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Egon Schiele – Morte e a Donzela: um filme para te despir de preconceitos
CINÉFILOS
17 jul 2018 | Por Jornalismo Júnior

O filme austríaco Egon Schiele – Morte e a Donzela (Egon Schiele – Death and the Maiden, 2018) conta a trajetória desse pintor expressionista famoso por suas obras de conteúdo erótico e seu ego inflado. O longa é dirigido por Dieter Berner e baseado em um livro de Hilde Berger, tendo como enfoque a relação que o artista tinha com as mulheres as quais o cercavam. Vale ressaltar o fato de a iniciativa ter potencial de desconstruir os preconceitos que rodeiam os seus quadros, considerados promíscuos por alguns.

Egon em organização de uma de suas exposições. (Imagem: Divulgação)

 

A história se constrói por meio de intercalações entre o presente e o passado com o uso de flashbacks. Sendo assim, as primeiras cenas já mostram o artista debilitado dias antes de sua morte, sendo amparado por Gerti, sua irmã. Ou seja, desde o início se tem indícios da conexão entre os dois, a qual só se engrandece com o desenrolar dos fatos. É interessante como a relação é retratada de maneira ingênua apesar da fama de pervertido que Egon tinha por ter tomado a garota como sua primeira modelo para desenhar nua.

Outro fator que se faz presente ao longo de toda a obra é a paixão pela arte e certo desdém às riquezas da parte de Schiele. Em quase todas as cenas ele aparece desenhando, e em seus piores momentos, como na prisão e na guerra, afirma a importância do ato de desenhar em sua vida. Isso tudo ajuda o público a compreender as motivações de algumas escolhas do pintor.

Muitas das ações de Egon, no fim, acabam ferindo as moças que de certa forma se envolveram com ele, porque o artista as trata de forma objetificada por serem “simples modelos”. A situação chegou ao ponto em que ele se propõe a casar com uma mulher, objetivando principalmente tê-la como musa para seus desenhos durante um período de reclusão. Como ponto positivo, isso colabora com a ambientação ao revelar a sociedade patriarcal na qual a história estava inserida, e quebra a possibilidade de uma idealização do protagonista.

No entanto, não há dúvidas de que quem mais sofreu pelo personagem foi o seu maior amor e sua musa, imortalizada na obra “Morte e a Donzela”: Wally. Os dois vivem um romance intenso e cativante, que rende momentos de muita inspiração para o pintor. Consequentemente, ao retratar vivências do casal o filme mostra a forma pela qual algumas pinturas surgiram, algo interessante.

Wally posando para o pintor. (Imagem: Divulgação)

No fim das contas, o longa só peca em contextualizar o fascínio pela sexualidade que Schiele tem. Seria interessante se as cicatrizes deixadas pelo pai se mostrassem de modo mais frequente ao longo do enredo, evidenciando o quanto elas impactaram em sua arte.

Portanto, de forma geral, o filme é uma ótima oportunidade para conhecer e desmistificar a personalidade de Egon. Além disso, pode-se perpassar por sua obra, conhecendo os contextos que estão por trás de muitas delas. Tudo isso é feito através de uma narrativa envolvente – a qual soube selecionar as situações mais marcantes da vida do biografado – tornando-a capaz de cativar desde os adolescentes até os mais velhos.

O filme estreia dia 19 de julho de 2018, confira o trailer legendado:

 

 

Por Mayumi Yamasaki
mayumiyamasaki@usp.br

 

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