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Entre abelhas: o divertido e atordoante zumbido do silêncio
CINÉFILOS
28 abr 2015 | Por Jornalismo Júnior

por Guilherme Weffort
guilhermeweffort@gmail.com

Quando se fala em invisibilidade, o que vem à cabeça? Provavelmente algum super-herói com o poder de desaparecer ou a capa de Harry Potter, tão desejada por seus fãs. Mas, e se as pessoas sumissem mesmo estando por perto o tempo todo? E se não fôssemos mais capazes de ver nossos melhores amigos, nossa família e até mesmo nosso grande amor? É dessa “invisibilidade visível” que trata o longa Entre Abelhas (2015), de estreia marcada para quinta-feira (30). Dirigido por Ian SBF, do “Porta dos Fundos”, com a presença Marcos Veras, Letícia Lima, Luis Lobianco e do protagonista e co-roteirista Fábio Porchat, também do consagrado canal do YouTube, o filme desperta a sensação de ser apenas mais uma comédia cinematográfica de grande circulação. A veia cômica do grupo está presente, e é nítido os benefícios trazidos por anos trabalhando juntos à essa criação, mas ocorre a construção de um surpreendente e inesperado drama, o qual evidencia questões delicadas das relações pessoais em um contexto regido pelo individualismo. “Nós não enxergamos. As pessoas passam e a gente não olha, ignora. Estamos numa época assim. Nossa inspiração foi olhar a nossa volta”, disse Porchat em entrevista coletiva no último dia 13.

porchat_entre_abelhas_1 Bruno é um jovem de aproximadamente trinta anos recém-separado de Regina, interpretada por Giovana Lancelotti. De um dia para o outro, as pessoas começam a desaparecer para ele, que passa a esbarrar no nada, comemorar gols sozinho e deixa de ver e ouvir até mesmo seus colegas de trabalho. Nesse momento aparecem as outras figuras e a forma com a qual lidam com a “cegueira” do rapaz. Davi, personagem de Marcos Veras e melhor amigo de Bruno, é, segundo o próprio ator, um cafajeste preocupado apenas com os próprios problemas. Já sua mãe, papel da experiente Irene Ravache, tenta desesperadamente ajudar o filho: procura médico e psiquiatra, além do atendente de pizzaria Nildo (Lobianco), com quem protagoniza os momentos mais engraçados da trama. No meio dessa confusão, há Rebeca (Letícia), uma garota de programa que cria um afeto pelo protagonista e desperta grande curiosidade.

Produção e Roteiro

O filme, já de início, surpreende pela fotografia, marcada por um tom acinzentado e por um Rio de janeiro, segundo o diretor, mais frio e não óbvio. “Queríamos um filme que pudesse ser filmado em qualquer cidade, por isso escolhemos essa região mais ‘urbana’ do Rio”, comentou Ian na coletiva. Os efeitos são todos mecânicos, com o auxílio de dubles e cortes de câmera. O roteiro é interessante ao trazer questionamentos sobre como vemos o mundo e quem está a nossa volta ou, mais especificamente, como deixamos de ver. Em alguns momentos é confuso e se torna um pouco repetitivo e irresoluto, dando a impressão de que pode ser resolvido em bem menos de 100 minutos.

porchat_entre_abelhas_2 No entanto, talvez haja uma explicação para isso. A subjetividade, característica dos vídeos produzidos pelo grupo, é, segundo os roteiristas, uma das marcas desse trabalho. “Algumas coisas devem ficar entreabertas, ser deixadas para a o público pensar”, declarou a dupla. Com todos esses fatores, “Entre Abelhas” rende boas gargalhadas e, ainda assim, consegue colocar, nos ouvidos de quem assiste, o zumbido de uma importante reflexão.

Confira o trailer:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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