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Entre risadas e hematomas, Mortadelo e Salaminho
CINÉFILOS
13 set 2016 | Por Jornalismo Júnior

O diretor espanhol Javier Fesser assume, mais uma vez, uma adaptação das histórias em quadrinho do reverenciado Francisco Ibáñez para o cinema, Mortadelo e Salaminho – Em Missão Inacreditável (Mortadelo y Filemón contra Jimmy el Cachondo, 2014). A animação chega ao Brasil na próxima quinta-feira, com as vozes de Lucas Salles e Marco Luque, e se trata, dentre outras coisas, de uma homenagem ao quadrinista pelos seus 80 anos de vida, completados em março de 2016.

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O filme conta uma aventura vivida por Mortadelo e Salaminho, agentes especiais da T.I.A. (Técnicos de Investigação Avançada, uma paródia da CIA), cuja principal missão é prender o vilão Jimmy – O Doidão, que roubou da agência um cofre contendo um envelope altamente secreto. Contudo, já não bastasse as trapalhadas dos próprios personagens, a tarefa fica ainda mais complicada quando outro vilão, Trinca-Ossos, foge da prisão para se vingar Salaminho (e fazer “aquilo” com ele).

A maneira caricata dos personagens sobrepõe o enredo do filme –  principalmente Salaminho, sempre atrapalhado e cheio de hematomas. Tal aspecto é característico dos próprios quadrinhos, tornando o filme um apanhado ainda mais fiel ao trabalho de Ibáñez.

O enredo é bastante simples, anti-heróis perseguindo vilões, mas de forma alguma é previsível. Uma hora ou outra o espectador é surpreendido com um acontecimento. Sobretudo no final, que mesmo confuso em alguns aspectos, não possui muitos acontecimentos esperáveis.

Também, a estética do filme é bastante agradável. O cenário da história é muito bem construído, com as casas e prédios coloridos, mas opacos, o que reflete humildade ao ambiente, agregando à história. O desenho das próprias personagens é, em alguns momentos, bem realista, como destaca o dublador de Salaminho, Marco Luque, lembrando que constantemente os poros do nariz de Super – superintendente da T.I.A.- estão à mostra.

A dublagem brasileira é outro ponto positivo do filme, Marco Luque e Lucas Salles fizeram um ótimo trabalho. Lucas fez com que Mortadelo ganhasse uma voz bastante marcante e caricata, dando ao personagem um ar ainda mais humorístico. Segundo ele, sua inspiração foi a própria esposa e o conhecimento prévio da personagem.

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Já Luque se mostrou bastante animado, pois por mais que já tenha feito outras dublagens, essa foi sua primeira como protagonista. O ator diz ter trabalhado o tempo todo em pé, sempre se movimentando muito, como se fosse o próprio Salaminho. A dublagem também trouxe algo cada vez mais comum nos filmes: a ”abrasileiração” de algumas expressões, como “Louco da Silva” e “Virada no Jiraya”.

Apesar de uma animação, o filme não é adequado para crianças muito pequenas, por conta das cenas de violências e de insinuação sexual. Também, uma mulher resgata pelos agentes é bastante sexualizada, em uma cena inadequada não só para crianças, como para qualquer pessoa, já que é uma pequena, mas existente, demonstração de machismo. Trata-se de um humor semelhante a Tom e Jerry, Pica-Pau e Papaleguas, onde há sempre “galos” na cabeça das personagens.

No geral, Mortadelo e Salaminho – Em Missão Inacreditável é bastante agradável. Apesar de não ser uma obra prima das animações, cumpre o papel de divertir o público e servir como homenagem ao quadrinista Francisco Ibáñez, não é a toa que a produção está entre os cinco filmes mais assistidos na Espanha.

O longa estreia em 15 de setembro nos cinemas. Confira o trailer!

por Camilla Freitas
camilla.freitasoares@gmail.com

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