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(Des)construção acertada
CINÉFILOS
25 set 2008 | Por Jornalismo Júnior

Tulio Bucchioni

Há filmes que são tipicamente europeus: acima de tudo, se resumem a um brilhante e enigmático roteiro. Esse é o caso de Baby Love, um furacão de emoções que coloca em cena uma questão delicada: a paternidade para casais homossexuais. Abordadas de maneira leve, o longa passa por uma série de questões raramente vistas nas grandes produções ocidentais, desde o relacionamento homossexual estável, a relação conjugal e familiar, até as limitações e anacronias sociais e institucionais para lidar com o tema.

Emmanuel, um pediatra interpretado por Lambert Wilson, em fantástica performance, quer ser pai. Philippe (Pascal Elbé), seu companheiro, um advogado contido e até certo ponto imaturo, não quer nem pensar em crianças. “Como uma criança pode ter dois papais?”, Philippe pergunta a Emmanuel. É então que um casal quase perfeito entra em crise. No meio tempo, cai de pará-quedas na vida do casal uma jovem argentina que precisa desesperadamente continuar em Paris, mas cujo visto de permanência está vencido. Emmanuel decide então correr atrás de seu sonho, mesmo que isso signifique separar-se de seu grande amor, Philippe.

Baby Love trabalha, sobretudo, com uma desconstrução cultural. A começar pela construção de duas personagens homossexuais extremamente bem-resolvidas e confortáveis em seus sentimentos, estilo de vida e opção sexual – fato raro de se ver nas telas de cinema. No decorrer do longa, se tornam simplesmente inaceitáveis os percalços que Emmanuel tem que enfrentar para que seu sonho possa se tornar realidade. Delicadamente, o diretor Vincent Garenq consegue desenvolver uma trama emocionante, profunda e absolutamente pertinente. Em seu enredo, Baby Love é capaz de tecer uma história dramática sem perder a comicidade e principalmente sem cair nos exageros tão recorrentes em outras abordagens do tema. Um filme importante, que leva à reflexão não por ser militante ou por chocar a platéia, mas sim por construir personagens e situações que de tão naturais parecem encantar e questionar o espectador: para que tanta polêmica em torno de tão pouco?

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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