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Escândalo, sexo e política
CINÉFILOS
23 jul 2014 | Por Jornalismo Júnior

de Jullyanna Salles
salles.candido@gmail.com

A primeira cena de Bem-Vindo a Nova York (Welcome to New York, 2014) já deixa claro que o filme não será exatamente leve. Gérard Depardieu explica, em uma curtíssima entrevista, o porque se dispôs a fazer o papel de Dominique Strauss-Kahn, ex Diretor-Gerente do Fundo Monetário Internacional e político francês. “Eu odeio ele”, fala o ator com certo asco.

O longa aborda o escândalo em que DSK se envolveu em 2011: a acusação de abuso sexual de uma camareira. O caso o levou a renúnciar o cargo no FMI e a desistir da candidatura a presidência da França nas eleições do ano seguinte. A produção cinematográfica dirigida por Abel Ferrara não apresenta grandes novidades frente o que já foi divulgado na mídia, mas carrega consigo a ilustração de um cenário sórdido e revoltante.

O nome de Strauss-Kahn não é utilizado na trama, o protagonista é chamado Sr. Devereaux, mas não há como duvidar que se trata da história do político. Algumas das cenas são feitas a partir de reconstruções de imagens divulgadas na época, o que contribui para a verossimelhança do filme. Até mesmo a trilha sonora é tímida e aparece muito pouco, contribuindo para que seja feito o retrato de um acontecimento real e não de uma história de ficção.

A atuação do protagonista é surpreendente. As cenas de sexo são numerosas e a postura do ator é sempre notável. A produção retrata um homem rico, com muito poder e acometido por uma doença que o transforma em um maníaco sexual sem escrúpulos nenhum. Se a intenção de Ferrara era construir uma imagem repugnante do político, ele conseguiu graças a Depardieu, que por vezes parece interpretar um bruto com tendências animalescas.

O filme chegou a 48 mil downloads em apenas 2 horas de disponibilização no iTunes, em território francês. Além disso, foi exibido no Festival de Cannes mesmo não tendo sido indicado para nenhum prêmio.

Anne Sinclair, ex-esposa de DSK e editora no The Huffington Post deixou bem claro o quão enojada o longa a deixou. Acusa os produtores de exporem suas próprias fantasias sobre dinheiro e o povo judeu. Entretanto, não pretende processar Ferrara, alega que ela própria não ataca a imundície, apenas a despreza. Ao contrário do advogado de Strauss-Kahn, que afirmou que os diretores responderiam por calúnia.  A produção é escandalosa e tem potencial para render ainda muita polêmica.

Confira o trailer:

 

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