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26º Festival Mix Brasil: Obscuro Barroco
CINÉFILOS
28 nov 2018 | Por Cinéfilos

Este filme faz parte do 26ª Festival Mix Brasil. Para mais resenhas do festival, clique aqui.

Luana Muniz é a voz da obra (Imagem: Divulgação)

Uma cidade iluminada e marcante por sua característica multifacetada. A única coisa que parece comum a todos nesse lugar, apesar da desigualdade social, é o fato de tudo terminar em festa, em carnaval. Dirigido pela grega Evangelia Kranioti, o longa Obscuro Barroco (2018) é uma viagem sobre o mundo queer e sobre a cidade do Rio de Janeiro.

A ativista Luana Muniz é a narradora do longa. Enquanto diversas imagens sobre a cidade e sobre a própria ativista são exibidas, ouvimos sua voz a guiar o espectador pelas cenas e a expressar todos seus sentimentos: o que acha da cidade, como se sente, seus pensamentos com relação a diversos assuntos, a tudo e a todos.

Como em uma projeção, os ditos da transformista se transformam em verdade conforme a câmera passeia pela noite e o que nela ocorre. Exibe o desfile de carnaval, não só o do sambódromo, mas o da favela. O foco nas pessoas dançando, fantasiadas; nas crianças cobertas de glitter rebolando ao som de “Treinamento do Bumbum”, dão o toque de “fábrica dos sonhos” ao Rio, maneira como Luana Muniz chama a cidade.

Mais do que isso, dão ao filme uma parte poética, que é criada por meio dos personagens reais. Os enquadramentos feitos aos corpos dançantes e suados, e todas as expressões captadas pela câmera dão vida a essa poesia. As imagens de luzes que vêm do morro, a vista de cima da cidade, do calçadão e das praias, também contribuem para com esse toque.

Em alguns momentos, o foco se volta às travestis. Uma cena, em especial, acompanha uma house party. Nela, as pessoas se expressam livremente. Algumas estão vestidas, outras estão pintadas. Cantam a música “Um beijo” (MC Xuxú) e é como se sentissem a liberdade que tanto procuram. Como se naquele momento pudessem, junto às outras, ser quem são, sem sentir medo.

Momento político há também em algumas cenas de protesto que compõe o longa. Ainda na época do “Fora Temer” as pessoas bradam segurando suas bandeiras. Gritos de “não vai ter golpe, vai ter luta”; “fascistas, golpistas não passarão” também fazem parte dos protestos.

Quem acompanha isso de perto é o palhaço vestido de branco. Não só nesse momento, mas em todos os outros exibidos, como no desfile de carnaval, esse personagem está presente. A narrativa não deixa claro quem ele é, nem o que representa, mas dada sua expressão de ingenuidade e inocência ao acompanhar tudo, é possível a interpretação de que personifica a fantasia presente nessa obra, tão ficcional quanto documental.

O Palhaço Branco é um dos mistérios do longa (Imagem: Divulgação)

O longa termina com um lipsync de Luana Muniz, e isso dá sentido ao longa e a uma das frases ditas por ela, que elucida toda a obra: “se o Rio de Janeiro fosse uma pessoa, seria uma travesti”.

Confira o trailer oficial:

Por Crisley Santana
crisley.ss@usp.br

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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