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‘Druk – Mais uma Rodada’ e o alcoolismo não tão funcional
CINÉFILOS
26 mar 2021 | Por Por Lívia Magalhães (liviabmagalhaes@usp.br)

Druk – Mais uma rodada (Druk, 2020) é um presente do diretor dinamarquês Thomas Vinterberg para a audiência em forma de um drama satírico. O longa marca mais uma indicação do diretor ao Oscar de Melhor Filme Internacional e sua primeira indicação à categoria de Melhor Direção.

O filme traz o protagonista Martin (Mads Mikkelsen) e mais três amigos, que decidem começar a fazer as tarefas do dia-a-dia sob a influência de álcool. O grupo, que trabalha em uma escola, toma essa decisão com o objetivo de otimizar o trabalho e serem melhores nos respectivos empregos, seguindo a hipótese de um cientista de que o ser humano nasce com um déficit de álcool no organismo. Logo, segundo essa tese, estar sempre bebendo um pouco seria benéfico, porque só assim o equilíbrio seria atingido.

Os acontecimentos de Druk – Mais uma rodada são intercalados com frases que os amigos escrevem, relatando a experiência. Essa busca por diversão disfarçada de experimento científico funciona de início: neste limbo em que não se está exatamente sóbrio nem bêbado, Martin e os outros ficam mais relaxados e acabam se tornando mais produtivos e felizes, tanto no emprego quanto na vida privada. Mas, aconteceu o que sempre acontece quando as coisas começam a dar certo. O que tinham passou a não ser o suficiente, e eles queriam mais.

Cena de Druk em que Martin leciona para seus alunos na sala de aula

Martin sentindo uma melhora em seu método de ensino e na recepção dos estudantes após começar a beber no trabalho [Imagem: Divulgação/Vitrine Filmes]

Apoiando-se em casos de famosos e produtivos alcoólatras, como Ernest Hemingway e Winston Churchill, os personagens acreditavam – ou pelo menos fingiam acreditar – que, se bebessem mais, os efeitos positivos se multiplicariam. Claramente, o tiro sai pela culatra e o quarteto se vê diante de uma consequência tão óbvia, mas que parecia tão distante: o alcoolismo.

O filme que antes mais parecia uma comédia reflexiva dá uma guinada em direção ao drama sombrio. Os desdobramentos vêm rápido demais, o que pode vir como um choque para o telespectador. Porém, faz sentido quando se leva em consideração que Druk trata de vício, uma condição que já saiu do controle.

Mads Mikkelsen já havia trabalhado com o diretor antes, no aclamado A Caça (Jagten, 2012), também indicado ao Oscar de melhor filme internacional, e sua performance estelar é um ponto alto em ambos os longas. O ápice da atuação de Mikkelsen em Druk acontece na cena final, uma cena de dança e festa que deixa a audiência com os olhos grudados à tela.

Martin performa um jazz artístico em meio de muita bebedeira dos seus estudantes formados que, apesar de transmitir um astral alto para o público, deixa o final aberto: será que os colegas voltarão a ter uma relação saudável com bebidas alcoólicas, ou eles desistiram de tentar, buscando sempre uma juventude que já perderam?

Cabe ao telespectador apenas especular.

Cena de Druk em que Martin sentado em um banco com uma latinha de cerveja ao lado, com seus estudantes recém formados ao fundo, comemorando o fim das provas

Martin sentado em um banco com uma latinha de cerveja ao lado, com seus estudantes recém formados ao fundo, comemorando o fim das provas [Imagem: Divulgação/Vitrine Filmes]

Druk – Mais uma rodada conta uma história familiar. Um grupo de amigos na meia idade tentam desesperadamente voltar a ser como uma vez já foram: livres, descontraídos e espontâneos, tal como seus alunos aparentam ser. A citação do filósofo dinamarquês Kierkegaard, que abre o filme, então, nunca fez tanto sentido:

O que é a juventude? / Um sonho
O que é o amor? / O conteúdo do sonho

O que Martin e seus amigos parecem ter se esquecido, porém, é que estar sonhando implica a necessidade de uma hora ter que acordar.

Druk – Mais uma rodada estreia no Brasil simultaneamente nos cinemas e nas plataformas de locação de filmes digitais no dia 25 de março de 2021. Confira o trailer:

Imagem da Capa: Imagem: Divulgação/Vitrine Filmes

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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