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Entre a justiça e o poder
CINÉFILOS
16 mar 2011 | Por Jornalismo Júnior

[Jogo de Poder]

Quando se resolve fazer um filme que envolve política, quase sempre vem à mente imagens de corrupção, uso ilegal de verbas, caixa dois, suborno e lavagem de dinheiro. Ou seja, nada de muito exemplar. Já quando se fala em fazer um filme que envolve a CIA, os clichês de espionagem, treinamentos especializados, aparelhos de alta tecnologia e os personagens durões que “podem tudo” e nunca morrem surgem cercados de idealismo e de uma ânsia em se tornar um espião. É de se pensar que juntar a Casa Branca com a CIA daria um belo de um clichê, mas não é isso que ocorre em “Jogo de Poder” (Fair Game). Dirigido por Doug Liman e estrelado por Naomi Watts e Sean Penn, o filme (baseado em uma história real) tem um roteiro inteligente, ótimas performances e trata dos abusos de poder do governo Bush de uma maneira inigualável.

Valerie Plame (Watts) é uma agente da CIA com um currículo impecável e que, encarregada das missões ligadas à Guerra do Iraque, descobre que o país não possui programa para produzir armas nucleares, como havia sido delegado pelo Presidente Bush. Ela é casada com Joseph Wilson (Penn), um diplomata que é encaminhado ao Iraque para verificar se tais armas de destruição estavam sendo produzidas. Após as investigações, ele descobre que o programa não existe e que tudo não passava de uma jogada da Casa Branca para invadir o Iraque, obtendo apoio popular.

Sendo assim, Joseph resolve escrever um artigo para o The New York Times relatando suas conclusões e gerando uma onda de controvérsias. Logo após esse tempestuoso incidente, a identidade secreta de Valerie é revelada em uma notícia de um jornal de Washington, o que destrói sua carreira. Coincidência? Com certeza não. Ao longo do filme, mostra-se como a Casa Branca exerce poder até mesmo sobre a CIA e em como é fácil abusar do poder e destruir vida e carreira de pessoas que se metem com o governo. Joseph quer levar essa história ao maior público que conseguir e Valerie quer simplesmente se ver livre dos noticiários e das fofocas que envolvem o seu nome. As discussões viram rotina para o casal, que tem que driblar as ameaças de morte anônimas que recebe em sua casa diariamente, a má reputação lançada pela mídia e os problemas pessoais de cônjuges para que possa salvar o casamento.

Naomi e Sean, que já haviam trabalhado juntos em 21 gramas, formam uma grande dupla e, juntamente com a direção e toda a equipe técnica, fazem dessa grande história um filme em que se pode rir, chorar e aprender. Jogo de Poder, além de ser um intrigante suspense, é um filme em que se pode ver de perto a história de uma mulher que batalhou para que a justiça fosse feita. Além disso, é um filme que desbanca as artimanhas corruptas e nos mostra o real contexto político do governo Bush, o qual vimos mascarado nos discursos do presidente norte-americano e nos noticiários.

Por Jéssica Stuque

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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