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E se a Bíblia fosse um filme?
CINÉFILOS
27 mar 2012 | Por Jornalismo Júnior

Quando a Páscoa chega uma cena provavelmente se repete na sua casa: Você não foi viajar, mas a família está toda reunida para comer o tradicional bacalhau. Depois do almoço, todos se sentam na sala, abrem seus ovos de chocolate, ligam a TV e… como sempre, está sendo transmitido algum filme sobre a vida de Cristo.

Religiões à parte, você já parou para pensar em quantos filmes bíblicos existem? Só sobre a vida de Cristo, a lista é enorme. A famosa indústria indiana de Bollywood está produzindo um longa que conta a trajetória da maior figura do cristianismo e até Martin Scorsese já fez um filme sobre Jesus.

O trabalho de Scorsese se chama “A última tentação de Cristo” (1988) e é baseado no livro homônimo de Nikos Kazantzakis. São 163 minutos que mostram a história de Jesus Cristo já adulto, desde quando trabalhava como carpinteiro até o momento da crucificação. Quem vive o protagonista é Willem Dafoe. Além disso, o filme conta com ninguém menos que David Bowie na pele de Pôncio Pilatus.


Mas antes que você pense em mostrar esse filme no almoço de família para aquela tia que frequenta a missa toda semana, cuidado! Estamos falando de Scorsese, pode-se imaginar que de tradicional essa obra não tem nada. A Igreja Católica chegou a considera-la herética, por mostrar um lado imperfeito de Cristo, as dúvidas e questionamentos de um ser humano dividido entre sua missão divina e suas vontades terrenas.


Mas e se alguém se propusesse a fazer um filme da Bíblia inteira, do Gênesis ao Apocalipse? Quanto tempo ele teria? É o que o Cinéfilos tentou descobrir.


Para fazer essa conta, usamos a megaprodução “Os Dez Mandamentos” (1956) como referência. Considerado uma obra de arte e ganhador de um Oscar, o filme é uma narrativa detalhada da vida de Moisés. Ainda bebê, sua mãe decide colocá-lo numa pequeno cesto de vime e deixá-lo ser levado pelo curso do rio Nilo para salvar sua vida. Ele é encontrado por uma princesa egípcia, que decide criá-lo como seu filho na casa do Faraó. Quando adulto, ele descobre que não é egípcio, mas hebreu; e aceita a missão de libertar o povo de Israel da escravidão vivida no Egito e levá-los a Canaã, a chamada “Terra Prometida”.

É durante essa trajetória que Moisés recebe de Deus os 10 mandamentos que regeriam a conduta do povo hebreu, e que acontece um dos episódios mais famosos da Bíblia: a divisão das águas do Mar Vermelho. Provavelmente, essa cena foi uma das responsáveis pelo Oscar de efeitos visuais que “Os Dez Mandamentos” conseguiu em 1957. Quem assiste hoje identifica uma série de itens que poderiam ser melhorados, inclusive a qualidade da imagem, mas na década de 1950, quando não se contava com recursos digitais na produção, o longa-metragem foi referência.

O elenco tem Charlton Heston (de Planeta dos Macacos) no papel principal e Yul Brynner (de O Rei e Eu) como o faraó Hamsés, além de Anne Baxter e Vincent Price. O diretor Cecil B. DeMille usou 220 minutos, ou seja, 3 horas e 40 minutos, para transformar o livro de Êxodo, em que a história de Moisés é contada na Bíblia, em uma sequência de cenas.


O número de páginas de cada versão da Bíblia varia muito de acordo com o seu tamanho. Nossa base é uma Bíblia com 1124 páginas. Nela, o livro de Êxodo tem 42 páginas.
Fazendo uso de matemática básica que aprendemos por volta dos 12 anos, chegamos à conclusão de que um filme que contasse a história toda da Bíblia, de “No princípio, Deus criou o céu e a terra” até “a graça do Senhor seja com todos”, duraria aproximadamente 5.887 minutos. Convertidos para horas, teríamos um filme de 98 horas. Já pensou ficar quatro dias sem parar assistindo a um mesmo longa metragem?

Talvez ela pudesse se transformar em uma dessas sequências intermináveis de filmes, como a de Harry Potter. Se cada filme da sequência “Bíblia” tivesse três horas, o que já é muito para os padrões atuais de duração, seriam necessários 33 longas-metragem para que todas as páginas do livro sagrado para as religiões ocidentais fossem contempladas.


Se tentássemos editar todo o material para que ele “coubesse” no padrão de duas horas, todo o livro de Êxodo, que Cecil B. DeMille levou mais de três horas para contar, teria que ser mostrado em apenas quatro minutos. E a história de Jesus Cristo, tão reproduzida por diversos cineastas, e que na Bíblia é encontrada nos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, deveria ser reduzida a pouco menos de 13 minutos de filme. É um desafio para qualquer editor de imagens.


Transformar uma obra tão grande e complexa quanto a Bíblia em um longa-metragem faz com que nos deparemos com uma questão inevitável a qualquer diretor que faça essa adaptação das páginas de um livro para as telas: Vale mais uma história bem contada em todos os seus detalhes, mesmo que extensa, ou um filme compacto, que se prenda apenas aos pontos principais da trama?

Por Paula Peres
paula.peres12@gmail.com

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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