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Entre as distopias – um passeio por sociedades imaginárias
Na Estante
02 ago 2013 | Por Jornalismo Júnior

A palavra pode parecer estranha, mas você com certeza já teve contato com uma distopia. Seja através da leitura de clássicos como 1984 e Laranja Mecânica ou de novos Best-sellers como Jogos Vorazes. Para entender esse conceito é bom compreender primeiro o que é uma utopia. O significado mais comum e mais interessante para essa explicação é o de uma civilização ideal. Assim, a distopia ou antiutopia é caracterizada pelo contrário disso, diz respeito a civilizações com uma série de problemas, as quais são retratadas tanto em universos paralelos quanto em possíveis e trágicos futuros de nossa sociedade.

Jogos Vorazes acompanha a história de Katniss Everdeen, garota que participa dos Jogos Vorazes, batalha da metrópole em que vive na qual apenas um dos vinte e quatro jovens participantes pode sobreviver. Foto: reprodução

Alguns títulos clássicos do gênero são 1984, Admirável Mundo Novo e Laranja Mecânica. O primeiro narra a história de Winston Smith, homem que vive dentro de um regime político extremamente autoritário e recebe a tarefa de perpetuar a propaganda do Estado. Desiludido com sua existência, Winston se rebela contra o sistema. O segundo ilustra um futuro onde as pessoas são condicionadas para viver em absoluta harmonia, dentro de uma sociedade extremamente tecnológica e organizada por castas. Diversos valores aparecem de forma muito diferente da que conhecemos hoje, por exemplo, a educação sexual se dá desde cedo, a morte é vista como algo bom e o conceito de família não existe. Já Laranja Mecânica conta a história de Alex, jovem líder de uma gangue de delinquentes que, após ser preso, é utilizado pelo Estado numa experiência chamada de Método Ludovico, criada para refrear os impulsos destrutivos de jovens como ele.

No que se trata de publicações mais recentes, três exemplos de distopias interessantes são as trilogias Jogos Vorazes e Divergente e o livro Feios. No caso de Jogos Vorazes, o primeiro livro- que leva o nome da série- acompanha a história de Katniss Everdeen, garota que vive em um país dominado por uma metrópole tecnologicamente avançada e participa dos Jogos Vorazes, batalha na qual apenas um dos vinte e quatro jovens participantes pode sobreviver e sair vitorioso. Em Chamas, segundo livro da série, narra o inicio uma rebelião contra a opressiva capital. A Esperança, ultimo da trilogia, continua contando a luta de Katniss contra o governo autoritário de seu país. Divergente é o novo queridinho dos fãs de distopias, primeiro livro de uma trilogia que leva seu nome, conta a história de uma Chicago futurista na qual a sociedade é dividida em cinco facções: abnegação, amizade, audácia, franqueza e erudição. Beatrice cresce na abnegação, mas após fazer um teste de aptidão descobre que na realidade é uma divergente. Deve então de decidir entre ficar com sua família e ser quem realmente é. Por ultimo, Feios narra a história de uma sociedade na qual ao fazer 16 anos os jovens tornam-se bonitos e vão viver em um paraíso de tecnologia onde o único dever é se divertir. Entretanto, alguns eventos revelam que esse mundo não é tão bonito assim.

1984: o livro de George Orwell é um clássico na questão da distopia. Foto: reprodução

Nesses livros, uma das características mais comuns é a presença de governos autoritários que reprimem a liberdade da população, fazendo com que ela esteja sempre sob seu controle. Em certas obras, como Jogos Vorazes, a repressão e o sofrimento de maior parte da sociedade é evidente; enquanto em outras, como Admirável Mundo Novo, as pessoas têm a ilusão de que tudo está bem. Entretanto, há algo comum a esses dois exemplos e que podemos encontrar em muitas distopias: personagens que não aceitam e questionam o modo como aqueles que tem poder regem suas vidas. Outra característica comum nos livros do gênero é a utilização da tecnologia como ferramenta de controle, afinal, abordando sociedades futuras é possível explorar ao máximo os avanços tecnológicos.

Ainda que aquilo descrito nas obras trate apenas de um possível futuro, a inspiração para a criação destas está no presente. As distopias ilustram o futuro fazendo uma crítica ao mundo atual. Assim, encontramos nos livros muitas características do presente representadas de forma exacerbada. Entre os exemplos disso estão a ultraviolência presente em Laranja Mecânica, a brutal padronização da beleza observada em Feios, além de uma crítica clássica que aparece de modos diferentes em diversas histórias: a divisão da sociedade em grupos. Sejam diferentes castas como em Admirável Mundo Novo ou facções, como em Divergente.

O gênero já é antigo é há tempos emplaca Best-sellers. O porquê de tal sucesso é algo a se pensar. Há quem seja atraído por histórias que apresentam diferentes possibilidades de futuro, quem se interesse pelas críticas que elas carregam, e ainda aqueles que sentem um certo alívio, pois aquela (ainda) não é sua realidade. De qualquer forma, o mais importante é entender que as distopias quase nunca são escritas simplesmente para levar entretenimento a quem as lê. Seu objetivo maior é causar no leitor uma reflexão.

Por Bianca Caballero
biancasacaballero@gmail.com

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COMENTÁRIOS
Nicolas
Aff! Gente, ela não tem nada a ver com o estilo que Rick criou para Clarisse. Dá para imaginá-la querendo enfiar a cabeçaa de um novato na privada? Rs Não né! Eu imaginaria ela ofendendo Percy com um relaxado sem classe, ela é a cara da Drew (filha de Afrodite que possui um poder raro de encantamento, que aparece na série do Riordan "Os Herois Do Olimpo") Ai ai
11 jan 2014
 
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