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Netflix: ‘El Camino’ – Um presente para os fãs de Breaking Bad
CINÉFILOS
06 maio 2020 | Por Edson Júnior (edsonjuniormcz@usp.br)

Atenção: esse texto contém spoilers da série Breaking Bad 

 

El Camino (2019) é um verdadeiro presente para os fãs de Breaking Bad (2008 – 2013). Cheio de easter eggs, o filme trouxe um epílogo do épico famoso mundialmente, que consolidou Walter White (Bryan Cranston) como uma das maiores figuras da história da televisão. O enredo agora é centrado em seu parceiro Jesse Pinkman (Aaron Paul), com os eventos tendo início exatamente onde a série terminou. Uma das primeiras cenas do longa é justamente o icônico fim de Jesse, em que ele grita por liberdade enquanto dirige um carro, num escape após ser escravizado por neonazistas durante meses. 

 

Jesse logo após escapar da escravização dos neonazistas [Imagem: Netflix]

Jesse logo após escapar da escravização dos neonazistas [Imagem: Netflix]

A narrativa não linear traz diversos flashbacks durante o longa. Alguns contam fatos inéditos, e outros revisitam personagens antigos, mostrando a relação de Jesse com eles. São apresentados detalhes sobre as explorações que Jesse sofreu, comandadas principalmente por Todd (Jesse Plemons). Isso se reflete numa atuação destacável de Aaron Paul, que teve de explorar um Jesse traumatizado e perturbado pelas dores físicas e psicológicas que sofreu, numa escala jamais vista na série. O ator revive e dramatiza essas dores emocionantemente. 

A fotografia mantém o alto nível apresentado em Breaking Bad. Mais uma vez, são explorados vastos planos desérticos e ensolarados. As referências a Westerns (filmes de Velho Oeste) são claras, tanto ao mostrar o deserto como “terra de ninguém” quanto em algumas cenas de ação, com troca de tiros referentes às lutas de caubóis. Os time-lapses também são recursos aproveitados, agregando na estética da produção.

O enredo, por sua vez, não é o maior destaque. Pode-se considerar que o diretor, Vince Gilligan, trabalhou com o que tinha nas mãos. Nos apresentou uma saga de Jesse em busca, principalmente, de dinheiro para alcançar sua fuga e liberdade. Mesmo assim, vemos uma história muito bem fechada e amarrada dentro de seus propósitos, sem muitos mistérios mas também sem tramas preguiçosas. Porém, a motivação que leva Jesse para sua luta final é fraca, em que a falta de míseros 1.800 dólares para seus propósitos o leva a aventura que será o clímax do filme.

 

Um dos planos desérticos do longa, gravado no Deserto Pintado (EUA) [Imagem: Netflix]

Um dos planos desérticos do longa, gravado no Deserto Pintado (EUA) [Imagem: Netflix]

Jesse Pinkman passa por pequenas provações que retratam sua ingenuidade vista durante toda a série. Mesmo depois de passar por tantas atrocidades, ele ainda tem um caráter ingênuo e afetuoso (na medida do possível). Jesse havia conquistado – pela primeira vez – uma verdadeira independência, mas tinha que saber como lidar com ela. O roteiro trabalha sua jornada pessoal a fim de evoluí-lo até o final do longa, tanto no seu lado estratégico pragmático quanto no seu psicológico emocional.

Emoção é o que caracteriza El Camino. Emoção do elenco ao se reunir uma última vez; emoção do público ao ver um fim para um dos personagens mais queridos e mais sofridos da série e emoção do próprio Jesse ao revisitar suas memórias e reencontrar suas principais figuras afetivas, amorosas e paternas. A essência de Breaking Bad também é revisitada, com plots de ação marcantes e momentos de luta épicos. Para além dos fãs, El Camino é uma escolha para quem deseja uma aventura simples, bem amarrada e bonita esteticamente.

O filme está disponível para todos os assinantes da Netflix. Confira o trailer:

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