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Da narcolepsia ao Sidney Magal
CINÉFILOS
02 out 2013 | Por Jornalismo Júnior

Por Stella Bonici
stebonici@gmail.com

Já ouviu falar em narcolepsia canina? Porque, sim, ela existe e é a característica mais marcante do cachorro Guto (Duffy), o “filho doente” do casal Zoé (Leandra Leal) e Deco (Bruno Gagliasso) no filme Mato sem Cachorro (Brasil, 2013). E o que faz um cachorro narcoléptico? Em situações de stress, ele entra em um estado de sono profundo, despertando depois de algum tempo.

Foi graças a essa doença que Deco e Zoé se uniram. Após Deco quase ter atropelado Guto, quando este ainda era filhote, o cachorro teve uma crise de narcolepsia e desmaiou, parecendo estar morto. Dessa maneira, as pessoas que viram o acidente começaram a culpar Deco, criando um ambiente de algazarra e confusão. Zoé, que passava pela rua e viu a cena, foi até o centro do caos e tomou as rédeas da situação, ajudando Deco a manter sua integridade intacta, e ajudando Guto a encontrar uma nova família. Começa, então, a história de amor dos protagonistas em meio a beijos, pelos e lambidas.

Mas, como o filme é uma comédia romântica, e em toda comédia romântica o mocinho perde a mocinha para depois ter que reconquistá-la, após quase um ano e meio de namoro, o romance de Deco e Zoé chega ao seu fim.

Deco se afunda no sofá e na junk food. Além de perder Zoé para o dono de um pet shop alternativo (Enrique Diaz), também perdeu a guarda de Guto, e o que lhe restou foi a depressão e seu primo, Leleco (Danilo Gentili). No auge da tristeza, Deco, revoltado, decide tomar uma atitude: sequestra Guto com a ajuda de Leleco, para que, assim, conseguisse retomar um pouco da vida que tinha antes. No decorrer do filme, há um claro amadurecimento do protagonista, não só por ter um “filho” cachorro para cuidar, mas também por querer reconquistar Zoé.

No geral, o enredo é típico das comédias românticas, mas a montagem do filme é diferente (e um pouco estranha).  A atuação dos atores é um tanto teatral, gerando cenas artificiais. O humor é bom em alguns momentos, mas em outros fica forçado através de piadas prontas e de um uso desnecessário de palavrões. Segundo o diretor, Pedro Amorim, o público alvo do filme são os jovens, e o uso do baixo calão serve apenas para dar uma cara orgânica nas cenas. O problema é que o “orgânico” ficou meio próximo ao ambiente de um estádio de futebol.

Mas, apesar disso, o filme tem seus pontos positivos, como a trilha sonora. As cenas são regadas com o brega brasileiro, contando com “O meu sangue ferve por você”, de Sidney Magal, “Eu não sou cachorro não”, de Waldick Soriano, “O bom”, de Eduardo Araújo e “Fogo e paixão”, de Wando.

 Além disso, o filme tem alguns mash-ups que, estranha e ironicamente, dão certo. Primeiro, há uma combinação de “Ai se eu te pego”, do Michel Teló, com “Imagine”, do John Lennon, e depois, acontece uma mistura de “O meu sangue ferve por você”, “We will rock you”, “I love rock’n’roll” e “Us mano e as mina”. Pedro Amorim disse que os mash-ups são uma tentativa de suprir sua frustração por não ter sido músico.

Mato sem Cachorro é, como o diretor afirmou, eclético. Cá entre nós, é tão eclético que chega a ser uma grande bagunça. Envolve brega com rock, cachorro com romance, Danilo Gentili com nudez e participações especiais que não acrescentam nada na história com palavrões que não acrescentam nada na vida. Envolve todo um mundo estranho que vai da narcolepsia ao Sidney Magal.

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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