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Desculpe o Transtorno: A nova comédia
CINÉFILOS
08 set 2016 | Por Jornalismo Júnior

por Bárbara Reis
barbara.rrreis@gmail.com

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Eduardo Vogler (Gregório Duvivier) é seu típico jovem businessman: rico, metódico, fiel empregado da empresa do próprio pai. Tudo na sua vida parece marcado pela rotina, inclusive seu relacionamento com Vivi (Dani Calabresa), moça com ares de socialite que gosta de frequentar os lugares da moda, faz zumba fitness e compartilha todos os momentos possíveis nas redes sociais.

Quando criança, Eduardo vê o relacionamento de seus pais acabar e é apresentado com uma escolha: ficar com a mãe no Rio de Janeiro ou partir para São Paulo com o pai. Escolhendo a última opção, passa sua adolescência e vida adulta dentro do universo controlado e rígido de uma empresa de patentes sediada na capital, vista por muitos como metonímia de racionalidade, distância e seriedade.

Tudo muda quando ele precisa ir ao Rio devido a um problema pessoal – em meio a memórias de sua infância, aparece nele uma “nova personalidade”, que exige ser chamada pelo seu apelido de infância, Duca, e assume características estereotipicamente cariocas, tornando-se mais relaxado, descolado e, claro, puxando o R de um jeito completamente diferente. Só há um problema: quando Eduardo volta a ser a personalidade dominante, ele não lembra de absolutamente nada que fez como Duca.

Em meio a essa confusão, ele acaba conhecendo a carioca Bárbara (Clarice Falcão), que se dispõe, em uma moda um tanto manic pixie dream girl, a ajudá-lo de toda forma possível.
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Com direção de Tomás Portella (Qualquer Gato Vira-Lata (2011), Meu Nome Não é Johnny (2008)), produção Gullane em parceria com a Disney/Buena Vista, Desculpe o Transtorno (2016) foi gravado em 2014 e idealizado inicialmente como uma história sobre a ponte aérea Rio-São Paulo, e sua característica central – o transtorno dissociativo de personalidade do protagonista – só foi incorporado mais tarde. Na coletiva, Duvivier deixa claro que, apesar do filme ser relativamente fiel aos sintomas do transtorno, ele é usado como recurso para falar “das duas personalidades que todos nós temos”. Dada a ressalva, ainda é difícil não sentir certo desconforto ao ver uma doença mental ser reduzida a um recurso narrativo quando pensamos no estigma que elas carregam até hoje.

Apesar de não ter como objetivo realizar uma grande análise – estamos falando de uma comédia romântica, afinal – Desculpe o Transtorno consegue atingir um equilíbrio um tanto raro na comédia brasileira, apresentando um novo caminho para aquelas que ainda virão: as piadas são bem construídas, as atuações são verdadeiramente exemplares – Dani Calabresa, em particular, se destaca – e mesmo fazendo uso de simplificações e estereótipos, o filme silenciosamente os desconstrói ao longo de sua duração.

”A gente tem que falar do estereótipo para desconstruir o estereótipo” disse Clarice na coletiva. “A gente na vida, volta e meia, veste as carapuças que fazem da gente. O filme parte desse ponto e vai dando humanidade às personagens” complementou Gregório. Acabamos com uma hora e meia de uma história sólida, bons diálogos e uma fotografia deslumbrante, tudo e até um pouco mais do que se pode pedir dentro das limitações do gênero.

Desculpe o Transtorno estreia dia 15 de setembro. Confira o trailer!

https://www.youtube.com/watch?v=WnwRkFF6aCQ

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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