveis pelo roteiro), não foi a de um mero isolamento, sua atitude demonstrou uma tentativa de adequação à outra realidade que o aguardava e, o principal, a de uma nova realidade para sua filha Claudia (Blu di Martino), criança responsável pela construção de cenas singelas. A personagem dispõe de uma fala decidida, comportamento oposto ao de seu pai.

Toda a narrativa se desenvolve mediante ao olhar revigorado de Pietro sobre a sua trajetória; em tal processo o humor perpassa as cenas, dando uma leveza à temática desenvolvida pelo diretor Antonello Grimaldi.

Ao criar uma nova rotina, Pietro revê sua vida através de aspectos factuais e os ordena em uma lista, como se assim fosse possível ordenar o próprio caos interno, oposto à calma necessária para dar continuidade a seu caminho e ajudar Claudia a construir o seu. De modo indireto, suas atitudes influenciam as atitudes dos outros personagens, os quais se confrontam, também, a um processo de questionamento e reconstrução.

Destacam-se nos aspectos técnicos, além da construção da história, sua primorosa fotografia e trilha sonora, esta última que proporciona ao filme momentos de renovação, de um certo frescor, quando a narrativa se mostra um pouco lenta. Através da canção une-se o olhar do espectador ao olhar da personagem. Ambos compartilham da calma, dessa nova forma de lidar com os acontecimentos perante aos limites do contemporâneo; de qual maneira devemos sentir e nos confrontar com a dor, com o sentimento da falta, mais do que com o sentimento da perda.

Caos Calmo se faz  ver e mostra ao que veio, bem como outros filmes da recente produção cinematográfica italiana, a qual desperta e merece atenção, como, por exemplo, Meu irmão é filho único, de Daniele Luchetti. Aos italianos não se reverencie, apenas, o mágico Fellini, mas também os que o seguiram e, munidos de inspiração, realizam um cinema primoroso.

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