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“Entourage” e os insuportáveis clichês de filmes hollywoodianos
CINÉFILOS
20 ago 2015 | Por Jornalismo Júnior

por Leticia Fuentes
lepagliarini11@gmail.com

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Se você tem dinheiro, fazer qualquer produção cinematográfica só para vender é muito fácil. É só adicionar um enredo clichê a um protagonista dentro dos padrões de beleza e um humor baseado em preconceitos, assim como faz o filme Entourage – Fama e Amizade (Entourage, 2015), que estreia nesta quinta-feira (20). O longa promete encerrar a nem-tão-famosa-assim série de mesmo nome, produzida pela HBO, com chave de ouro. Mas é claro que, às vezes, nem todas as promessas são cumpridas como deveriam.

 

Composta por 8 temporadas e um discurso machista de doer, a série já não é lá grande coisa. E como foi finalizada em 2011, os produtores acharam que seria uma boa ideia fazer um filme contando o que aconteceu com o quarteto de amigos depois do último episódio e mandá-lo aqui para o Brasil. Até que o plano tinha elementos para dar certo, mas para isso a produção teria que se empenhar em tornar a série mais conhecida, corrigir alguns discursos preconceituosos da história original e caprichar mais no humor do longa. Infelizmente, nada disso foi levado em consideração.

 

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A história da série já é bem bobinha, pois conta a trajetória de um jovem ator nova-iorquino e seu grupo de amigos por Hollywood, dando festas, fazendo idiotices e correndo atrás de mulheres adequadas ao padrão de beleza – além de, é claro, discriminar as demais. Mas o filme consegue superar a estupidez da série, pois conta com uma hora e quarenta e quatro minutos da mesma coisa. Dessa vez, o personagem principal, Vince (Adrian Grenier), faz um acordo com seu agente, Ari Gold (Jeremy Piven), para ser o diretor e protagonista de seu novo filme. Enquanto isso, seu melhor amigo está prestes a ter um filho com a ex-namorada, seu irmão segue a vida de um iludido ator desempregado e seu outro amigo faz de tudo para transar com a famosa lutadora Ronda Rousey.

 

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Talvez o único aspecto interessante do longa seja a presença de Rousey no elenco. Opondo-se à ideia de que as mulheres precisam ser delicadas a todo o momento e que não são tão fortes e decididas quanto os homens, a lutadora aparece como uma figura desejável justamente por essas qualidades e por sua beleza singular.

 

Ainda assim, parece contraditório que o diretor assuma a presença de uma mulher tão poderosa quanto Rousey em seu filme e, ao mesmo tempo, continue admitindo que todas as vezes que alguma personagem masculina se comporte como “covarde” seja chamada de “garotinha”. Desse jeito, a impressão que fica é a de que a única coisa positiva no longa foi transformada em algo comercial; infelizmente, a lutadora foi escolhida para atuar no longa não por sua grandiosidade enquanto mulher, mas para chamar a atenção do público, desperdiçando uma incrível oportunidade de cortar pela raiz o desprezível discurso machista presente na série.

 

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Além disso, assim como a série, o filme também usa um discurso homofóbico para tentar, desesperadamente e sem sucesso, arrancar alguma risada dos espectadores. Lloyd (Rex Lee), assistente de Gold, é um homossexual estereotipado que frequentemente aceita ser ridicularizado pelo empresário por conta de sua orientação sexual. No longa, Lloyd convida Gold para levá-lo ao altar no dia do seu casamento, oferta que, no início, é recebida com uma certa hesitação por parte do magnata e de sua esposa – que parece não suportar o fato de seu marido ter negociado a realização da cerimônia em sua casa, justamente por conta dos noivos e de seus convidados.

 

À parte disso, não há muito mais a ser dito: a história, além de ser clichê, é ruim e o longa mal consegue arrancar sorrisos dos espectadores, quanto mais gargalhadas (até porque, o humor envolvido é de gosto bem duvidoso). De dez, um filme como esse não receberia de mim nada além de 3. A única coisa que o faz diferente da série – e, portanto, melhor – é que ele acaba mais rápido. Mas, para poupar o tempo do espectador, sugiro nem começar.

 

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