Home Lançamentos Duas Rainhas: o quão cruéis homens são
Duas Rainhas: o quão cruéis homens são
CINÉFILOS
04 abr 2019 | Por Cinéfilos

O poder pode corromper uma pessoa? Os fins justificam os meios? Esses podem ser questionamentos que surgirão na sua cabeça após assistir Duas Rainhas (Mary Queen of Scots, 2018).

Mary, interpretada por Saoirse Ronan, foi prometida ao primogênito do rei Henrique II, Francis, quando ainda é uma criança, sendo levada para França. Mas logo seu marido morre e ela retorna à Escócia. Sua missão é derrubar Elizabeth I (Margot Robbie) do trono da Inglaterra.

No período retratado o machismo, que hoje lutamos e continuaremos lutando contra, era algo tido como normal pela maior parte das pessoas, até desejável. As duas rainhas, no entanto, parecem ir contra todo esse ideal brigando por um mundo mais justo. Marry se mostra exatamente assim, os homens podem se achar superiores à ela apenas por ser do sexo oposto, mas a personagem prova que não abaixa a cabeça para nenhum deles.

Porém Elizabeth diz que depois de tanto tempo no trono ela se tornou um homem, dando a entender que só se acha capaz de ser rainha e tomar decisões por “ser do sexo oposto”. A rainha deseja um de seus conselheiros, mas se recusa a casar ou ter qualquer tipo de relação com ele por não se considerar uma mulher. Isso só mostra como o pensamento machista está enraizado na cabeça de todos e é muito difícil se livrar dele.

O papel do sexo masculino no longa? Causar problemas. É isso que eles fazem o tempo inteiro. São frios, passam por cima de amores, família e o que mais for necessário para subir ao trono e não necessitar mais abaixar a cabeça para nenhuma mulher. São aquele estereótipo masculino, quando você tenta confiar em um é apunhalado pelas costas. ão cruéis na tentativa de serem reis que imaginava não ser possível existir pessoas tão ardilosas.

Homens cruéis, belos figurinos e paisagens, maquiagem memoráveis marcam Duas Rainhas [FOCUS FEATURES LLC.]

Os cenários, como o calabouço da cena inicial/final, são de arrepiar e tirar o fôlego. É difícil não se pegar admirando as belas paisagens. Figurino e maquiagem são outros motivos de destaque no longa. A caracterização de cada personagem foi muito bem pensada e o resultado é esplêndido. Não só as vestimentas, mas os atores também dão um show de interpretação e aumentam o brilho dos personagens..

Ao ver Duas Rainhas é impossível não lembrar de A Favorita (The Favorite, 2018). No entanto, esse passa longe daquele indicado ao Oscar 2019. Enquanto um pega temas atuais e repagina criando uma verdadeira obra de arte, o segundo consegue estragar algo que tinha tudo para ser bom, mas que ao final da sessão não vale o dinheiro gasto.

O filme não é ruim, longe disso. Mas sua narrativa é arrastada, as reviravoltas são toscas e são esses dois únicos pontos que estragam o filme. Questões levantadas, como empoderamento, machismo, superioridade, homossexualidade, casamento e fidelidade, são relevantes e interessantes. O problema é que Duas Rainhas tentou colocar tudo em um liquidificador que não possui tamanho suficiente para tal. O resultado? Um filme que tenta dizer muita coisa, transborda e acaba raso em aprofundamento.

O longa chega aos cinemas brasileiros no dia 4 de abril. Veja o trailer:

por Thaislane Xavier
thaislanexavier@usp.br

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
VOLTAR PARA HOME
DEIXE SEU COMENTÁRIO
Nome*
E-mail*
Facebook
Comentário*