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Do humor ácido e crítico ao pastelão suave com Uma Ladra sem Limites
CINÉFILOS
09 maio 2013 | Por Jornalismo Júnior

A julgar pelo título, Uma ladra sem limites (tradução mal feita do título original: “Identity Thief”), não prometia muito. Mas é o que dizem, não julgue o livro pela capa. No caso do cinema, não julgue um filme pelo título.

Jason Bateman interpreta Sandy Patterson, o típico americano de classe média que se vira com o que tem e ambiciona uma promoção. Em meio a crise financeira dos EUA, é convidado para uma nova empresa de investimentos e finalmente consegue o aumento salarial tão desejado e necessário para dar as suas filhas e esposa uma vida confortável. Entretanto tudo isso é colocado em cheque quando Diana, uma trambiqueira da Flórida, clona sua identidade e seus cartões de crédito, gasta todo seu dinheiro e, fazendo uso do nome feminino do protagonista, se envolve em algumas confusões com a polícia.  Então, quando acha que vai perder tudo, Sandy decide ir atrás da mulher que se passa por ele na Flórida, para fazer justiça, retomar seu emprego e limpar seu nome.

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O que se sucede são inúmeros infortúnios envolvendo os protagonistas que em meio as claras diferenças de personalidade, tem de viajar juntos da Florida ao Colorado  de carro para por fim a situação.

Sim, o roteiro é simples. Sim, o filme tem poucas e previsíveis reviravoltas. Ok, as perseguições são extremamente forçadas. Ah, vale lembrar também que o filme tecnicamente não é lá aquelas coisas (exceto a trilha sonora). Contudo, tais falhas não desmerecem o filme, não o tornam chato ou sem graça uma vez que, com uma  ótima atuação de Melissa McCarthy, as risadas são garantidas.

Algo a se elogiar também, é a qualidade e inteligência das piadas.O filme é repleto de críticas a sociedade americana como um todo. A falta de eficiência da polícia, a crise financeira, os preconceitos e valores rednecks e as injustiças sociais são temas abordados no filme com piadas – algumas leves, outras bem ácidas- capazes de agradar diferentes públicos.

Infelizmente, muitas dessas piadas são ocasionadas por trocadilhos do inglês, ou seja, quem for extremamente dependente da legenda ou dublagem pode acabar não aproveitando tão bem o filme, fato que recorrente em grande parte das comédias hollywoodianas.

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Outro fator que pode causar um estranhamento no expectador são as inúmeras referências a cultura americana, que por mais que seja amplamente disseminada, não é de todo compreendida em outros países.

Mesmo assim, reitero: um mérito que temos que dar ao filme de Seth Gordon é que ele é sim muito divertido. Um humor que vai do mais pastelão ao mais negro permeando a comédia do início ao fim, fazendo dela mais do que outro filme do tipo “viagem que dá tudo errado”.

Dessa forma, Uma ladra sem limites é um filme que vale a pena ser assistido para quem é fã de humor. Certamente não será um grande clássico do cinema, nem aclamado por críticos pelos seus aspectos técnicos, mas rende boas risadas, reflexões e muita conversa. Um filme pra ver de um jeito descontraído, despretensioso, sem esperar uma obra prima. E assim eu o assisti e saí do cinema com uma sensação boa. Senti que foram 112 minutos que valeram a pena.

 

por Arthur Pinto da Silva
arthurp.dasilva@gmail.com

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