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Depois da Montanha: Da extremidade da vida ao extremo amor
CINÉFILOS
01 nov 2017 | Por Jornalismo Júnior

O livro Depois Daquela Montanha foi lançado em 2016 e se tornou um sucesso de vendas, presente na lista de mais vendidos do New York Times por duas semanas consecutivas. O sucesso estrondoso da obra fez com que a Fox se interessasse e comprasse os direitos autorais. Este ano, o livro foi transformado no filme Depois Daquela Montanha (The Moutain Between Us, 2017) e as expectativas que já eram altas, aumentaram com o lançamento do trailer.

O trailer é emocionante e conta a sinopse do filme. Ele mostra episódios cruciais da história e gera um certo medo de que tenha revelado mais do que deveria, mas isso é desfeito nos primeiros minutos de filme. Kate Winslet, vencedora do Oscar, mais uma vez consegue atuar com excelência e a sintonia com Idris Elba, seu par romântico, é visível.

O filme começa com Dr. Ben Bass (Idris Elba)  em busca de uma vaga em um vôo, pois o médico precisa realizar uma cirurgia com urgência. Paralelamente, Alex Martin (Kate Winslet) também busca uma vaga para que chegue a tempo em seu casamento, porém os vôos foram cancelados pela tempestade. A jornalista encontra uma solução para o seu problema e ao ouvir Ben contando sua história à atendente do aeroporto, decide oferecer ajuda. A solução foi fretar um voo particular para que os dois consigam chegar em seus compromissos. Alex e Ben embarcam no avião junto com o piloto, um velhinho simpático que já pilotou na guerra do Vietnã, e seu cachorro.

Em uma conversa descontraída no avião, conhecemos um pouco das personagens até que algo inesperado acontece. O piloto, por ser de idade, tem um começo de infarto. O médico Ben tenta ajudá-lo, mas o avião perde o controle no meio da tempestade. A cena do avião caindo é impactante. O telespectador se sente caindo junto com as personagens, pois a cena mostra o avião por dentro durante a queda e os efeitos sonoros contribuem para a ambientalização. A queda continua.

Quando o avião caí e se estilhaça, um corte acontece e a cena volta para Ben acordando. Ele percebe que, apesar de inconsciente, Alex continua viva. O senhor que pilotava não sobreviveu, seja pela queda ou pelo infarto. O cachorro incrivelmente resiste. Os dois e o cão se encontram no alto de uma montanha coberta por gelo, no meio do nada. Sozinhos naquele lugar, não há esperança de serem achados, já que o voo não foi registrado, o celular de Alex se despedaçou e não há sinal no lugar.

O desespero é visível. Então a trama começa. Os dois estranhos têm que se ajudar a sobreviver em meio ao frio extremo. A tensão acompanha o filme todo, pois além das condições climáticas e do relevo complicado da região montanhosa, os dois ainda têm que aprender a lidar com seus próprios tormentos e com seus sentimentos.

Alex se machuca diversas vezes e sua saúde fica comprometida enquanto Ben se mostra heróico a fazer com que os dois sobrevivam. Alex, apesar disso, se mantém esperançosa, mas exibe o seu medo diversas vezes. A personagem é honesta com o que sente em contrapartida com o fechado Dr. Ben que se mostra cético, realista e muito fechado.

Diversas cenas em que tudo parece perdido acontecem e esses ápices de aventura geram ansiedade no telespectador. Um romance entre as personagens começa a se desenvolver na tela e o amor acontece de forma natural e crescente. A primeira cena em que uma tensão amorosa acontece é a que eles se escondem em uma caverna para poderem aguentar o tempo e a tempestade de gelo. É sútil o sentimento crescendo ali, mas ele se desenvolve durante a trama.

O amor os fizeram sobreviver, porque é notável como cada um não desiste, porque o outro está ali. O filme é extremamente emocionante seja para aqueles que gostam de tensão e ação, sejam aqueles que amam um romance arrebatador. A situação extrema atrai aqueles que assistem. A cena em que Ben e Alex finalmente ficam juntos e é repleta de paixão e urgência, é um respiro de felicidade em meio ao desespero.

As adversidades da trama e o romance já dão conta de tornar o longa um sucesso, mas o filme se estende e talvez as cenas que se seguem fujam um pouco do restante do filme. A demora para que os protagonistas tenham o “final feliz” é o único erro do filme que acertou na dose de ação, na intensidade do romance, nos efeitos cinematográficos, no cenário, na trilha musical e principalmente na escolha de atores. Idris claramente rouba a cena e carrega o filme nas costas, não por Kate não ter feito o seu papel decentemente, mas pela condição de sua personagem que passa cenas desacordada, o que faz com que as cenas de ação tenha Ben como protagonista. Outro acerto foram os diálogos travados entre o casal. As tiradas e a ironia garantem uma quebra no drama e na ação.

Por Julia Vieira
juliavcamargo@live.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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