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Entre o 3D e o clichê: existe salvação?
CINÉFILOS
01 fev 2011 | Por Jornalismo Júnior

[Santuário]

Um filme que leva o nome de James Cameron como produtor-executivo consegue atrair para si muita expectativa. Conhecido por adorar o uso de efeitos especiais, esteve por trás de sucessos como Exterminador do Futuro (1984), Titanic (1997) e, mais recentemente, Avatar (2009). O último filme, produzido com uma revolucionária tecnologia em 3D, conseguiu chamar a atenção de todo o mundo e levantar uma onda de outras películas que seguiriam com esse estilo.

Não à toa, Cameron soltou pela mídia que “Santuário” (Sanctum) foi feito com uma tecnologia superior a usada em Avatar. Só por isso, milhões de pessoas assistiriam ao filme apenas por curiosidade. Como na equipe do Cinéfilos não existe nenhum técnico em projeções 3D para analisar a fundo todas as diferenças, cabe a nós apenas destacarmos que a sensação de claustrofobia é bem maior. Mas, claro, estamos em uma caverna há muitos metros de profundidade e não em Pandora, um planeta colorido e exuberante.

O filme tem muitas outras semelhanças com o sucesso Avatar. A existência de uma caverna exótica chamada de “Espírito Esa-Ala”, nunca antes desbravada pelo homem, que desperta a cobiça de muitos lembra bastante um planeta distante, protegido por uma divindade chamada Eywa e que também chama a atenção dos humanos. Além disso, um sobrevoo no começo do filme pela paisagem do lugar remete bastante aos voos de helicóptero que os militares faziam por Pandora… Mas, nada como uma boa inspiração para fazer um roteiro, não é mesmo?

A expedição de mergulho é patrocinada por Carl Hurley (Ioan Gruffudd), que não vê a hora de ter toda a fortuna investida revertida em fama. Mas quem manda mesmo na equipe é o líder da expedição, o mergulhador Frank McGuire (Richard Roxburgh), um tipo durão que praticamente obriga seu filho de 17 anos, Josh (Rhys Wakefield), a participar da aventura. O jovem detesta o fato de o pai decidir tudo pelos dois e, com isso, a relação entre eles é conturbada. Tudo dá errado quando a saída é obstruída devido a um ciclone e o filme vira uma corrida maluca para encontrar outro modo de escapar da caverna.

O filme é de ação, mas isso não justifica a quantidade de diálogos rasos e o excesso de palavrões. Nem mesmo um batido conflito entre pai e filho salva Santuário. O cenário é cansativo: rochas, água e sangue. O 3D é usado exaustivamente para atrair o público, mas são poucas as histórias que usam a tecnologia e que de fato conseguem falar algo a mais. James Cameron afirmou que Santuário superaria Avatar. Mas até que ponto efeitos especiais podem conseguir salvar um filme com um roteiro fraco?

Por Carolina Vellei

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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