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Em Corpo Elétrico, a paixão não se restringe ao protocolo
CINÉFILOS
21 ago 2017 | Por Jornalismo Júnior

Onde você quer estar daqui a alguns anos? Quando perguntam isso a Elias, o protagonista de Corpo Elétrico (2017), ele não sabe muito bem o que responder. Mas, ao contrário do que se pode imaginar, ele também não se preocupa: o futuro é um infinito de possibilidades e todas elas lhe parecem interessantes.
Interpretado pelo novato Kelner Macêdo, Elias é um jovem de 23 anos, gay, paraibano e que mora em São Paulo. Trabalha numa fábrica de confecção de roupas na região central da cidade, e é de lá que conhece boa parte dos amigos com quem passa a maior parte do tempo, seja horário de expediente ou não.

O filme é o primeiro longa-metragem do diretor Marcelo Caetano (responsável também pelo roteiro, junto com Gabriel Domingues e Hilton Lacerda), conhecido na indústria nacional de cinema por sua colaboração em outros filmes, como co-roteirista e assistente de direção em Mãe Só Há Uma (2016), de Anna Muylaert, diretor de elenco em Aquarius (2016), de Kléber Mendonça Filho, dentre outros.
Em seus curtas, Marcelo retrata personagens gays com recorrência, mas demonstra um interesse especial por aqueles ainda mais marginalizados – o negro, o pobre, o afeminado, o que mora nas periferias etc. Com Corpo Elétrico, esse fascínio é exposto novamente, num enredo que tem nas relações de afeto de seus personagens o fio condutor principal.
Elias não busca um amor idealizado. Pelo contrário, o modo que tem de lidar com suas paixões não poderia passar mais longe daquele que normalmente é considerado ideal. Mesmo assim, seja nos encontros sexuais com outros homens ou em conversas descompromissadas com colegas de trabalho, ele encontra o tempo todo um sentimento talvez ainda mais prazeroso, porque existe e é real.
Nesse sentido, a câmera de Marcelo Caetano e da diretora de fotografia Andrea Capella é certeira quando, ao invés de movimentar-se para seguir as personagens, deixa que elas entrem em cena e preencham aos poucos o espaço vazio. Quando há pessoas, assim nos enquadramentos do filme como para Elias, o plano encontra equilíbrio e não falta mais nada.

O elenco, que conta com participações da funkeira Linn da Quebrada e da drag queen Márcia Pantera, também funciona muito bem, sendo que quem divide mais tempo de tela com Elias é o amigo Wellington, interpretado por Lucas Andrade, que não deixa a desejar. Conforme explicado por Kelner Macêdo em entrevista ao Cinéfilos, os atores passaram por um trabalhoso processo de ensaios e preparação, e o resultado é perceptível pela forma orgânica como todos se dispõem em cena.
A direção mantém um tom consistente e um tanto minimalista, evitando chamar atenção maior do que a dos personagens. São eles que ditam as circunstâncias e atraem a percepção mesmo nas cenas mais ousadas, e nem por isso essas cenas perdem força, o que mostra uma maturidade surpreendente para um diretor em seu primeiro longa.
Com seus diálogos sinceros, sexo livre e relações desinibidas, Corpo Elétrico é a defesa de um jeito alternativo de amar – nem pior, nem melhor, mas diferente e tão verdadeiro quanto.

Veja o trailer aqui e, abaixo, a entrevista concedida ao Cinéfilos pelo diretor Marcelo Caetano e o ator Kelner Macêdo:

por Matheus Souza
souzamatheusmss@gmail.com

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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