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Emoji: O Filme – Quando o tio do “zap” produz uma animação
CINÉFILOS
31 ago 2017 | Por Jornalismo Júnior

Pelos últimos 5 anos, ao menos uma produção cinematográfica anualmente decide se aventurar no universo dos jogos digitais. Estreando a seleção em 2012, a animação Detona Ralph (Wreck-It Ralph) da Disney fala sobre os jogos de fliperama. Dois anos mais tarde, a Warner Bros nos apresenta Uma Aventura LEGO (The Lego Movie), dando vida ao bloquinho de montar. No ano seguinte, a única não animação da lista (e o pior filme de todos eles), Pixels (2015) fala sobre os clássicos videogames da década de 80. Com o sucesso do aplicativo, em 2016, Angry Birds também ganhou espaço no cinema. 2017 não poderia ser diferente. Desta vez, a Sony Pictures traz Emoji: O Filme (The Emoji Movie), sobre as “carinhas” que conquistaram espaço na linguagem digital.  

Emoji

Imagem: reprodução

Dirigido por Tony Leondis (roteirista em Lilo & Stitch 2), a trama nos apresenta Textopolis, cidade situada dentro de um celular,  onde residem os famosos emojis que usamos. Todos os habitantes vivem com o objetivo de ser usado no texto de Alex, o rapazinho dono do aparelho. Gene é a expressão de “Méh”, ou seja, ele representa a “indiferença” — ou pelo menos deveria. Filho de Édna e Edson, seus pais são pura apatia, diferente dele, que devido à um bug, tem a capacidade de representar vários sentimentos. Ao tentar viver o sonho de ser usado pelo menino, seu defeito causa grandes problemas na cidade. Enquanto tenta buscar uma forma de se encaixar à Textopolis, Gene, Hi-5 — que deseja ser um dos emojis mais usados novamente — e Rebelde, uma emoji hacker, entram numa jornada pelos aplicativos do aparelho, provocando seu mal desempenho. Enquanto descobrem sobre si mesmos, correm contra o tempo para que Alex não conserte o sistema e os apague.

A animação está sendo muito criticada pela mídia internacional. O site Screencrush usou os adjetivos Nada divertido. (…) Doloroso de assistir. E, claro, uma droga. (Se preferir o emoji de côco, também funciona)” para qualificar a obra. Poderíamos ser poupados de um filme sobre emojis? É claro. É risível se iludir esperando uma produção de alta qualidade de uma ideia tão vazia. Além de beber nas referências de seus antecessores, assemelhando-se muito com o enredo de Detona Ralph, a ideia furada perde ainda sua originalidade.Mas o longa tem lá seus aspectos positivos ao assisti-lo com baixas expectativas e tendo em mente seu público-alvo.Pouco a pouco, o gênero infantil consolida um subgênero dentro do seu macrocosmo, abusando de temáticas atrativas para crianças, garantia de público.

Emoji

Imagem: reprodução

O longa funciona para um filme infantil: o roteiro é simples e coeso. Conforme se desenvolve, as personagens aprendem lições de moral e caem em si nos seus erros. O trio é bem raso e corresponde aos clichês da faixa etária que o longa deseja atingir. O menino que não sente pertencer a lugar algum; a figura do que busca a popularidade; e a garota que não quer se submeter aos rótulos de gênero. E a mensagem é didática e clara: jovens precisam se aceitar, o que realmente importa são os verdadeiros amigos e todos são mais que uma definição padrão. O recado é captado por qualquer idade. Gene, Rebelde e Hi-5 são até que simpáticos, mas sua trama é bem bobinha. Para crianças é plausível, então cumpre seu propósito.

Vale ressaltar as críticas pensadas para dialogar com o público mais velho. Algumas são suaves e se diluem na trama, como a excessiva atenção dada pelo jovens ao celular e a superficialidade das relações em redes sociais. Já outras são colocadas abruptamente, como o discurso defensivo de Rebelde sobre independência feminina e machismo.

É claro que a estética de Emoji: O Filme não pode ser comparada à dos longas nos quais  se inspira. O mundo de Textopolis é colorido e simplório, nada muito inovador do que o já visto em outros desenhos. Vale destacar que o cenário do “plano de fundo” e de “Candy Crush” se assemelha muito ao visto em Detona Ralph . É bonito, mas não muito criativo. Um ponto positivo é a cena em que os pais de Gene se encontram na fotografia de Paris no Instagram. É bela e leve.

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Imagem: reprodução

Mesmo sendo uma animação destinada a crianças, é divertido ver referências que habitam o mundo juvenil e adulto. Ser inserido no cosmos dos aplicativos como Just Dance, Instagram, Youtube e Dropbox é razoavelmente atrativos. Ponto para o Spotify que retrata cada canção como um rio, oportunidade para ouvirmos a excelente trilha sonora composta por sucessos do mundo pop, como Cheerleader do OMI. Todavia, as pequenas piadas feitas sobre o“sentido” de cada emoji lembram as anedotas de tio na ceia de natal, como a fala do Côco dizendo “eu não faço nada mole” ou uma personagem usando a (péssima) expressão “vem de zap”. Você saca e esboça um riso amarelo.

Emoji: O Filme não é uma animação para fazer adulto chorar ou provocar profundas reflexões (trabalho que a Pixar e a Disney têm desenvolvido com maestria recentemente). Ganha o elogio de legalzinho e será esquecido no dia seguinte da ida ao cinema, inclusive pelas crianças.

O filme chega aos cinemas dia 31 de agosto de 2017. Assista ao trailer:

por Larissa Santos
larissasantos.c@usp.br

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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