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Engraçado e emocionante, Doentes de Amor foge dos clichês românticos
CINÉFILOS
18 out 2017 | Por Jornalismo Júnior

Amores proibidos parecem ser o tema preferido de muitos diretores, de modo que é muito fácil tornar algumas tramas repetitivas e até um pouco cansativas. Todavia, mesmo pautado nessa temática, Doentes de Amor (The Big Sick, 2017) é um filme que mistura questões religiosas e um nível de comédia que arranca risadas gostosas do público.

Doentes de Amor

Imagem: reprodução

A narrativa conta a história de Kumail (Kumail Nanjiani), um paquistanês que mora com a família nos Estados Unidos e faz shows de stand-up na cidade de Chicago. Além de comediante, o personagem também é motorista de Uber, indo contra o desejo de seus pais de que ele fizesse faculdade de Direito. Em uma de suas apresentações, ele conhece Emily (Zoe Kazan), uma estudante de psicologia, e os dois são início a um relacionamento cheio de paixão que parece ter tudo para dar certo.

O entrave deriva do fato de que a família de Kumail é muito tradicional e, nas palavras da mãe do personagem, quer que “ele seja um bom muçulmano e case com uma paquistanesa”. Assim, paralelamente ao desenrolar do caso com Emily, Kumail é obrigado a participar de encontros planejados por sua mãe para que ele consiga um casamento arranjado. Ao descobrir que a família de seu namorado não sabe de sua existência, Emily se enfurece e os dois terminam.

Doentes de Amor

Imagem: reprodução

Um tempo depois do término, Emily é diagnosticada com uma infecção de pulmão grave, colocada em um coma induzido e Kumail acompanha toda a trajetória médica. Nesse momento, entram em cena os pais da estudante, Terry (Ray Romano) e Beth (Holly Hunter), que conhecem melhor Kumail ao passarem tanto tempo juntos no hospital. Os três personagens acabam ficando muito próximos, unidos pelo sentimento em comum por Emily.

Apesar de coadjuvante, a atuação de Holly Hunter se destaca mais do que a de Zoe Kazan, uma vez que a menina passa grande parte do filme em coma e a mãe protagoniza cenas emocionantes, relacionadas principalmente ao casamento de sua personagem com Terry e à introdução de Kumail à família. Assim, a interação entre Beth e Kumail é um dos maiores pontos positivos do longa, gerando momentos de humor e afeto. Outro interessante tópico abordado é a questão do preconceito americano perante o islamismo, apresentado de maneira muito leve por meio de situações cômicas e piadas.

Dirigido por Michael Showalter, o filme possui um enquadramento levemente incômodo, já que várias vezes corta a cabeça dos personagens em cena, talvez de modo proposital. Todavia, existe uma química grande entre os personagens, que faz com que o público se sinta confortável assistindo e esqueça as falhas no enquadramento. Além disso, o longa faz jus ao título de comédia romântica, pois provoca risadas na maior parte do tempo, mas tem uma leve dramaticidade que atinge o emocional do público.

Doentes de Amor surge como uma oportunidade para aqueles que desejam ver um romance nada meloso, uma comédia agradável e um drama convincente. Talvez essas características sejam resultadas da veracidade do script, que é baseado em uma história factual e foi escrito pelos protagonistas deste romance da vida real, Kumail e Emily. Um filme verdadeiro assim consegue escapar tranquilamente dos clichês presentes nas inúmeras produções que relacionam paixões a doenças, produções as quais uma parcela do público já cansou de assistir.

Doentes de Amor tem sua estreia prevista para o dia 19 de outubro. Confira o trailer abaixo:

por Gabriela Bonin
gabibonin@usp.br

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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