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Da Baixada para a história: o quinteto que conquistou o Brasil
ARQUIBANCADA
07 dez 2020 | Por Gabriel Guerra (gabriel_guerra@usp.br) e Rodrigo Tammaro (rodrigotammaro@usp.br)

O capitão pega a taça e se junta ao restante do time para erguer o troféu. Contagem regressiva: 5, 4, 3, 2, 1….. É PENTA!!!!! Para os mais jovens, essa descrição faz alusão ao pentacampeonato mundial da seleção brasileira. Mas bem antes de 2002, uma outra equipe, também considerada como uma grande seleção, levantou o caneco pela quinta vez. Há 55 anos, o Santos tornava-se pentacampeão brasileiro de forma consecutiva.


O caminho até 65

O Santos foi fundado no dia 4 de abril de 1912. Desde então, o alvinegro praiano construiu uma das maiores salas de troféus do futebol brasileiro, o que faz com que o clube seja apontado por muitos como o maior do país. A categoria de berço do Pelé também coloca o Santos em uma prateleira especial, já que não é todo dia que um clube revela o Rei do futebol. O elenco da década de 1960 e o caminhão de taças vencidas no período foram cruciais na consolidação do clube como um dos principais no cenário nacional, mas a trajetória santista dos anos 60 começou a ser construída muito antes.

Após algumas oscilações naturais para um clube recém-formado, o Santos conquistou seu primeiro título de expressão em 1935, ao vencer o Campeonato Paulista. O clube passou novamente por um período de seca, apesar de alguns bons resultados e vices campeonatos, e protagonizou aquilo que ficou conhecido como excursão Norte/Nordeste na década de 1940 – uma série de viagens para as regiões do Brasil pouco frequentadas pelos clubes do Sudeste.

Já na década de 1950, o clube deu início a uma trajetória gloriosa. O bicampeonato paulista de 1955-56 foi importante para o time, mas o grande divisor de águas na história santista foi outro: a chegada do garoto Edson Arantes, de 15 anos. Sob os pés de Pelé e José Macia, o Pepe, outro grande nome da história santista, o clube conquistou novamente o paulista, em 1958, após a incrível marca de 143 gols marcados naquela campanha. Ainda deu tempo de vencer mais um paulista e o torneio Rio-São Paulo antes de dar início à supremacia santista da década de 1960.

Elenco santista campeão brasileiro

Elenco santista campeão brasileiro [Imagem: Reprodução/Acervo Santos FC]

E, na primeira metade dos anos 60, o Santos foi o “papa títulos” do futebol nacional. Nos cinco primeiros anos, a equipe levantou 25 canecos. Entre eles estão títulos da Libertadores, Mundial Interclubes, Campeonato Paulista e o pentacampeonato brasileiro.


O penta com o quinteto, ataque mágico do Santos em 1965

Os torcedores que acompanharam as últimas décadas do futebol nacional conseguem listar ataques que desequilibraram o futebol brasileiro. Bebeto e Romário, em 1994. Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo, em 2002. Mais recentemente, o ataque ofensivo do Flamengo de 2019, campeão da Libertadores, com Gabigol, Bruno Henrique e Arrascaeta. E, para os  torcedores mais jovens do Santos, há quem cite o “quarteto santástico” com Neymar, Robinho, Ganso e André. 

Porém, há 55 anos o “quinteto mágico” marcava história no Santos. O ataque composto por Coutinho, Dorval, Mengálvio, Pelé e Pepe assombrava o mundo e os adversários com sua efetividade e conquistas. Em entrevista ao Esporte Espetacular, o ex-atacante Pepe, segundo maior artilheiro da história santista, comenta que os adversários “desciam a serra rezando” antes de enfrentarem a equipe da baixada. 

