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Downton Abbey é luxuoso e entrega aos fãs da série tudo o que eles queriam
CINÉFILOS
24 out 2019 | Por Matheus Zanin (matheuszanin@usp.br)

A série britânica Downton Abbey marcou a televisão. Ao longo de seis temporadas, acompanhamos a vida da família nobre Crawley e de seus empregados. Rumores sobre uma possível adaptação cinematográfica circulavam desde 2015, ano em que o último episódio do premiado seriado foi exibido. 

Quatro anos depois, retornamos à Downton como se nunca tivéssemos a deixado. Downton Abbey (2019), dirigido por Micheal Engler, é um agradável retorno à vida daqueles personagens retratados em mais de 50 episódios.

Maggie Smith, como se estivesse dando adeus a uma legião de fãs, emociona e provoca gargalhadas ao interpretar Lady Violet [Imagem: Jaap Buitendijk — © 2019 Focus Features]

Não há muitas novidades: embora mais longo, a estrutura do roteiro de Julian Fellowes é semelhante aos dos especiais de final de ano da série — e isso é o que o torna adorável. 

A história principal gira em torno da visita do rei e rainha da Inglaterra, George V e Maria de Teck, à Downton e suas consequências. É a principal pois, tratando-se de Fellowes, acompanhamos núcleos de diferentes personagens, tanto da parte de cima da propriedade como a de baixo, com seus próprios dilemas e casos. Os empregados desejam mostrar sua honra servindo ao casal real e sua comitiva, contudo, são impedidos pelos funcionários do rei. Lady Violet (Maggie Smith) precisa resolver assuntos pessoais com uma prima distante. Lady Edith (Laura Carmichael) está insatisfeita com sua posição profissional. Durante as duas horas da obra o ritmo narrativo é o mesmo.

Devido à existência de um grande número de personagens, é difícil balancear o tempo em tela de todos. Maggie Smith, que, mais uma vez, entrega um trabalho excepcional, é quem se sobressai: as melhores cenas envolvem Lady Violet e seus diálogos sarcásticos. Quem surpreende é Robert James-Collier, que interpreta Thomas Barrow. Seu personagem, complexo ao longo de seis temporadas, recebe aqui mais uma camada. Fellowes finalmente aborda a questão da homossexualidade no final dos anos 20 de modo mais abrangente, fornecendo uma visão do tema em relação à época.

O longa propõe uma reflexão sobre a passagem e mudanças da época a qual retrata [Imagem: Jaap Buitendijk — © 2019 Focus Features]

O núcleo de Tom Branson (Allen Leech), antigo empregado da casa que se casou com a filha mais nova dos Crawley, é o mais problemático. O roteiro aborda temas políticos tais como traição à pátria e republicanismo em contraste à monarquia. Assim, Branson, irlandês com inclinações ao socialismo, se vê inserido no meio de uma conspiração que, ao seu término, resulta numa história apressada e desconexa com o restante do longa. 

O design de produção é luxuoso: os cenários e figurinos continuam atraentes. As cenas em campos abertos revelam uma fotografia próxima ao tom dourado. É engraçado, contudo, como a própria personagem de Michelle Dockery, Lady Mary, questiona-se sobre a permanência de respectivo luxo numa sociedade que passa por tantas transformações.

Ao final, Downton Abbey entrega aos fãs da série tudo o que eles queriam. Quem o assiste pela primeira vez também não deixa de se encantar. Assim como Mistress Hughes (Phyllis Logan), governanta chefe, diz que 100 anos se passariam e os Crawley continuariam ali, o mesmo pode ser dito à Downton e seus personagens. Eles continuarão aqui.

O longa tem estreia prevista para o dia 24 de outubro no Brasil. Confira o trailer:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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