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De quem é a fala?
CINÉFILOS
26 maio 2011 | Por Jornalismo Júnior

[Um Novo Despertar]

Com o nome original em inglês, “The Beaver” (O Castor), o longa leva o espectador a acreditar que o filme gira em torno de uma comédia familiar, que conta com inclulsão de elementos fantásticos à trama. Mas não. Ao menos, não apenas isso.

Em “Um Novo Despertar”, Walter Black (Mel Gibson) é um executivo em profunda depressão. Sua empresa enfrenta uma crise e, em casa, seus filhos sofrem com a distância imposta pelo pai e até desejam que ele saia de casa. Sua atividade preferida é dormir e quando está acordado faz questão de mostrar pra família o quanto alheio a ela está. Essa postura de Walter desestrutura todo o lar da família Black, Meredith (Jodie Foster), sua mulher, vive para o trabalho e seus filhos Porter (Anton Yelchin) e Henry (Riley Thomas Stewart) são conhecidos na escola como anti-sociais.

O rumo da vida dos Black muda quando Walter encontra um fantoche de pelúcia com a forma de um castor. Ele passa a se comunicar com as pessoas exclusivamente sob a forma do personagem, sob o pretexto te estar em um tratamento terapêutico.

Apesar de toda a estranheza que causa ao espectador ver um protagonista passar uma hora e meia falando através de um fantoche, o plano de fundo da história é sensibilizante e aproxima o público da narrativa. Não é difícil encontrar quem se identifique com o drama vivido pela família Black. Ainda na apresentação da família, o longa traz uma grande reflexão sobre a falta de comunicabilidade que assombra diversas famílias nos dias de hoje e a maneira como as tarefas e problemas individuais tomam espaço na vida das pessoas, enfraquecendo a base do elo familiar que é o compartilhamento de vivências, a troca e a reciprocidade.

O castor se torna para Walter a personificação do lado da sua personalidade que não conseguia transparecer, do lado que não tinha espaço para aflorar espontaneamente diante da realidade em que ele se encontrava. O castor é a vertente de Walter que quer se curar e a chance que ele tem para se redimir por toda a descompensação que causou em seu período relapso.

As histórias desenvolvidas em paralelo a do protagonista têm um bom espaço dentro da trama e ampliam a visão do espector sobre a realidade da família: o filho mais velho que elenca suas características que se assemelham ao pai para que possa contorná-las; o filho que mais novo sofre por não conseguir se sentir uma prioridade nem ao menos para a família; a mãe que se vê diante de um impasse: lutar para tirar o marido de seu estado melancólico ou garantir um lar mais saudável para seus filhos.

O filme comete excessos quando leva Walter e o Castor para uma relação de dependência e controle, quando o fantoche parece ganhar vida própria e coloca todo o filme a se perder com a tentativa de monopolizar a atenção de Walter. Mel Gibson desenvolve bem as ações do boneco, mas não consegue fugir do ridículo em algumas cenas, notavelmente forçadas. Ainda assim a proposta do filme é muito boa e a discussão que ele nos coloca, melhor ainda. A maneira como é executado apresenta falhas no sentido de colocar a si mesmo em prova quanto a sua credibilidade, já que tratar um assunto tão complicado como este por intermédio de um fantoche não é lá uma das maneiras mais convencionais e, certamente, não a mais louvável possível. Entretanto, colocá-la em pauta, sem dúvida, garante ao filme um enorme crédito.

Por Paloma Rodrigues

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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