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Dois Rémi, Dois: a duplicidade do eu em uma típica comédia francesa
CINÉFILOS
25 abr 2016 | Por Jornalismo Júnior

por Mel Pinheiro
mel.pinheiro.silva@gmail.com

Seguindo a tendência da literatura, a duplicidade do eu é um tema recorrente também no cinema. Grandes nomes da sétima arte como Alfred Hitchcock e Ingmar Bergman já utilizaram do assunto, e nos últimos anos pudemos ver algumas gratas surpresas como O Homem Duplicado (Enemy, 2014), inspirado na obra de José Saramago, e O Duplo (The Double, 2013), que tem como base o romance homônimo de Dostoiévski. Inspirado também pela obra do russo, chega aos cinemas no dia 28 de abril a comédia francesa Dois Rémi, Dois (Deux, Rémi, Deux, 2015), primeiro filme do diretor Pierre Léon a ser distribuído no Brasil.

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O personagem que dá nome ao filme, Rémi (Pascal Cervo), é um tímido homem de 30 e poucos anos, que mora com o irmão e trabalha em uma empresa de produtos para gatos (aliás, a sequência de fotos de gatos que abre o longa é imperdível). Apaixonado por Delphine (Luna Picoli Truffaut), a filha de seu chefe, Rémi se limita a manter uma simples amizade com a moça, nunca tendo coragem para declarar algo mais sério. Isso fica claro quando o pai dela deixa claro que nem sabia que ambos se conheciam. Rémi tem dificuldade em socializar, não consegue se envolver com os colegas de trabalho, é bastante reservado e não é capaz de demonstrar suas vontades. Sua vida muda com a chegada de outro Rémi, seu duplo, mas de personalidade completamente diferente. Despojado, extrovertido e até mesmo um pouco cínico, o segundo Rémi chega de maneira importuna, conquistando as pessoas do convívio do primeiro. O duplo vem para mostrar quais as necessidades do original com a vida, fazendo-o perceber o quanto ele precisa começar a tomar atitudes para conseguir o que quer.

A identificação com os personagens se deve à excelente atuação de Pascal Cervo. O ator conseguiu transmitir todas as particularidades de ambos os Rémi, não só na forma de falar, mas também o olhar, as feições e até pequenos tiques.

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A trilha sonora também é algo a se destacar e atua quase como um personagem. O compositor Alexander Zekke trabalhou a partir das três notas: dó, ré, mi, fazendo a ligação direta com o nome do filme. A música dá o tom e o ritmo necessário em todo momento que aparece, sendo indispensável para a construção da narrativa.

A duração pequena de 66 minutos atrapalha um pouco o desenvolvimento, mas combina com a proposta de trazer o tema em uma história simples e despretensiosa. Uma típica comédia francesa, Dois Rémi, Dois é uma opção agradável para quem quer fugir dos blockbusters, mas também não quer assistir a um longa complexo.

Assista ao trailer!

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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