Em termos estatísticos, a equipe de 1965 fica na sexta colocação em números de gols na história santista. Quem comenta sobre é Wesley Miranda, idealizador e fundador da ASSOPHIS (Associação dos Pesquisadores e Historiadores do Santos FC):  “Falando dessa geração, o ano de 1959 – ano que o Santos ficou como vice-campeão brasileiro ao ser derrotado pelo Bahia – é o recordista mundial de gols com 342. O ataque de 1965 fica apenas na sexta colocação da história do Santos com 240 gols”. 

Vale ressaltar que o “quinteto mágico” compõe o elenco santista desde 1960, com a contratação de Mengálvio, último a chegar ao time. Portanto, do top 6 ataques santista, o elenco de 1965 faz-se presente três vezes no ranking, em 61 e 62.

Além disso, o entrosamento entre os atletas era outro ponto de destaque, como lembra Wesley: “Eles literalmente cresceram juntos, muitos deles já confessaram que o entrosamento era tão grande que eles se entendiam e combinavam jogadas por olhares”.


A trajetória de 1965 

Notícia sobre o pentacampeonato santista

Notícia sobre o pentacampeonato santista [Imagem: Reprodução/Acervo Santos FC]

O Santos entrou na Taça Brasil, competição equivalente ao Campeonato Brasileiro, apenas nas semifinais. Naquele contexto, os campeões estaduais participavam da competição e os considerados mais fortes disputavam as fases finais, por isso a equipe da baixada começou o torneio após as quartas. 

E, já na estreia, um clássico: Santos e Palmeiras. Dois jogos, ida e volta, e um total de oito gols. A equipe santista se classificou após vencer por 4 a 2 em casa, com três gols de Toninho e um de Abel, e arrancar o empate de 1 a 1 na volta, com gol de Pelé. 

Hora das finais. A disputa estava entre a região sudeste, mais especificamente Rio-São Paulo. Na final tínhamos Santos e Vasco. Normalmente, em finais, os jogos são mais equilibrados e de poucos gols, mas o “quinteto mágico” de 1965 fugia aos padrões tradicionais do futebol. Já de cara, em São Paulo, a equipe aplicou uma goleada de 5 a 1 – foram dois gols de Dorval e Toninho e um de Coutinho. Para sacramentar a conquista, na volta, com gol do craque Pelé, o Santos venceu e tornou-se pentacampeão brasileiro.


A seca

No final da década de 60, a equipe santista ainda se consagrou como hexacampeão brasileiro, através do Torneio Roberto Gomes Peixoto. Entretanto, o Santos só foi levantar o caneco de campeão nacional novamente após 34 anos, em 2002, que contava com os jovens Diego e Robinho. 

Wesley aponta um possível caminho que explique a seca de brasileiros do time após os anos 60: “O Santos não aproveitou a sua fase áurea adquirindo patrimônios, até mesmo porque a grande fortuna que entrava das excursões servia para a manutenção de grandes jogadores e aquisição de novos para a melhoria do plantel […] Durante anos a camisa e a tradição ‘jogavam’ pelo Santos, mas os problemas administrativos foram enormes”.


A polêmica do fax

Os cinco títulos do Santos levantam uma polêmica que é discutida até hoje. Isso porque esses títulos passaram a ser reconhecidos como campeonato brasileiro somente em 2010, quando a CBF igualou a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa como conquistas nacionais. Com isso, em 2010 o Santos passou a ser considerado octacampeão brasileiro, sendo que seis desses troféus foram vencidos na década de 1960.

Apesar das críticas dos rivais, que chamam as conquistas de “fax” por terem sido reconhecidas após decisão judicial, Wesley chama atenção para a importância dessa medida: “Foi uma justiça ao futebol brasileiro. Independentemente do nome e do formato, era o único campeonato nacional que se disputava. Quantos aos rivais, todos tiveram as mesmas chances, até tentaram ao menos chegar na disputa nacional, mas sucumbiram. A provocação faz parte do futebol, ainda mais da parte que perde, vão sempre tentar desqualificar a vitória do rival”. 

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